Professores mais permissíveis?

Mais concessões dos corpos docentes das universidades, para instalar em definitivo no currículo escolar a ‘personalização’ do modo de escrever dos discípulos.

Um pequeno erro ortográfico com certeza não dificulta o entendimento de um texto.

Contudo, a formula para promover uma “escrita inclusiva”, que vem sendo adotada por algumas universidades, não exclui a possibilidade de que grande parte de um texto cheio de erros, entregue a um professor para avaliação, ‘exclua ‘ o mesmo de entender o que foi escrito pelo discípulo ‘incluso’.
Leiam o texto a seguir e entenderão:
Fim de Papo

Por: João Pereira Coutinho

“Assim vai o mundo: algumas universidades britânicas estão dispostas a permitir erros ortográficos, gramaticais e de pontuação aos alunos. A ideia é, o que significa que grupos marginalizados, incapazes de escrever uma frase com sujeito, predicado e complemento direto, não devem ser penalizados por isso.

A Universidade de Hull, outrora casa de Philip Larkin, é explícita: o que se entende por “escrita correta” é, na verdade, um produto da Europa do norte e da cultura branca e elitista. Preservando-se um mínimo de inteligibilidade (até quando? E, já agora, não será isso também elitista?), o que conta é a forma autêntica como o aluno se expressa.

Quando li a notícia, confirmei uma vez mais o caminho de ruína que as humanidades escolheram há muito. Digo humanidades e não ciências naturais e exatas porque essas últimas não podem brincar – peço desculpa, “desconstruir” noções arcaicas de verdade.
Sim, de vez em quando alguém fala em “matemática inclusiva” e outras fantasias do gênero. Mas, no mundo real, a “matemática inclusiva” levaria à queda de pontes; a “física inclusiva” levaria à queda de aviões; e se o leitor, no bloco operatório, soubesse que o seu cirurgião era versado em “anatomia inclusiva”, o melhor era tentar fugir dali antes que a anestesia começasse a fazer efeito. Isso, claro, se tivesse a sorte de ter anestesia – uma invenção elitista e branca, que pode ser facilmente substituída por dois búzios sobre os olhos.
Mas a notícia também mostra outra coisa: o longo caminho que o pós-modernismo fez desde a década de 1960 até nossos dias. (…)
No fundo, nada de novo. Apenas um retorno ao período medieval, em que a discórdia era tratada como heresia. A Terra girava em torno do Sol?
Quem afirmava tal coisa era diabólico e, além disso, não conhecia a Bíblia. Fim de papo – e fogueira com ele. Igual tratamento deve ser ministrado a quem duvida da “fragilidade branca”, da “opressão epistêmica” ou da “interseccionalidade”.
Porque a Verdade, a única Verdade tolerável, é que tudo se resume às assimetrias de poder. E, se assim é, nada justifica que se aceite como único conhecimento válido o que é produzido pela cultura dominante. Os marginalizados também têm direito às suas epistemologias e hermenêuticas. No limite, esse pluralismo radical inclui até o direito de não se ser compreendido (“privacidade hermenêutica”).
Eis o futuro: por enquanto, aceitam-se erros ortográficos, gramaticais; a prazo, o aluno poderá comparecer ao exame e, em nome da “privacidade hermenêutica”, ter nota máxima pelo silêncio ou pelo delírio.”

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