Suco de Dinossauro

O petróleo quando não está estragando férias no Nordeste ou matando as girafas da Amazônia, ainda é das fontes de energia mais utilizadas no mundo.

Deste combustível fóssil, viscoso, inflamável, insolúvel na água e contornável por peixes inteligentes, como o tubarão que prefere comer cubanos e atores americanos, podemos retirar mil e uma utilidades, menos Bombril: GLP, éter, benzina, nafta, gasolina e óleo diesel, claro; óleo lubrificante, vaselina (de duplo sentido), parafina, asfalto e coque.

GLP e coque não conheço, nem adianta perguntar.

Meu pai trabalhou muitos anos, como advogado, na refinaria de Paulínia, perto de Campinas, São Paulo.

Uma vez, bem criança e muito curioso, fui passear de mãos dadas com ele nos campos da refinaria. Como lembrança, trouxe pedaços amarelos do enxofre que escorregava dos caminhões e um vidro lindo com petróleo bruto, que tenho até hoje.

Por isso ainda gosto de pintar com este tipo de óleo, como o betume e similares.

O petróleo nasceu da decomposição, não dos dinossauros, mas de matéria orgânica, especialmente, plânctons.

Os dinossauros desapareceram por causa dos efeitos malignos da queda de um meteoro que deixou a terra no escuro durante anos ou milênios, não sei, eu não estava lá e isso a Globo não mostra.

Claro que os dinossauros também viraram matéria orgânica, mas haja dinossauro morto para tanto petróleo que, parece infinito, mas um dia vai acabar, como as minas gerais de Minas Gerais. Aí eu quero ver com quantos paus se faz uma geladeira…

O petróleo, assim como os seres abissais e os Incas Venusianos, habita o subsolo, o assoalho oceânico, no fundo dos mares ou de lagos cheios de monstros.

Querem a composição da coisa? Carbono: 82%. Hidrogênio: 12%. Nitrogênio: 4%. Oxigênio: 1%. Sais: 0,5%. Metais: 0,5%. Pronto, mas não tentem fazer em casa…

A indústria petrolífera surgiu em meados do século 19, quando da refinação do óleo na Escócia que, depois, preferiu mexer com whisky, no que fez muito bem. Já tentei beber, mas petróleo não desce nem com muito gelo, soda e foda.

O Azerbaijão era, nesse período, o maior produtor de petróleo, sua produção correspondia a mais de 50% da produção mundial. E era lá onde eu queria chegar. Não no Azerbaijão, claro, mas no assunto.

Onde fica, o que come, o que é e como se reproduz o Azerbaijão? Bom, é uma ex-república soviética…

Da URSS, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, sobraram a Rússia é um monte países esquisitões como o Azerbaijão. Isso e a “perestroika da vizinha” do Mikhail Gorbachev todo mundo conhece, certo?

Eu não sabia, mas agora adorei saber que Nikolay Nasedkin é um dos principais mestres do expressionismo pós-soviético. O artista russo não usa apenas tinta nos trabalhos, também usa petróleo.

Na mente dos russos, o petróleo é algo mítico e Nikolay Nasedkin revela esse mito. O óleo bruto (crude) tornou-se parte da história pessoal do artista.

“O petróleo é apenas um pretexto, um material. Antigamente, comíamos frutas; agora consumimos as profundezas da Terra, e elas estão acabando. Para o nosso país, traz riqueza e poder. Ao mesmo tempo, até nós, o povo, esse petróleo não chega”, lamenta Nasedkin.

“Ao usar petróleo, ele arrisca a vida: os vapores em suspensão têm um efeito nocivo na saúde. Ele tenta representar várias ramificações de próximos, família e parentes, com esse material”, disse o curador Kirill Svetlyakov, durante a exposição petrolífera de Nasedkin, na galeria New Tretyakov, em Moscou, até novembro passado… 2019, para quem estiver lendo isso em 2069…

Toda esta prosopopeia é para dizer que, se eu pudesse, usaria o petróleo que foi recolhido nas praias do Brasil, para fazer algum tipo de arte. Talvez esculturas, objetos, já que com ele veio muita areia. Tudo deve e pode ser reciclado, principalmente as tragédias.

PS: Da lama de Brumadinho, por exemplo, eu produziria tijolos… Afinal, com as pedras que me atiram, construo castelos mal assombrados por fantasmas da Escócia ou do Azerbaijão.

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