É uma dor Canalha!


Walter Franco morreu para vocês, filhos ingratos! Para mim, até há pouco, ele estava vivinho da Silva.
Há coisa de uma semana, postei aqui no Face, minha música favorita do Walter Franco, “Canalha”, com a qual me identifico deveras.
No post, alguém comentou que ele tinha tido um AVC. Eu não sabia. Como nossos pais, nossos heróis ainda são os mesmos e assim, sempre acabo postando os mesmos ídolos. Walter Franco era um deles.
Ontem, passando por aqui, para minha surpresa, alguém tinha postado a mesma música “Canalha”, desta feita, sem comentários.
Compartilhei e continuei ouvindo outras pérolas aos poucos de sua lavra.
Acabei trombando, mais tarde, com uma entrevista do mesmo Walter, em 1990, no “Programa do Jô”.
Rachei o bico de rir. Nunca tinha tido o privilégio de uma entrevista com ele, todo zen, falando baixinho, coisas sábias e inteligentes.
Pela primeira vez também vi um convidado do Jô pedindo whisky, na maior cara de pau. E ainda teceu vários elogios a outros destilados, como a vodka, coisa muito perigosa; porque vocês sabem, a bebida, antes de te matar, te humilha….
Não foi o caso dele, durante a entrevista, mas certamente contribuiu para seus infartos e o canto de cisne em forma de AVC. Esta bomba na cabeça que também matou meu pai. A diferença é que meu pai não bebia. Em compensação também não compunha.
Também não bebo, apenas minto um pouco, como todo Walter. Assim como todo Walter é genial e modesto.
E me aproveitem porque nós, os Walter, não os geniais, estamos em extinção. Ou vocês conhecem alguma criança chamada Walter? Walter já nasce velho.
Acabei postando o link da entrevista no Jô, sem saber que Walter Franco já tinha sido velado e cremado.
Como comentário, peguei três frases dele na entrevista: “A gente tem que desmilitarizar a cabeça, inclusive os civis”. Perfeito!
Depois, poeticamente, Walter aconselhou usarmos mais o “sorriso interior”. Lindo, isso!
Por fim, cantou, não o samba de uma nota só, mas a música de um verso só: “O importante é manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”. Pronto, precisa mais? “Voilà”, a receita da felicidade e da lucidez.
Só à noite, quando Walter Franco começou a arrastar correntes no castelo do Facebook, descobri que ele tinha partido para o outro plano.
É bom adiar tristezas, consegui até cantar que “Apesar de tudo, é muito leve; apesar de muito, é tudo leve”.
Walter Franco não era para amadores e iniciantes. Era preciso ter repertório para penetrar os labirintos de suas músicas deliciosas.
Eu mesmo, confesso, quando o ouvi pela primeira vez, foi tão estranho quanto a primeira Coca-Cola, como canta o Ednardo.
Depois a gente vai acostumando, vai doendo menos e até viciando, como tudo que é bom nesta vida.
Pois é, querido Walter, enfim te deixaram mudo. Os ingratos, claro, para mim, como agora, você continua gritando, o que a gente só aprende vivendo: “É uma dor canalha que te dilacera. É um grito que se espalha, também pudera. Não tarda nem falha. Apenas te espera, num campo de batalha. É um grito que se espalha, é uma dor Canalha!”.
PS: Aqui, Xará; mente quieta, coração tranquilo, tudo bem; mas, em vez de espinha, pode ser outra coisa ereta?
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