Picnic!


Eita semaninha cheia dos acontecimentos!
Presos são soltos, soltos são presos, delações cheias de acusações, delatados que negam o inegável, Temer de cabelo em pé com medo de não acontecerem as reformas, fim do Foro Privilegiado (alguns só vão poder contar com o furo privilegiado), manifestações para derrubar as reformas trabalhistas articuladas por quem não trabalha, manifestações para derrubar a reforma da previdência, articuladas por pessoas que nunca contribuíram, sítio em Atibaia que é mas que não é do ex, apê no Guarujá, que também é mas que não é dele, o cabeleireiro Celso Kamura que levava 10 paus por mês da Odebrechet pra deixar a patroa bonitinha (se eu fosse a empreiteira, reclamava no Procon)… é tanto assunto que me embananei. Resolvi falar então de piquenique, já que estamos perto do primeiro de maio.
Ô coisa boa que é piquenique!
Quando eu era criança, a família se juntava e saía em peso pra passar o Dia do Trabalho, do jeito que o diabo gosta. No meio do mato, sem fazer absolutamente nada, comendo comida fria e “ouvindo” o silêncio.
O dia do trabalho, para minha mãe, era mesmo na véspera. Ela dava duro preparando os quitutes que a gente ia devorar no evento. Tinha torta de palmito (no tempo em que não precisava fazer carnê pra comprar um vidro de palmito), cuscuz de camarão (no tempo em que se comia camarão à vontade), lanchinho de frios (no tempo em que o presunto era feito de carne de porco mesmo) e pastéis de queijo e de carne (no tempo em que o queijo era feito de leite sem aditivos e que a carne de vaca estava sempre em perfeito estado para o consumo).
Hoje em dia, nem me passaria pela cabeça comer no dia seguinte o pastel frito no dia anterior. Mas naquela época a gente comia! E como era bom! Tudo isso era empurrado pra baixo, com Tubaína que chegava a ficar gelada com a temperatura fria que costumava aparecer no mês de maio.
No dia do piquenique a gente acordava cedo, embalava as comidas e levava tudo pro carro. Carro? Que carro? Ninguém tinha não! A gente ia a pé mesmo.
Andávamos uns oito quilômetros até chegar a uma pedreira que fica ao pé da serra do Japy, com o vento frio e o sol queimando nossas bochechas.
A gente passava o dia observando os pássaros, pescando guaru no “corguinho” que cortava a clareira onde ficávamos, e, especialmente, descansando os ouvidos dos barulhos da cidade. E olha que, naquela época, nem tinha tanto barulho assim!
Piquenique era uma tradição levada tão a sério no mundo inteiro que até William Holden e Kim Novak aderiram. Quem não se lembra do apaixonante “Férias de Amor” (Picnic), onde o ator aparece sem camisa, causando o maior escândalo na época (1955)? O belo par passa o “labour day” juntos e, com a ajuda da natureza e de suas próprias belezuras, se deixam levar pelo clima romântico que os envolvia!
Mas isso tudo faz parte de um tempo que ficou pra trás. Piquenique hoje em dia, é sinônimo de congestionamento de carros, salgadinho de saquinho e de disputa de som: sertanejo x funk!
Diante disso, acho que vou fazer meu piquenique em casa mesmo!
Tô indo comprar toalha xadrez e algumas formigas! E também pipoca de micro para comer no dia 10 quando acontece o depoimento mais esperado do ano. E, se for atendido o pedido do ator, digo, do depoente, o espetáculo será transmitido ao vivo, e quem sabe, em cadeia nacional.
Vamos torcer para que seja em cadeia nacional. A de Curitiba tá de bom tamanho!

Notícias Relacionadas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *