Saída de Moro: o tiro no pé!!!

Bolsonaro foi eleito, creio eu, em mais de 60% por conta do antipetismo e da escolha de Moro e Guedes para seu ministério. Os restantes 40% foram daqueles que queriam muito uma mudança drástica nos rumos que o país estava trilhando e de seus fiéis apoiadores.

Considerando-se que um motivo não exclui o outro, os citados acima deram ao Presidente mais de 56 milhões de votos.

A escolha do seu ministério, um dos melhores que já tivemos, fez com que ele ganhasse mais popularidade e simpatia de grande parte do povo.

Uma mudança aqui, outra ali, em ministérios de menor peso, não alterou sua popularidade. A manutenção e a força dos dois superministérios – Justiça e Economia – mantiveram o governo forte.

Entre tapas e beijos com a mídia Bolsonaro levava o governo, sempre brigando com a imprensa que, em parte distorcia o que ele falava, ou que publicava as notícias da forma que lhes interessava.

Daí veio a pandemia do Coronavírus.

Começou assim a superexposição de outro Ministro, o da Saúde, Mandetta. Alinhado à mídia e, consequentemente, simpático a ela, ganhava cada vez mais elogios da imprensa, fosse ela contra ou a favor do presidente. O foco da mídia era Mandetta.

Este fato fez com que começassem as rusgas deste ministro com o Presidente. Ora porque o primeiro queria apertar mais o isolamento social, ora porque o Presidente queria afrouxá-lo. Usar ou não a Cloroquina? Seus discursos não mais estavam alinhados. O processo de fritura do ministro Mandetta começou e ficou impraticável a convivência com o Presidente, mesmo com as concessões feitas pelo então ministro que mudou radicalmente seu discurso.

Veio sua demissão que me pareceu quase consensual, haja vista que o Ministro não saiu atirando, ao contrário. A mídia lembrou palavras ditas pelo Presidente:  – Não sou maluco de demitir um “general” no meio de uma guerra… Mas foi…

A seguir, Bolsonaro continuou seu processo de isolamento. Nomeou o oncologista Nelson Teich para o lugar de Mandetta. O novo ministro deu sua primeira entrevista, perfeitamente em consonância com o que queria o Presidente, ao lado de vários outros ministros e apresentou seu plano de ação, ou melhor, apresentou o projeto de um plano de ação, incluindo aí alguns Programas de Governo, como, por exemplo, o Pró-Brasil.

Este e os outros planos, essencialmente econômicos, foram apresentados pelos ministros presentes, mas sem a presença do Paulo Guedes, o dono da chave do cofre, o Ministro da Economia. Terá começado aí o processo de fritura deste ministro também? Repararam que na fala de Bolsonaro o único ministro que não estava de terno era o Guedes, e o único de máscara também… por que será?

A saída hoje do Ministro da Justiça, Sergio Moro, deu continuidade ao processo de isolamento do Presidente. Ainda não dá pra vermos qual será o pano de fundo destas atitudes do Presidente.

Mas a saída de Moro não foi consensual, muito pelo contrário… Moro saiu atirando. Reclamou muito e inclusive dizendo que o Presidente queria fazer uma intervenção política na PF. Primeiro substituiu à revelia de Moro, o Superintendente da PF do Rio. Moro engoliu em seco, mas cedeu.

Depois tivemos o problema com o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que, estrategicamente, fora colocado por Moro sob sua supervisão, dentro do Projeto enviado ao Congresso, onde sem o apoio de Bolsonaro, o COAF retornou ao Ministério da Economia. Como se isso não bastasse, o titular do COAF, Roberto Leonel, indicado por Moro, foi exonerado por pressão do Presidente.

Moro negou que houvesse um acordo dele com o Presidente para que a vaga do Ministro do STF Celso de Mello, que será obrigado a se afastar no ano que vem, lhe fosse garantida. Infelizmente para nós. Mas ainda tenho esperança nisso.

Bolsonaro, desde o início, deixou claro para Moro que, embora organicamente a Diretoria da PF estivesse sob o Ministro, o Diretor da PF, no caso, Valeixo, responderia diretamente a ele, Presidente. Moro concordou, desde que a nova indicação fosse dele, com o que, à época, concordou o presidente.

Nesta semana o presidente resolveu exonerar Valeixo, chamou Moro e informou-o da sua decisão. Moro, segundo ele próprio disse hoje, até concordou, mas cobrou do presidente o que haviam acordado, ou seja, que Moro indicasse o substituto, mas foi surpreendido por uma lista de nomes não alinhados consigo. Ou seja, Moro tinha carta branca… só até a página 3.

Somou-se a isso a antiga vontade de o Presidente criar o Ministério da Segurança Pública. Informou, em janeiro, a Moro de sua ideia. O Ministro, à época, alertou o presidente que caso isso fosse levado adiante, ele estaria fora. Diante disso o Presidente recuou e disse à imprensa que a criação deste novo ministério era zero.

No discurso de despedida de Moro, ficou claro que houve um crime de falsidade ideológica, pois ele garantiu que não assinou a exoneração publicada no DOU, mas lá constava o nome dos dois: de Bolsonaro e de Moro. As assinaturas digitais têm seu certificado de segurança protegido por senha individual e Moro garantiu que não a deu a ninguém e nem assinou a demissão, logo, houve um crime de falsidade ideológica, pois alguém assinou pelo ministro. Vai sobrar pro cara que pôs o nome do ex-ministro no ato de “exoneração a pedido”, talvez seja este o primeiro crime a ser apurado pelo novo Diretor da PF a mando do novo Ministro da Justiça.

O PGR pediu abertura de inquérito para apurar os fatos noticiados por Moro. Moro está sendo convocado para apresentar documentos para provar suas acusações.

A declarada vontade de o Presidente interferir politicamente na indicação e no funcionamento da PF (palavras de Moro) podem mostrar outro crime, talvez de favorecimento ou acobertamento e coação nas investigações da PF… sobre quem?

O que mais me incomoda nisso tudo é que isso aconteceu exatamente na semana em que o Presidente sentou-se para conversar com os líderes do Centrão, na tentativa de tirar força de Rodrigo Maia, que vem incomodando muito ao Presidente.

Todos sabemos que, desde o primeiro dia de seu mandato, Bolsonaro sofre política e midiaticamente, com seus filhos, principalmente o Senador Flavio Bolsonaro, sua rachadinha e o Queiroz. Depois com aquela tentativa de nomeação de Eduardo como embaixador brasileiro nos EUA. Isso tudo só serviu para enfraquecer o presidente. Sua popularidade caía a cada dia, a cada problema criado por seus filhos. Passar a mão na cabeça dos filhos é comum pelos pais até certo ponto, mas qual é o limite? Vamos sim defender nossos filhos, mas há limites que não podem ser ultrapassados.

Somando-se a isso à demissão dos dois ministros e à fritura do “Posto Ipiranga”, podemos concluir que o Presidente deu mesmo um tiro no pé.

As reações da mídia e dos militares dentro e fora do governo não foram de satisfação com a saída de Moro. Ao contrário, obviamente.

A mensagem subliminar que fica, para mim, após estas demissões é que a PF pode investigar quem quiser, desde que seja na direção que o presidente quiser. Não acredito nisso, mas… A gente espera que isso não seja verdade.

Mas uma coisa está certa: o povo ainda acredita em Sergio Moro… Lavajatismo sim!!!

Continuo acreditando na honestidade do Presidente e no seu projeto de governo, mas também continuo a acreditar no ex-ministro Sergio Moro… Na política todos têm rabos compridos… não, não estou em cima do muro, continuo a acreditar nos dois, infelizmente agora separados, mas continuo torcendo para o governo de Bolsonaro dar certo e para que Moro possa vir a ser indicado para o STF. Se irá ser indicado ou não, impossível saber… mas melhoraria em muito o nível do STF.

Obrigado, Sergio Moro pelo seu trabalho em favor do país, tanto enquanto Juiz, quanto como Ministro. Se seu projeto de segurança tivesse sido aprovado, a História contaria outra reações…

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