O que comemorar e o que lamentar

Foto: Arquivo Google – BBC.com

O sequestro na ponte nos deixou lições positivas, como o exemplo que o governador Witzel deu ao permitir que os policiais agissem sem sua interferência. Eles puderam demonstrar, dessa forma, todo o seu conhecimento e competência. Outro fator importante se refere à necessidade de se investir mais e melhor na formação de todos aqueles que trabalham na proteção à população. Quanto mais preparados e bem remunerados, mais soluções adequadas serão encontradas.
Um refém declarou que foi um desfecho trágico para o sequestrador e para a família dele, pois uma morte é sempre algo a ser lamentado. Que declaração sensível e sensata de uma pessoa que tinha motivos para comemorar a morte do sequestrador. É bom ver que ainda existem pessoas com sensibilidade para olhar para os fatos também pelo lado do outro. O que ocorreu na ponte não é para ser comemorado. É mais uma terrível constatação de que vivemos em um lugar onde todos somos reféns da violência.
Com a habilidade e a competência dos policiais, foi possível salvar a vida dos 39 reféns. Por outro lado, causou-me uma certa indignação ver a euforia do governador do estado, como se estivesse comemorando um gol, esquecendo que estava à frente de mais uma tragédia vivida pelos cariocas no seu dia a dia. O episódio não tinha nada de engraçado. Não era hora para se autopromover.
No entanto, não creio que ele estivesse comemorando a morte do “bandido”. É preciso entender que o que se comemorou foi o salvamento dos reféns, que passaram várias horas ameaçados pelo sequestrador. Mal a ação terminou e já havia os incorrigíveis oportunistas tentando transformar o sniper em vilão. Parabéns a todos que participaram do triste evento e que observaram rigorosamente os protocolos, conseguindo salvar 39 pessoas.
Temos mesmo que comemorar a libertação incólume de todos os reféns numa operação exemplar de nossa polícia, que demonstrou alto preparo para este tipo de situação. Demonstraram que aprenderam muito com o triste episódio do ônibus 174, no Jardim Botânico.
É preciso entender, a meu ver, que ninguém comemorou a morte do sequestrador que manteve os reféns sob ameaça durante mais de três horas e recusou-se a se entregar e sim o desfecho para as 39 pessoas inocentes que estavam no ônibus.
Ficamos assim então. Comemora-se um fato e lamenta-se outro… ambos os lados de uma mesma situação…

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