Futebol em tempos de pandemia

Sou um apaixonado por futebol. Hoje nem tanto quanto antes, mas ainda gosto de assistir a bons jogos – Espanha, Inglaterra e Alemanha no exterior, e no Brasil, só mesmo aos clássicos e, em especial os do meu Botafogo.

Não sei vocês lembram, mas o Botafogo era um time de futebol que “existia” aqui no Rio de Janeiro há muitos anos e que, até hoje, foi o time que mais cedeu jogadores à Seleção Brasileira, quando esta ainda era, sem dúvida a melhor do mundo. Faz tempo isso…

Em pé: Paulistinha, Manga, Nadir, Nilton Santos, Airton e Rildo;
agachados: Garrincha, Edson, Quarentinha, Amarildo e Zagallo. Ainda tinha o Didi que neste dia não jogou por estar contundido.
Foto: Google – Imortais do Futebol

Bem, esta introdução é apenas para posicionar meu assunto de hoje: futebol em tempos de pandemia. O que tem a ver um com o outro?

Em tempos de isolamento social, de #fiqueemcasa e de hábitos de higiene mais rígidos devido à pandemia, que hoje conta mais de 1.200.000 casos confirmados e mais de 54mil mortes, isto, evidentemente sem contar as subnotificações, com o comércio “não essencial” fechado, ou, em alguns lugares, em fase de flexibilização, este é um quadro que nos permite discutir QUANDO reiniciarmos os campeonatos de futebol?

Temos pessoas morrendo, comércios fechados que jamais reabrirão, o desemprego em números estratosféricos. Hospitais quase lotados, falta de pessoal, recursos, etc…

Só pra termos uma ideia, no Rio de Janeiro, já fecharam definitivamente mais de 150 restaurantes, inclusive alguns tradicionais como o Mosteiro e o Navegantes, só pra citar dois no Rio. Em Sampa, o La Frontera, além de outros, fechou. Só a Rede de Churrascaria Fogo no Chão, demitiu cerca de 470 funcionários…

Quando fechamos um restaurante, afetamos direta, mas não somente, os empregados que perdem seus empregos (garçons, auxiliares, copeiros, pessoal de cozinha, limpeza, recepção, caixa, segurança e por aí), sem citarmos os indiretos que são os fornecedores.

Neste quadro, alguns insistem em liberar a volta do futebol? Alguns países da Europa – Alemanha foi o primeiro, seguida pela Inglaterra e agora Espanha – e o Brasil.

Na 4a feira passada, o Flamengo jogou contra o Bangu no Maracanã (jogo importantíssimo e inadiável???), exatamente ao lado de um Hospital de Campanha onde, durante o jogo, morreram 2 pessoas. Algo de estranho não? É óbvio que eles não morreram por causa do futebol. Quero apenas mostrar o paradoxo.

Nossos governantes deram uma prova inequívoca de toda a sua insensibilidade diante da maior crise sanitária em cem anos.

Não fizemos e não estamos fazendo testes em massa na população, parte por falta de testes eficicazes, parte por diretiva diversa do Ministério da Saúde que só testa quem apresenta casos graves, além do pessoal da saúde.

Impuseram aos clubes um protocolo rigoroso de testagem de seus atletas e familiares, a cada semana. Túneis de desinfecção, que ainda não tiveram sua eficácia comprovada. Jogos sem público, sem animação, enfim, sem graça… no Rio, por exemplo, para concluir um absurdo campeonato, onde os times grandes jogaram com seus times reservas ou mais do que mistos.

Por que não impuseram ao comércio, que dá empregos e mantém outros negócios em funcionamento, protocolos de funcionamento compatíveis com os que eles consideraram “ótimo” para o futebol?

Querem outro absurdo? Os salões de beleza, cabeleireiros e barbeiros de shoppings podem funcionar, os de rua não. Onde certamente há maior chance de aglomeração?

Bem, chega, acho que já mostrei meu ponto de vista… não quis escrever sobre política hoje. Estou realmente indignado com a importância que se deu à volta do futebol e não ao comércio e demais atividades geradoras e mantenedoras de empregos… até as Olimpíadas foram adiadas e corremos o risco de adiar as eleições municipais, mas o futebol tem que continuar, é isso?

Futebol não é atividade essencial. Outras áreas valem a vida financeira de donos e empregados, deveriam ser, no momento, muito mais importantes.

Como eu disse, eu adoro futebol, mas pra mim é lazer, diversão… Espero que ninguém venha me dizer que futebol é negócio… é claro que é, e sério, mas há níveis de importância para a vida e sobrevivência da população…

Futebol é lazer para a população!!!

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