Enio foi-se: uma saudade, uma perda e uma mentira

O publicitário, escritor, jornalista e tudo mais que sirva para qualificá-lo nos deixou neste sábado (8), aos 85 anos.

Foto do perfil dele no Boletim. Escolhida por ele mesmo por ter sido clicada
por uma grande amiga, da qual agora não me recordo o nome.

Ao contrário do que muitos estão afirmando, Enio NÃO MORREU DE COVID-19. Ele tinha sérias complicações pulmonares e cardíacas que o obrigavam a ser internado 2 a 3 vezes por ano para tomar antibióticos intravenosos e superar as crises. E sempre conseguia, mas desta vez, ele sabia que, aos 85 anos, isso não seria fácil e que ele não duraria pra sempre. Infelizmente pra nós.

Enio é considerado um dos maiores publicitários do Brasil. Foi dele a criação de slogans inesquecíveis. Por exemplo, aquele da Tostines: “Vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”.

Um apaixonado

Enio tinha um carinho muito especial pelos netos, mas Tito (com paralisia cerebral), era aquele algo mais. Tito foi passar algum tempo com Enio para alegrar ainda mais o dia a dia dele e de Tereza, sua mulher, mas neste último ano, por motivos que não cabem neste momento, isso não aconteceu. Este neto, tão amado, dizia ao avô que ele era o “parente de quem ele mais gostava”…

No vídeo estão os dois – e dá pra ver a espetacular interação entre eles. Enio lê um “poema”, escrito pelo neto para ele. Assistam e se emocionem…

https://web.facebook.com/enio.mainardi/videos/2223328934381267/

Eu acompanha o Enio, seja nas redes sociais, em seus trabalhos, livros que escreveu, nas inúmeras crônicas, algumas divertidíssimas, outras ácidas e outras, como ele mesmo dizia, “muito ruins, mas que já estavam escritas, então deixa”.

Outra passagem interessante foi quando o Facebook retirou do ar 196 páginas e bloqueou algumas contas pessoais, então vinculadas ao MBL e ele perdeu a sua página (fanpage) “A Reunião”. Neste dia, em seu perfil pessoal, ele escreveu:

“No meu colégio católico se eu fizesse alguma pergunta difícil sobre religião… o padre me olhava, severo e, suspense… Me expulsava da sala.
Era que nem no filme Spartacus, com o gladiador no chão esperando o imperador levantar o polegar, garantindo que não seria executado. Ou, polegar para baixo significando uma sentença de morte. Expulso ou não, depende. Hoje de manhã me senti assim, com uma espada no pescoço – e o imperador fez o gesto de polegar para baixo, mandando me matar. Estou falando do “Imperador-Facebook”, que hoje decidiu liquidar milhares de gladiadores como eu, que usavam o aplicativo para se comunicar mutuamente. Primeiro mataram o Luciano Ayan e o seu site Ceticismo Político”.
E seguiu:
“(…)  Me ocorre uma comparação trágica com o que está acontecendo: o Facebook fez igual aos nazistas naquele famoso massacre da Noite dos Cristais, em Berlin, onde os judeus foram atacados, arrancados de suas casas e assassinados, suas lojas destruídas e as sinagogas incendiadas”.

Vasculhando o Twitter de Enio, dá pra ver algumas das últimas preciosidades simples como ele, mas que acho legal guardar para lembrarmos delas:

A mais recente:

“A maioria dos pais que dá apoio ao tal Felipe Neto, cresceu assistindo a babá eletrônica da época, ou seja, o Show da Xuxa. Outros preferiam a Tiazinha com o chicotinho na mão e o narigudo atrás. Deu na merda que estamos vendo”.

Nesta outra, ele parafraseia seu próprio slogan de maior sucesso: “O STF censura porque é de esquerda ou é de esquerda porque censura”?

Já nesta outra, simples assim: “Assistir a atuação do STF e não poder fazer nada, é como aplaudir o carrasco enquanto ele afia o machado para cortar a sua cabeça”.

Uma historinha que ele contava:

“Li a história de um rei da Antiguidade, que aí surpreender o juiz da Corte praticando corrupção,decidiu executá-lo. Depois mandou arrancar a pele do juiz corrupto, secou-a e forrou a cadeira daquele juiz ladrão com ela. E nomeou o filho do juiz para sucedê-lo, obrigando-o a administrar a justiça sentado naquele “trono da infâmia”.
O rei sabia muito bem que a ideia da corrupção jamais passaria pela cabeça do novo juiz. Talvez essa lei servisse aqui. Poderíamos experimentar. O problema seria a quantidade de cadeiras a serem estofadas”.

E a última, para encerrar esta pequena coletânea:

“PSOL. Ah… o PSOL Só serve pra provar que tem coisa ainda pior que o PT”.

Ficar aqui coletando coisas do Enio é como escrever As Mil e Uma Noites.

Minha última lembrança dele, nossa última conversa:

Enio mostrou-me, mais uma vez, o ser humano espetacular que era.

Ele escrevera um texto no Facebook, onde vários termos estavam sem a devida concordância e outros escritos em desacordo com a nova ortografia. Entrei em contato com ele, pedi milhões de desculpas e perguntei se podia corrigir o texto para poder publicá-lo no O Boletim. Vejam a resposta que ele me deu:

“Porra, amigo Valter, eu tô velho, escrevo como sempre escrevi, se estes caras mudaram agora a ortografia eles que se fodam… você pode alterar o que você achar que deve, pra mim é até melhor, porque depois você me manda que eu copio e colo o texto com suas correções… afinal você é o editor deste canal que publica meus textos. Faça seu trabalho. Tá mais que autorizado, ok? Abraços, obrigado e parabéns pela sua ética. Precisamos de mais gente assim”!

O que dizer mais sobre o Ênio? Ele, um gênio. O que senti com tamanha humildade de um gênio?

Difícil descrever sem me emocionar e me orgulhar…

Obrigado, Enio…

Infelizmente o tivemos por pouco tempo no Boletim. Sua estreia foi em 20/11/2019 com o texto “Futurologices” (http://oboletim.com.br/enio-mainardi/enio-mainardi/futurologices/).

Ele fala de Churchill, Hitler e os coloca junto num mesmo patamar ao relacionar a atuação do Primeiro Ministro do Reino Unido e de Hitler, nos tempos atuais com Lula, FHC et caterva… leiam especialmente este trecho:

“A Grande Guerra me traz para algumas menores, em nossa vizinhança. Lula é uma excrescência de quem se pode sempre esperar o pior. Evo, Maduro, Fidel, Che, esses personagens óbvios, tocados por uma morbidez mental indefinível.
E além desses, os loucos não declarados, os políticos incansáveis em seu saque, que roubam não mais por necessidade – mas por alguma distorção psíquica. Algum pecado original. O homem odeia seu igual, mais do que o ama. Para esses inimigos, só a força das armas é o que vale.
Vejo uma guerra civil em nosso futuro, um arremedo do que está acontecendo agora na Venezuela. Temos que nos preparar, estamos tentando nos enganar imaginando que não vai ser assim, que tudo vai-se resolver na paz.
Maus, os outros, contra os nossos maus. Sem falsos heroísmos. Sabemos – mas não queremos saber – que o comunismo cubano-nazista-corruptor precisa ser liquidado, fisicamente, com ou sem a Lei do Desarmamento.
E gente do Foro de São Paulo como o FHC e tantos outros, que sejam separados da vida pública e asilados em algum nosocômio para fantasistas e doentes sociais”.

Vá em paz, Enio, certo que você deixou um legado para todos os brasileiros.

Aproveite-se desta herança quem quiser.

Há quem queira ser mais e aprender com os mestres. Os outros? Que continuem como um nada.

N.E.: com auxílio luxuoso da amiga Junia Turra.

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