Sobre a manifestação de domingo

Foto: Arquivo Google – Terra

A lição que ficou das ruas: lucidez e respeito aos valores democráticos são sempre o melhor caminho. Uma manifestação ostensiva contra as velhas práticas na política e um belo movimento de apoio à reforma da Previdência e ao pacote anticrime do ministro Sergio Moro.
Os principais alvos dos manifestantes foram o bloco parlamentar chamado Centrão – a quem acusam de “achacar” o Planalto – e o Supremo Tribunal Federal.
Exemplo de cidadania, ordem e respeito: manifestantes do domingo Verde e Amarelo por todo o país, de forma pacífica. São Paulo, cidade que liderou as manifestações pelo Brasil com o maior público, teve agradecimento à proteção da Polícia Militar, cumprimentando, em fila, os soldados que viam pela frente. Imagens do ato cívico nas redes sociais são confortantes. 
Conversando com amigos que foram à manifestação aqui no Rio, eles me disseram que nada era de graça. As camisetas e as bandeiras do Brasil eram vendidas, baratas, mas vendidas. Além do mais, quem foi, o fez por seus próprios meios, usando ou não transporte público. Nada de ônibus fretados pagos com dinheiro de sindicatos, ou melhor, dos trabalhadores via imposto sindical. Para finalizar, foi uma manifestação num lindo domingo de sol e não em dia útil. Muitos perderam a praia, mas não o trabalho na segunda-feira.
O ministro Marco Aurélio Mello – ele, sempre ele – disse que estamos vivendo tempos estranhos ao se referir às manifestações do domingo. Mais uma vez um togado da Suprema Corte demonstra estar alheio aos anseios da sociedade. Tempos estranhos é o de um país que tem milhões de desempregados passando fome e vendo o STF comprar lagostas e vinhos raros para o cardápio. Saiam da ilha da fantasia.
A verdade é que a grande maioria de nossos congressistas é incapaz de entender as funções para as quais foi eleita, e tal incapacidade de entendimento deve-se ao fato de que os nossos representantes simplesmente não nos representam, pois visam apenas e tão somente a seus próprios interesses e aos interesses corporativos que financiaram suas eleições, ignorando por completo as necessidades do país. O recado dado pelos eleitores, e reiterados nas manifestações de domingo, foi claro. Aqueles que se recusam a entender, certamente, não serão reeleitos.

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