Se não der certo, a gente tenta de novo…

Um dos maiores comunicadores do Brasil, o saudoso Chacrinha, foi muito feliz ao modernizar a “Lei de Lavoisier” quando cunhou sua célebre frase “na TV nada se cria, tudo se copia”.

Certamente estaria se divertindo ao perceber a extensão que sua máxima atingiu nos epidêmicos dias de hoje: chegou ao mundo dos vinhos.

Talvez aproveitando a patuscada de um de nossos questionáveis Ministros de Estado, quando sugeriu que se aproveitasse o momento para “passar a boiada”, alguns gananciosos e pouco brilhantes dirigentes de entidades reguladoras da produção vinícola nacional, resolveram ir por este caminho ao tentarem ressuscitar a tentativa de impor (que tal?) salvaguardas ao vinho nacional, limitando a importação de produtos estrangeiros.

Nem ao menos foram originais.

Em 2012, um outro grupo, que provavelmente ainda tem alguns representantes neste bloco atual, tentou, sem sucesso, esta mesmíssima manobra.

Vários subtítulos poderiam ser aplicados a esta coluna:

– Memória curta…

– Tem gente que nunca aprende.

– Já vimos este filme!

Vamos aos fatos:

Deunir Argenta (já sabem qual é a vinícola?), Presidente da UVIBRA (União Brasileira de Vitivinicultura), enviou ofício ao Ministério da Economia, endossado por duas outras entidades a AGAVI (Associação Gaúcha de Vinicultores) e a FECOVINHO (Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul), solicitando diversas medidas de cunho protecionista para o vinho nacional, entre elas, duas mal disfarçadas cláusulas de salvaguardas:

– Criação de um mecanismo de controle de importações, mediante aprovação prévia das licenças de importação, como forma de criar barreiras não tarifárias para o ingresso de vinhos importados (vinhos e espumantes) por, pelo menos, 5 anos.

– Proibir o ingresso de vinhos e espumantes que não atendam os estritos termos da Lei brasileira de vinhos no que tange aos Padrões e Identidade e Qualidade estabelecidos. Veja-se a possibilidade legal existente para vinhos chilenos na sua legislação interna, que permite o uso de água, os quais transitam no Brasil, onde a prática é proibida.

A reação negativa foi imediata, seguida de uma patética tentativa de desmentir o que foi solicitado, acreditando no que hoje se tornou a prática comum, impor (olha ele de novo aí gente!) uma possível falta de entendimento.

As explicações do Sr. Argenta não convenceram nem a ele mesmo.

Uma atitude simplesmente covarde, em todos os sentidos.

O consumidor brasileiro de vinhos não é ignorante e nem inculto. Percebeu rapidamente a nefasta manobra e se manifestou disposto a um novo boicote, nos mesmo moldes do que foi, objetivamente, feito em 2012.

Logo agora que, por conta do voluntário isolamento social, o enófilo mais atento redescobriu os bons vinhos brasileiros. O consumo aumentou de modo muito satisfatório, o que estimulou algumas empresas a aumentarem a oferta de vinhos de boutique, brasileiros, que são difíceis de serem encontrados nos lojas e mercados.

Nosso especial aplauso para a Evino que está com ótimas promoções para os vinhos das vinícolas Don Giovanni, Bertolini e Cainelli. Se não conhecem, se apressem, os lotes são pequenos e os vinhos excelentes.

Para os demais, a ganância falou mais alto. Em lugar de lutar por redução de impostos e taxas, como já fora sugerido anteriormente, preferem continuar com a velha escola de “vamos aumentar tudo e proibir o resto”.

Isto não é nem democrático e nem republicano!

O boicote é a nossa arma e tem se mostrado muito efetiva nestes tempos de pandemia e de descontrole geral da nação: a destrambelhada proposta de um bilionário empresário de assumir uma função no Ministério da Saúde foi logo derrubada na primeira menção de boicotar a suas organizações que incluíam lojas de produtos naturais, cursos de idiomas, material esportivo e redes de fast food.

Mudou de ideia rapidinho…

Para encerrar a conversa:

– Assim como na tentativa anterior, a Salton rapidamente se pronunciou contra esta atitude da UVIBRA. Palmas para ela;

– Adolfo Lona e Luiz Henrique Zanini (Era dos Ventos) fizeram coro com a Salton. Recebem nossa total admiração;

– Uma tremenda vaia para os Argenta! Nunca fui muito fã de seus vinhos. Estes, nunca mais…

“Tem gente que aprende na primeira, tem gente que aprende na segunda. Mas parece que tem gente que não aprende nunca”.

Boicote nestes!

Saúde e bons vinhos brasileiros. Isto basta!

Matéria publicada em 2012: Enófilos unidos jamais serão vencidos

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