O Mundo do Vinho não será mais o mesmo…

Foto de Ion Ceban @ionelceban para Pexels

Os produtores de bebidas alcoólicas, vinícolas inclusive, já enfrentaram várias mudanças de paradigmas: Lei Seca, guerras, filoxera, epidemias diversas. Cada uma afetou o modo como seus negócios eram conduzidos. Quem se adaptou, sobreviveu.

Com relação ao mundo do vinho, uma das mais recentes mudanças se deu por conta do famoso Julgamento de Paris, uma degustação comparativa entre vinhos do novo e velho mundo, realizada em maio de 1976.

Lá se vão 44 anos e os vinhos nunca mais foram os mesmos. Novos sabores, aromas, rótulos, métodos de plantio e de vinificação, onde a madeira se tornaria uma protagonista.

Mudou também a forma como se comercializavam os vinhos e, sobretudo, o entendimento dos consumidores sobre essa preciosa bebida.

Neste momento, no início do ano de 2020, já estamos vislumbrando um novo paradigma para os produtores de uva e vinho, com um cenário de mudanças significativas.

Dois retratos bem distintos são possíveis hoje, um do hemisfério norte e outro do hemisfério sul.

Acima do Equador, o principal aspecto é o súbito encerramento das atividades de Enoturismo. A colheita já foi concluída e a vinificação ocorre com mão de obra reduzida. Os produtores rezam para que nada falhe, pois conseguir reparos, peças de reposição e técnicos especializados será uma tarefa quase impossível.

Rotinas como engarrafar, manejar vinhos em barricas ou fazer a remuage dos espumantes podem ficar em segundo plano.

Muitos já pensam em ceder parte de seus estoques, principalmente de vinhos menos importantes, para serem destilados e transformados em antissépticos.

Não é um cenário apocalíptico, mas alguns produtores talvez encerrem suas atividades e as grandes vinícolas podem absorver as pequenas.

Do lado de baixo do Equador a situação é, inegavelmente, mais dramática: a colheita ainda não terminou…

Além de todas as limitações listadas acima, os produtores terão que decidir sobre o que, e como, colher, isto se conseguirem a mão de obra necessária, sempre nômade e mais escassa a cada ano, sem falar nas restrições de locomoção impostas por cada país.

Fenômenos climáticos como geadas, neve, chuvas torrenciais podem agravar a situação.

O grande ponto em comum, com os dois hemisférios, está na forma como os vinhos serão comercializados daqui para a frente: o e-commerce será a bola da vez.

Vendas on line já existem e não são novidade. O sucesso dos clubes de vinho talvez sejam a melhor prova disto.

O que sofrerá uma grande alteração será o modelo tripartite adotado atualmente: produtor, distribuidor e vendedor. Em alguns países é obrigatório, o que reflete no preço de venda ao consumidor.

Isto tende a acabar.

As vinícolas que se adequarem para a venda direta ao consumidor final podem obter bons resultados se adotarem padrões operacionais já consagrados. Mas não é um investimento de retorno rápido.

A segunda opção seria através de “Market Places”, como Amazon, Ali Baba, Americanas, entre muitos outros, mas com reflexos na sua margem de lucro.

Parece que as lojas físicas estão a caminho da extinção. Precisam ser repensadas. Para sobreviverem, terão que agregar algum outro valor a este tipo de comércio: wine bar; delivery rápido; cursos e forte presença on-line.

Ninguém duvida, também, que vencida a pandemia, passaremos por um outro difícil período, desta vez das “vacas magras”.

Os tipos de vinhos que serão comercializados deverão refletir este período.

O que podemos esperar?

Esqueçam vinhos caros e de longa guarda, não é o momento de investir neles e, certamente, não é este o tipo de produto que vai ajudar as vinícolas a sobreviver.

Imagino que a próxima geração de vinhos será do tipo jovem, fácil de beber, com ótima relação custo x benefício. Talvez mudem as embalagens, aposentando as garrafas de 750ml. Um novo padrão poderá ser adotado, com benefícios para todos.

Dentro deste mesmo raciocínio, rolhas de cortiça passarão a ser a exceção e não a regra.

Há muito o que pensar e avaliar.

Até lá, saúde e bons vinhos!

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