Iniciando no mundo dos vinhos

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Um dos efeitos colaterais desta pandemia é a procura por novos assuntos para preencher o inesperado vazio dos dias de isolamento social. Vinho, panificação e cozinhar em casa estão no topo da lista.

Consequência direta, tenho sido consultado por inúmeros leigos pedindo ajuda para, pelo menos, saber comprar um vinho decente.

Existe uma lenda, cheia de mistérios, dando a impressão que precisamos ler uma enciclopédia ante de consumir um vinho, ou que nosso paladar e olfato precisariam ser corretamente educados para, só então, entender o que é apreciar um bom vinho.

Vamos desmitificar alguns destes fatos.

O primeiro deles é deixar bem claro que há uma enorme diferença entre conhecer sobre vinhos e degustar um vinho numa refeição, por exemplo.

Quem realmente deseja aproveitar as boas coisas que uma garrafa de vinho pode oferecer só precisa dominar uns poucos aspectos. O primeiro e mais importante é conhecer os tipos de vinhos.

São três cores apenas: tintos, brancos e rosados.

Os tintos, tidos por muitos como os verdadeiros vinhos, tem esta cor por serem elaborados junto com as cascas das uvas viníferas. Sem a presença delas, vamos obter um vinho branco conhecido como “blanc de noirs” ou branco de uvas tintas.

Vinhos brancos são elaborados com o suco das uvas brancas. As cascas não entram no processo.

Os vinhos rosados, visto por alguns como uma aberração, têm diferentes processos de elaboração. Os melhores são os obtidos a partir das uvas tintas num processo, digamos, mais curto.

Pronto, vocês já foram aprovados no 1º nível de conhecimento. Doeu menos do que a futura vacina…

O segundo ponto a ser compreendido são os estilos de vinhos. Também não são muitos: seco, doce, tranquilo, espumante e fortificado.

Dependendo da legislação de cada país produtor, podem surgir nuances entre os estilos seco e doce. A mais comum se chama “demi-sec”, ou meio seco.

Nível 2 completo. Vamos passar a parte prática.

As diferentes escolas de vinhos sugerem distintos passos iniciais, passando de um doce até um encorpado e seco tinto ou, justamente, o oposto disto.

Há uma razoável explicação: vinhos doces são muito fáceis de beber e o iniciante seria “cooptado” facilmente. Por outro lado, não é nada fácil apreciar um vinho seco depois de um adocicado.

Existem vinhos tintos fáceis de degustar e perfeitos para os neófitos. Dois deles são muito famosos, os vinhos elaborados a partir da casta Merlot e os da casta Dolcetto.

São chamados de vinhos varietais ou de um só tipo de casta. Uma vinificação feita com duas ou mais uvas é chamado de “corte”. Em outros idiomas vamos encontrar as expressões “assemblage” ou “blend”.

Muito importante é estabelecer um teto de gastos. Vinhos podem ser muito caros e nem sempre valem o que se paga. Fixe um valor, por garrafa, e se aventure pelas prateleiras de um mercado ou loja especializada.

Compre, prove e prove novamente. Tente combinar com algum alimento e veja se lhe agradou ou não. Esta é a “chave” para abrir todas as portas do mundo do vinho – o seu paladar.

Não agradou, mude a uva, de produtor e até mude de loja. Não gostou de nenhum tinto, mude para brancos ou rosados.

Não confie na sua memória: anote todas as suas experiências. Vai ajudar muito no futuro.

Espumantes são uma categoria muito especial, quase sempre abertos em ocasiões muito especiais. Mas existem aqueles que só os consomem. Não há nada de errado nisto. Só um lembrete: a denominação “Brut” corresponde ao “seco” nos demais vinhos tranquilos. Antes que vocês perguntem, sim, existem espumantes doces e meio doces, tintos e rosados.

Vinhos fortificados são uma categoria particular. Poderiam ser incluídos entre os vinhos doces ou de sobremesa. O melhor exemplo é o Vinho do Porto. Durante o seu processo de elaboração, recebe uma adição de aguardente vínica. Disto resulta a denominação “fortificado”.

O último nível desta iniciação vai recair sobre os famosos aromas, as temidas harmonizações e o serviço do vinho.

Tudo no seu tempo.

Sentir os aromas dos alimentos que consumimos é um ato normal no nosso dia a dia. Sentir os aromas do vinho, então, é algo esperado. Não se preocupem em identificá-los, apenas aprecie o que for agradável ao seu olfato ou recuse algo que, literalmente, não cheira bem.

Para harmonizar, aquela velha regrinha de associar a cor dos alimentos com a cor do vinho é um ótimo ponto de partida. Mas é preciso deixar claro que nenhum vinho é produzido para combinar com este ou aquele prato. Quem se preocupa com isto são os Chefs de cozinha e não os vinhateiros.

Se caiu no seu gosto a combinação de um belo pedaço de carne mal passado e sangrento com um vinho branco bem geladinho, vá em frente. Não existe nenhuma regra dizendo que não pode.

Por fim, algumas dicas para tornar esta experiência mais saborosa:

– Sirva o vinho em taças apropriadas. Não precisam ser de cristal, mas que tenham uma haste.

– Temperatura de serviço é quase um tabu para alguns. Fazem questão de medir tudo com termômetros aferidos e cheios de tecnologia. Não se assustem e sigam esta regrinha dentro do possível: dias frios, vinhos tintos na temperatura ambiente; dias quentes, brancos ou rosados, gelados, mas não congelados. Ficam sem sabor. Adapte quando for necessário.

Dúvidas?

“Cartas para a redação” …

Saúde e bons vinhos!

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