Existe um vinho perfeito?

Provavelmente não.

Atingir a chamada perfeição é quase uma obsessão, buscada por atletas, artistas, empreendedores e até produtores de vinho, numa eterna tentativa de ser o melhor entre melhores ou, pelo menos, ser mais facilmente reconhecido.

Realizando uma pesquisa simples, na Internet, vamos encontrar uma série de citações por pessoas famosas que têm um elo incomum: é uma busca inútil, sempre vão aparecer defeitos a serem julgados por alguém.

No mundo atual a melhor definição de perfeição seria algo como “possui defeitos, imperceptíveis para os outros”.

Relativizamos a perfeição…

Sendo assim, o possível vinho perfeito seria aquele que apresentaria o menor número de defeitos, o que levanta outras questões:

– Que defeitos seriam estes?

– Quem julga se eles estão presentes, ou não, no vinho?

– Como o consumidor final é informado destes fatos?

Nenhuma destas perguntas tem uma resposta simples e direta.

Vamos examinar o ponto de vista do produtor: será que ele colocaria, conscientemente, um vinho defeituoso no mercado?

Vinhos não são produzidos a partir de uma “receita de bolo”. A cada safra há pequenas variações na qualidade das uvas, implicando em ajustes constantes na adega.

O processo é todo monitorado e as correções que se façam necessárias são aplicadas, sem maiores problemas. Depois de prontos, os vinhos ficam um período em estágio de maturação, sendo colocados no mercado somente depois de um OK da equipe de enologia.

O que nos leva a uma única conclusão: dentro dos parâmetros estabelecidos pelo produtor, seu vinho está perfeito.

A próxima etapa será definida por críticos e profissionais especializados, que tem como missão influenciar o consumidor final.

Uma forte dose de subjetividade vai reger esta fase.

Dentro deste ‘saco’, vamos encontrar os diversos sistemas de pontuação, os grandes críticos de ontem e hoje, as publicações especializadas, blogs, sites, etc…

Cada um vai ter uma opinião diversa sobre um mesmo vinho.

Há um consenso sobre as opiniões de críticos como Parker, Robinson, Johnson e outros: nenhum deles representa um gosto universal. Suas avaliações são melhor interpretadas se olharmos regionalmente.

Nossa memória gustativa decorre da forma como fomos alimentados desde criança. Na vida adulta isto será a eterna referência do que nos é agradável ou não.

Ninguém tem dúvidas de que podemos utilizar as opiniões de qualquer um deles a nosso favor, mas ajustes são necessários. O melhor caminho é provar e comparar: estes 100 pts Parker realmente me agradam ou estou apenas sendo levado pelo marketing quase perfeito?

Neste ponto, encontramos algumas respostas para a terceira interrogação mencionada anteriormente. Mas não é tudo.

Há muita coisa para nos fazer pensar, por exemplo:

– Um vinho caro é sempre bom? (ou seja, preço é um parâmetro confiável?);

– Analogamente, um vinho barato é ruim?

– Qual o meu verdadeiro perfil com relação ao vinho?

Aqui podemos desdobrar:

– Prefiro, tinto, branco, rosado ou espumantes;

– Vinhos tânicos e encorpados ou suaves e macios?

– Alguma casta se destaca em relação a outras?

– E as regiões produtoras, alguma em especial?

Se conseguirmos formar um perfil, pessoal, com a ajuda destas ideias, já estaremos bem perto de descobrir o nosso vinho perfeito.

Não importa se ele não for o mesmo de seus amigos.

O mais provável é que cada um de nós tenha descoberto a sua própria definição de vinho perfeito.

Saúde e bons vinhos!

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