É duro ser um wine writer

Se vocês pensam que a epidemia de notícias falsas fica restrita ao campo das campanhas políticas e das difamações de celebridades, podem ir refazendo os seus conceitos: elas também infestam o mundo do vinho, infelizmente.

No texto do dia 30/08/2018, Mitos Revisitados, fiz a seguinte afirmação sobre o tema vinho e saúde:

“Esta coluna vai se “abster” de publicar qualquer outra nota sobre este tema. Não há mais como verificar o que é bom ou ruim”.

Mantemos nossa posição, mas é necessário que se abra uma exceção, até para validar a regra geral.

Recentemente, foi manchete em várias publicações importantes no cenário do mundo do vinho a seguinte notícia:

“Beber vinho é tão prejudicial quanto fumar”.

Chegaram a informar ao distinto público que consumir uma garrafa de vinho equivaleria a fumar 10 cigarros.

Fake news, bullshit, cascata, caô, ou qualquer outro adjetivo, com o mesmo significado, cabe aqui perfeitamente.

Para ser justo, as balelas não vão somente contra os enófilos, mas a favor também, como a recontada lorota que afirma que o consumo regular de vinho seria melhor que praticar exercícios físicos e prolongaria a vida além dos 90 anos… (o relatório existe, mas a conclusão é diametralmente oposta)

Junte-se tudo isto com uma imprensa que tem por princípios vender suas publicações e os relatórios de pesquisas científicas, altamente técnicos e enfadonhos, e o resultado acaba sendo desastroso.

Sem entrar nos detalhes das pesquisas, estas manchetes só seriam reais dentro de um cenário que contemplasse uma série de condições sucessivas, praticamente impossíveis de acontecer, mas obrigatórias de serem pensadas dentro dos cânones de um artigo científico.

Do ponto de vista da imprensa, há uma falta de sensibilidade gritante. A maioria dos autores não mais se dá conta da influência de suas notas ‘on line’ e nem da velocidade com que são distribuídas. Este é o terreno fértil para as Fake News, sobre qualquer assunto.

Assim, elegemos políticos despreparados, alteramos hábitos alimentares saudáveis por outros incertos, deixamos de assistir ou ler determinadas mídias, direcionamos o nosso amor ou ódio para pessoas absolutamente insignificantes e endeusadas somente por conta um atributo físico e corremos o sério risco de não mais apreciarmos a nossa bebida favorita.

Os bons autores sobre vinho perdem sua credibilidade instantaneamente. Corrigir o estrago causado por uma notícia falsa pode levar muito tempo e, muitas vezes, a emenda fica pior que o soneto.

Pena.

Saúde e continuem bebendo bons vinhos!

Vinho da Semana: A Páscoa já está chegando e temos que pensar no tradicional almoço.

 


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