Vidas desperdiçadas

Estou lendo um livro que se chama Vidas Desperdiçadas – é um clássico que trata da sustentabilidade e do futuro.

Vou lendo e cada vez ficando mais impressionada: a principal característica do ser humano sobre a terra é a quantidade imensa que ele gera de… lixo!

Sou daquelas que seleciona o lixo reciclável. Se eu não achar um lixo para jogar um papelzinho que seja, deixo-o dentro da minha bolsa até achar uma lata de lixo. Claramente, isso não é nada diante dos japoneses que, quando saem de algum lugar, deixam tudo limpíssimo, de um estádio de futebol a um cinema onde estiveram se divertindo, comendo pipocas e bebendo refrigerante: tudo recolhido e levado para o local devido ou carregado até suas casas.

Sem dúvida, não somos assim tão regrados e civilizados – eles têm anos de disciplina e exemplos ao redor. Ainda assim não importa; todos nós, indistintamente, geramos grandes quantidades de lixo. Evidentemente, que quem tem mais dinheiro para consumir vai gerar mais lixo; mas, a priori, estará perdoado porque, se tem dinheiro, está produzindo e recebendo, faz parte da sociedade.

Impossível que você não tenha reparado que, depois de um final de semana com amigos, sem qualquer intenção crítica, a quantidade de lixo gerado por vocês!

O que o autor coloca nessas páginas é que os detritos de 5 bilhões de pessoas farão com que o mundo necessite de uma outra terra de “depósito”…

Pior ainda, ele coloca com muita clareza que existem vidas que já não servem agora, e que servirão ainda menos mais para frente, quando as automações forem a regra no mundo: essas criaturas serão descartáveis, tanto como o lixo que elas ou outros geram! É como se o mundo não reservasse qualquer lugar para essa gente, como se elas não valessem sequer aquilo que comem!

Essa exigência de ter determinados atributos lembra o hitlerismo, só que essas exigências, então, eram bem mais claras: ter o tipo ariano e ser inteligente e sadio. Não se tolerava qualquer tipo de imperfeição e estava claro qual era a regra do jogo.

Na sociedade do futuro, você terá que demonstrar habilidades físicas e, em especial, mentais. Sub empregos? Não mais existirão; ou seja, nada de mensagens repetitivas como o telemarketing (hoje, já estão tentando eliminar a voz e a presença humana na maior parte dessas ligações) gente que lava o chão, que costura, que faz testes…

Parece filme de terror, concordo. Mas, como ainda não terminei de ler, vou reservar novas conclusões para um próximo artigo ou crônica. Sou sincera em dizer que odeio essas coisas de ser obrigada a ver (no caso, ler) o próximo capítulo; mas, acho que estou perdoada considerando que nem mesmo eu conheço o final.

Por que escrevi, se eu sabia que não iria terminar hoje? Porque estava muito impressionada com o texto e queria dividir essa sensação! Caso você tenha muita curiosidade e não agüente esperar, pode comprar o livro – seu autor é Zygmunt Bauman – e discutir comigo caso tenhamos impressões diferentes.

Assim, entre mim e você, veremos quem seria “descartável” no novo mundo!

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