Vai para o trono ou não vai?


Falava-se de karaokê, de quem gostava de ir, quem se empolgava e, depois de um tempo, já se travestia de cantor, assumia sua personalidade e estava pronto para dar autógrafos e ter a roupa rasgada pelos fãs… Aliás, pensando nisso, tratou de por uma roupa de cores bem vivas e algum brilho.
Bonita, mas já era velha, se rasgasse não seria grave, quanto mais não fosse, pela alegria de ser reconhecido…
A criatura, fora de si, canta a plenos pulmões e interpreta a letra com uma mímica riquíssima, evitando olhar diretamente nos olhos de quem o conhece, fixando as demais criaturas que assistiam ao desempenho. É uma coisa que sempre me diverte; lembro de Abelardo Barbosa, o Chacrinha, que parecia sem noção, mas que, na verdade, era o mais “antenado” de todos.
Interessante como passa o tempo e a gente descobre que, o que tínhamos como esculacho, era quem entendia de tudo e levava seu programa a sério, ainda que não parecesse. Quantos ele promoveu, fez cantar, para quantos cavou uma gravadora… Hoje é tudo mais sofisticado e, nem por isso tão válido, tão importante.
E, do nada, fomos ao teatro no domingo, de supetão, sem grandes confabulações; li a sinopse numa crítica e me interessou, ainda que fosse um monólogo – que, cá pra nós, quando é ruim, é um porre, nem bem começa e seria maravilhoso se terminasse em dez minutos!
Esse teatro é um espetáculo em si mesmo e eu não o conhecia: o espaço para as pernas acomoda ambas sem espremer, com extremo conforto; a inclinação é perfeita e a colocação das cadeiras confortáveis não permite que quem esteja à frente impeça você de ver o palco.
Mas, estamos mais ou menos a salvo; a atriz era a Denise Fraga, que costuma brilhar. Então na hora aprazada, estávamos lá. Casa cheia, todos esperando o non plus ultra…
E foi exatamente isso que apareceu, a maravilha despojada que jamais poderíamos imaginar: só uma cadeira de mobiliário, paredes brancas, a atriz aplaudida de pé, quase ovacionada, por muitos minutos!
Programa genial, nenhuma frustração: ir para casa felizes!
Que bom só ter coisas boas a dizer…

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