Prazos de Validade


Se existe algo que sempre me intrigou são os assim chamados ”prazos de validade”!
Vivemos hoje numa sociedade em que o mais reles dos objetos “caduca”, de um sabonete, a uma geleia! E as novas gerações – e até as nem tão novas assim – são profundamente influenciadas por esses prazos. Você pode imaginar consumir inadvertidamente alguma coisa vencida? Que imensos riscos à saúde!… Será mesmo?
Falemos de alguns produtos: um iogurte, por exemplo, é leite azedo, mas, passando demais do prazo de validade poderá, de fato, ficar… mais azedo. Já o leite longa vida tem 6 meses de validade e,  a menos que você seja um representante das gerações mais novas e mais “antenadas” com isso – é provável que você não se dê conta e tome sem sentir nada, para descobrir que a validade dele estava vencida há 45 dias!
O vinagre, por exemplo, tem um ano e meio de validade. A etimologia da palavra deixa claro: “vinho” +“acre”, ou seja, vinho azedado. Então, fica claro que compramos e levamos para casa algo já azedo; não vai ficar pior… Ou será que existe um estágio de maior deterioração do que o de vinho azedado?…  Mas… e um pacote de sal? Ou de açúcar? É claro que você pretende consumi-los em seguida à compra. Mas, o pacote de sal, em especial se você morar sozinho, poderá durar… 3 anos e ele só tem validade para metade disso!
Melhor ainda: o azeite de oliva, que tem um prazo de 18 meses!  O que será que vai acontecer com ele depois dessa data?! Vamos imaginar que você descobre que o vidro de puro de azeite de oliva, que você ganhou de um amigo que o trouxe de Portugal e estava guardado em casa para uma ocasião especial, está vencido há um ano? Para o lixo, é claro!… Claro?!
Hoje, 1/3 de todo alimento produzido no mundo é desperdiçado, seja no transporte, nas prateleiras do supermercado ou em casa e isso pode ser evitado em todos os lugares.
Na contramão dessa mentalidade comprovadamente distorcida estão a Alemanha e o Canadá. Na Alemanha, onde 82 quilos (!!) de comida em perfeito estado são jogados fora todos os anos, as embalagens não virão mais com prazo de validade! O Ministério dos Alimentos e Agricultura as está substituindo por uma embalagem moderna e inteligente, que muda de verde para vermelho apenas quando o alimento não ficar próprio para consumo, para reduzir o desperdício dos alimentos.
A estratégia do Canadá é outra: todo excedente que estiver prestes a vencer nas prateleiras dos supermercados é enviado para os Bancos de Alimentos, criados como teste há alguns anos e interligados com 177 supermercados nas cidades de Montreal e Quebec. Com essa logística centralizada, vai ficar mais fácil manter os alimentos que estiverem “vencidos” – mas, em perfeito estado – dando um destino correto a eles: a barriga de alguém que precisa!
A única real vantagem que vejo nesse frenesi geral aqui, é que os supermercados, caso tenham um lote de latas de sardinha com vencimento para dali há, digamos, dez dias, vão colocá-lo todo em “liquidação de arrasar”: de R$ 5,00 para R$ 1,20 cada lata! Agora, se você comprar o lote, faça o favor de consumi-lo bem longe dali para não passar mal e morrer na porta do supermercado porque não pega bem… fala sério!
Talvez devêssemos nos ligar num fato muito importante e alvo de menos preocupação do que seria de se esperar: também os relacionamentos, mais do que nunca, têm tido “prazo de validade” cada vez mais curtos… As pessoas azedam… mofam… ficam “carunchadas”, e como usualmente vêm sem prazo de validade, acaba sendo melhor “limpar a despensa”… e pedir (ou dar) a “dispensa”…
Será que não valeria a pena tentarmos criar, aqui também, um Banco de Sentimentos como generosidade, tolerância, amor, “desconfiômetro” (essencial!) e tentar um prazo de validade mais longo e saudável?…

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