A nova escola possível


Sou de opinião que todas as agruras com a chamada geração “nem-nem” começaram a partir do momento em que seus pais inauguraram a época dos professores que viraram “tios”, que “entraram para a família” e passaram a merecer um tratamento mais “próximo”. Tão próximo quanto a permissividade desses pais permitia e endossava.
Ora, professores não são da família! São, ou deveriam ser “entidades”, pessoas para as quais um aluno levará uma pergunta e terá uma explicação como resposta. Não é um ser infalível, não sabe tudo, podendo, inclusive, dizer: “Não sei, mas vou pesquisar e, na próxima aula, trago a resposta”.
Era assim o professor que lecionava há 40 anos ou mais. Ele dava aulas e não ganhava fortunas, mas não precisava se deslocar de um bairro a outro, de uma escola a outra para dar aulas em dois períodos no mínimo, para conseguir se sustentar e à sua família.
Hoje, muitos dos professores, além da maratona descrita acima, não têm uma formação decente e nem tempo para pesquisar ou preparar suas aulas. Essas são constatações que advém da crise em que vivemos. Eles precisariam de um reforço no orçamento para frequentar um curso de atualização ou até mesmo, para poderem abandonar um dos empregos e ter tempo para estudos e pesquisas.
Há já algum tempo, os pais de classe média alta, ou nem tanto, não estão mais aguentando as mensalidades de escolas particulares e estão transferindo seus filhos para escolas do estado ou municipais e comentam isso com um misto de desalento e culpa.

Essas crianças, que saíram de um ensino melhor, de uma escola com mais recursos, terão um retrocesso caso seus pais não arregacem as mangas e se ponham a formar comissões com todos os outros pais para, por exemplo: fornecer um projetor e um telão conseguidos com pequenas contribuições voluntárias, ou material para o laboratório, a pintura da quadra de esportes ou até mesmo, a contratação de um professor para dar aulas de reforço.
Não creio que as crianças fiquem “traumatizadas” porque não mais frequentarão uma escola de ricos; creio que a riqueza está no saber aproveitar essa reviravolta na vida dos pais, para ter um contato com o que não é tão bom, nem tão fácil, aprendendo a participar.
Claro que não me refiro ao contato com marginais ou quase isso porque esse quadro está disseminado nas periferias, e essas crianças não irão para lá. Há várias escolas estaduais em bairros de classe média que têm uma boa frequência, e que padecem de necessidades diversas que o estado não supre.
Surge aqui, através da cooperação e participação de pais acostumados a isso nas escolas particulares, a oportunidade de transformação para melhor para todos.

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