Frutos da primavera

“Uma andorinha não faz verão.” Mas, mamãe bem-te-vi, moradora da árvore vizinha à nossa casa, acaba de fazer… a primavera, impedindo que os “especialistas” derrubassem seu ninho com ovinhos ou pior, filhotes!
Tenho o privilégio de morar em um “bairro verde”, com árvores e praças, um belíssimo e raro local para passear, curtir e fotografar as copas floridas, “vestidas de glória” como costumo dizer e, depois, os tapetes de flores com que elas nos brindam!
Hoje, pela manhã, ouço um barulho de moto serra e um burburinho anormal; uma caminhonete semelhante às usadas como ambulâncias, “etiquetada” como sendo da Prefeitura de São Paulo, com meia dúzia de homens de roupas cor de laranja, já tendo selecionado os galhos a serem retirados da árvore vizinha. Sua copa generosa tem seus galhos “emaranhados” nos fios de telefone, de TV por assinatura, de luz…
Algum vizinho deverá tê-los chamado, incomodado com a ameaça constante de ficar sem um desses serviços sem os quais nossa vida fica literalmente “fora do ar”!
O que ninguém contava é que, após dois galhos retirados com a serra elétrica, com um barulho ensurdecedor, uma das mamães passarinhos, “inquilina” de um dos quatro ninhos construídos sobre a copa dessa árvore, se insurgisse contra os “especialistas” e passasse a dar “voos rasantes”, claramente ameaçadores, em defesa de sua prole e da árvore a ser podada!
Esses voos bem próximos aos rostos dos especialistas, não deixavam a menor dúvida com relação às suas intenções: “Fora daqui ou…” A conversa dos especialistas e da moça, que os comandava,      logo a incluiu: “é, ela parece brava e está atando!” E, imediatamente, mamãe passarinho passou a ter lugar de honra na conversa.
Eu sei, por experiência própria, que essas equipes de “especialistas em poda” podem levar até 3 anos para responder a um chamado: tive essa experiência quando um pesadíssimo tronco despencou em cima de nossa entrada não podendo retirá-lo por conta própria – tampouco podia entrar em casa, a não ser pela garagem!
Nessa coisa de desmatar, pessoas que compram casas antigas com jardim e percebem que as folhas e as flores da árvore em frente a suas casas não vêm “coladas” nela; mas, caem e “sujam” suas calçadas.  Insurgem-se contra isso e querem se ver livres da “fonte de sujeira”.
Hoje, aqueles a quem chamo de “novos de casa” cimentam todas as suas áreas, constroem muros gigantescos – de um mínimo de 6 metros, indevassáveis – colocam holofotes que se acendem ao simples pisar na calçada, transformando o passeio de todos num “passeio do lado de fora de cemitérios”, como se fôssemos “violadores de túmulos”…
O “novo de casa”não se dá conta de que os ladrões não vão pular muros; sequer vão aventar essa hipótese, extremamente trabalhosa. O ladrão planeja seu golpe e espera que alguém chegue, para entrar junto e, uma vez dentro do “bunker” construído, ele estará, literalmente, longe dos olhares curiosos e ninguém poderá ver uma movimentação estranha para chamar um auxílio…
Em todo caso, venceu a valente mamãe bem-te-vi: ninguém vai retirá-la, ou aos seus filhotes do ninho, no momento de reprodução e em plena primavera!

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