Vai melhorar (7). Será?

Há dúvidas. Mas a cada semana surgem bons sinais
Ao longo dos meses de junho e julho, fiz seis compilações de notícias e artigos demonstrando que, sem o PT e Dilma Rousseff na Presidência da República, a economia do Brasil vai melhorar. Tenho novas notícias a serem reunidas aqui nesta sétima compilação. Mas…
Será que vai mesmo melhorar?
Nos últimos dias, editoriais e artigos começam a questionar o governo Michel Temer – que ainda nem completou três meses, e é provisório, interino.
Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg, dois dos mais completos, preparados, bem informados jornalistas que cobrem economia no país, expuseram dúvidas.
“A marca do governo Temer é a ambiguidade”, escreveu Miriam Leitão em sua coluna no Globo de domingo, 24 de julho. “Ele fala em ajuste e amplia gastos. Acusa o governo Dilma de ter sido gastador e provocado o rombo e solta uma nota dizendo que na administração da presidente afastada houve queda das despesas com salários de funcionários em proporção ao PIB. Anuncia como meta fiscal uma cifra astronômica e mesmo assim precisa recorrer à reserva de emergência.”
E remexeu a faca na ferida:
“O pouco crédito que começa a ser dado ao governo pode se estiolar em breve. Basta que alguém grite que o rei está nu. O frágil aumento da confiança se deve menos ao presidente interino e mais ao afastamento de Dilma. É fruto do alívio de um bode sair de uma sala cheia. Como a presidente afastada cometeu uma série de absurdos econômicos e fiscais e levou o país à pior recessão da sua história, qualquer sucedâneo parecia melhor. No segundo momento, é inevitável constatar que o governo Temer não tem compromisso com a estabilidade fiscal, mesmo tendo em sua equipe pessoas cuja marca é a responsabilidade com as contas públicas.
“O argumento para o aumento de salários generalizado de servidores é falso. O governo diz que eles já estavam negociados. Ora, foram concessões feitas por Dilma às vésperas de sair. Ela queria fazer média com o funcionalismo e deixar constrangimentos para quem a sucedesse. Conseguiu o que queria. Os aumentos estão sendo confirmados.”
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No Globo de quinta, dia 28, Carlos Alberto Sardenberg questionou: faz sentido subir salários dos funcionários mais bem pagos do país neste momento, em que o setor público está quebrado?
“Depois de alguma resistência, o governo Temer capitulou e resolveu mandar ao Congresso Nacional projeto de lei que reajusta os vencimentos dos auditores da Receita e agentes da Polícia Federal. Oficialmente, ministros disseram que os acordos já haviam sido negociados com o governo anterior, que se trata apenas de uma reposição da inflação etc.
“Tudo desculpa — e que não pegou, aliás. Todo mundo sabe que o governo ficou com medo de uma greve ou do corpo mole ou da tal operação padrão daquelas duas categorias. Um medo compreensível. Auditores e policiais federais podem paralisar os aeroportos ou, mesmo sem greve, impor uma confusão embaraçosa no momento em que começam a chegar atletas e turistas da Olimpíada.
“Em termos diretos: aquelas categorias simplesmente aproveitaram o momento para colocar a faca no pescoço do governo.
E mais adiante:
“Francamente, faz sentido elevar os salários dos funcionários mais bem pagos do país neste momento de crise econômica, em que o setor público está literalmente quebrado? O maior problema do país é o déficit nas contas públicas. De novo, está correto alargar esse déficit com salários de um funcionalismo que ganha muito, mas muito mais que os demais?”
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Em artigo no Estadão da mesma quinta, dia 28, Cida Damasco – outra jornalista de economia do primeiríssimo time – mostra que é preciso que o governo aja depressa:
“Concentrado em fazer andar o projeto que limita o teto de gastos públicos, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem falado agora que não se deve ter pressa para implementar as tais reformas. Discurso apropriado para o momento político: o impeachment ainda não está garantido e a temporada eleitoral está aberta.
“Mas, no caso, cautela demais pode custar caro. Governos anteriores, com mais sustentação política do que o atual, deixaram para depois o embate das reformas constitucionais e foram obrigados a se conformar com meros tapa-buracos para fechar as contas do exercício. Com correria, não se faz nada que sirva. Mas convém ter pressa.”
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sergio
Depois de seis textos aqui demonstrando otimismo com a atuação do governo Michel Temer e de seu dream team da economia, achei que não poderia deixar de registrar a impaciência que esses três grandes jornalistas da área de economia começam a demonstrar.
Mas boas notícias, ou no mínimo sinais que dão alguma esperança, continuam aparecendo. Eis algumas dos últimos dias, que serão detalhadas logo a seguir:
* O desemprego parou de aumentar. Ainda é altíssimo, alarmante, mas o ritmo do fechamento de postos de trabalhou vem diminuindo há três meses seguidos.
* O custo da captação de capital demonstra que há maior confiança na economia brasileira nos mercados internacionais.
* Há sinais de retomada da construção civil: o número de novos imóveis cresceu 24,7% e o de lançamentos avançou até 72%;
* O Brasil está voltando a figurar no radar dos investidores, inclusive na área de petróleo.
* A confiança do setor de eletrônicos subiu pelo quinto mês seguido. Pesquisa mostrou que 42% dos associados da Abinee esperam aumento de vendas no segundo semestre, contra 33% que esperam queda.
Logo abaixo, mais dois bons sinais. E, em seguida, o detalhamento dos cinco itens acima.
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Nota na coluna de Ancelmo Gois no Globo de quarta, dia 27:
“Um sinal de que ventos positivos parecem rondar nossa economia. O grupo Energisa, que contra 13 distribuidoras de energia, resolveu fazer uma oferta pública de ações. Recebeu R$ 8 bilhões em pedidos, seis vezes mais que o valor ofertado.”
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O jornalista Charles Magno Medeiros postou o seguinte no Facebook, na terça, dia 26:
“Dilma, o pesadelo.
“Nas últimas semanas, tive contato com dois economistas-chefe de bancos estrangeiros e um grande empresário. Unanimidade: o índice de confiança e as expectativas para o futuro estão melhorando, o que deve refletir-se na melhora da economia nos próximos meses. Unanimidade 2: Se Dilma tivesse continuado, não haveria nada disso e o País estaria descendo para o precipício, com calote da dívida ou aumento dramático da inflação. Unamidade 3: o que preocupa são os políticos, que estão forçando o governo Temer a aumentar gastos e reduzir o campo do ajuste econômico de que o País precisa. Unanimidade 4: Volta de Dilma? NEM PENSAR. Seria a volta do pesadelo.”
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Os dados sobre emprego com carteira assinada divulgados pelo Ministério do Trabalho na quarta, dia 27, são tenebrosos, pavorosos. “O país perdeu 531.765 empregos com carteira assinada no primeiro semestre deste ano, pior resultado desde 2002, início da série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. A redução de vagas está espalhada entre quase todos os ramos da atividade econômica”, diz reportagem de Geralda Doca e Manoel Ventura no Globo desta quinta, dia 28.
Um horror.
Porém, há um dado positivo no meio dessa tragédia que é o desemprego provocado pela presidente felizmente afastada Dilma Rousseff: parou de piorar, conforme apontam as matérias do Globo e da Folha de S. Paulo. (A do Estadão não trouxe essa informação importante.) Houve queda no ritmo das demissões. Os saldos mensais registrados em abril, maio e junho foram menores na comparação com os mesmos meses do ano passado. Em junho de 2015 foram eliminados 111.599 empregos com carteira assinada – ante 91.032 em junho de 2016.
É apavorante o número: 91.032 vagas foram fechadas agora em junho.
Mas é um número 18% menor que o do mesmo mês do ano passado, conforme salientou a reportagem da Folha, assinada por Machado da Costa.
A situação ainda é péssima, gravíssima – mas parou de piorar.
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O Brasil está voltando a figurar no radar de investimentos, inclusive no petróleo, escreveu George Vidor no Globo de segunda-feira, dia 25:
“Advogado especializado na área de petróleo, Ivan Tauil passou os dois últimos anos sem conseguir inserir o tema Brasil em qualquer dos congressos, simpósios e fóruns internacionais que participa habitualmente, por necessidade profissional. Crises política e econômica simultâneas afastaram o país do radar dos investidores, em especial no segmento de óleo e gás.  Um dos clientes do escritório de Tauil chegou a dizer que ia arrumar as malas e nunca mais aparecer por aqui. Arroubo de momento, pois, embora a economia brasileira tenha passado por uma recessão mais profunda do que se podia esperar – em grande parte pelo agravamento da crise política – nenhum empresário deve desconsiderar o mercado doméstico brasileiro, seja no presente ou no longo prazo.
“Na percepção de Tauil a fase do ostracismo está terminando. A crise política se deslocou para um segundo plano e os sinais tímidos de recuperação da economia brasileira começaram a ser percebido pelo farol desses investidores. O Brasil será um dos assuntos de destaque da edição de setembro da revista The American Lawyer, preparada para o encontro anual de especialistas em direito, que será realizado em Washington.
“A agenda positiva do Congresso vem contribuindo para essa mudança. Com a mudança nas regras de exploração do pré-sal, que retiram a obrigatoriedade de a Petrobras ser operadora única e parceira compulsória do consórcio vencedor das licitações, tornando esses quesitos opcionais (de acordo com os interesses da estatal), grandes atores do mercado de petróleo, que haviam se retraído nas rodadas anteriores, já estão se mexendo na expectativa do edital que a agência reguladora, ANP, está costurando.
“Os problemas não estão resolvidos. Falta o Senado pôr um ponto final na novela do impeachment para que o governo em exercício possa encaminhar ao Congresso as propostas de reforma da previdência social. A que estabelece um teto para os gastos públicos já está lá. Caberá ao próprio Congresso promover uma reforma política que ao menos contribua para dar um basta no festival de partidos que desorienta o eleitorado em vez de fortalecer a democracia.
“O prefeito Eduardo Paes se sente frustrado porque esperava que os Jogos Olímpicos fossem realizados em um momento de prosperidade do Brasil. Porém, diante das circunstâncias que envolvem a conjuntura internacional, os Jogos virão em boa hora, pois coincidirão com esse novo despertar dos interesses dos investidores pelo que está acontecendo no país.
“No lugar do temor de que tudo iria parar após a Olimpíada, o que vamos ter é uma injeção de ânimo.”
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A confiança dos investidores estrangeiros na economia brasileira começa a melhorar, conforme mostrou editorial de Economia do Estadão na terça, dia 26:
“O Brasil captou US$ 1,5 bilhão em bônus soberanos com prazo de 30 anos na semana passada, pagando 5,875% ao ano, menos do que na colocação de papéis de 10 anos, em março, com remuneração anual de 6,125%. É um sinal do aumento recente da confiança no País, já visível na diminuição da taxa do seguro contra o risco de calote medido pelos CDS (Credit Default Swaps), de 286 pontos no dia 21/7, depois de ter passado dos 500 pontos no início do ano.
“Como notou Alexei Remizov, um executivo do HSBC, banco que coordenou a colocação dos papéis brasileiros ao lado do Deutsche Bank e do Goldman Sachs, “o investidor estrangeiro retomou a confiança na estabilidade política e econômica, o que levou ao sucesso da operação”.
“Com reservas de US$ 376 bilhões e crescente melhora das contas cambiais, o Tesouro não precisaria tomar recursos externos. A colocação pretende oferecer um parâmetro para as captações das empresas, que voltaram a crescer no primeiro semestre.
“O custo da colocação ainda deve ser visto como muito alto, comparado ao de 5,131% ao ano em 2014 na emissão de papéis Global 2045 e ainda mais ao de 4,694% ao ano em 2011, para títulos igualmente vencíveis em 30 anos. O spread foi de 357,20 pontos-base acima dos títulos do Tesouro norte-americano de mesmo prazo, segundo o Ministério da Fazenda. O custo se deve à perda do grau de investimento em 2015, conforme a classificação das principais agências de rating.
Se (e quando) o Brasil recuperar o grau de investimento, o que dependerá de uma política macroeconômica bem-sucedida no longo prazo, os investidores nos papéis brasileiros poderão auferir bons resultados com a valorização dos títulos. Ao que tudo indica, muitos aplicadores externos apostaram nisso: a demanda pelos papéis foi de US$ 6 bilhões, quatro vezes superior ao colocado. E foi diversificada com a venda de papéis brasileiros nos Estados Unidos, Europa, Ásia e Oriente Médio.
“Após o fechamento do mercado para o Brasil em 2015, o País voltou a se beneficiar com a elevada liquidez internacional. Ganhou, ainda, comparativamente a outros mercados, como o da Turquia, envolta em grave crise institucional.
“No ano, até 8/7, as empresas brasileiras captaram US$ 13,35 bilhões no mercado global. O que se pode esperar é um aumento ainda maior dessa demanda com o impeachment e a aprovação das medidas de austeridade fiscal em pauta.”
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“Os sinais de que a economia começa a se recuperar e a maior confiança tanto de empresários como de consumidores nos rumos do país estão sendo um estímulo para incorporadoras e construtoras de imóveis desengavetarem projetos.”
Este é o início de reportagem assinada por Ana Paula Ribeiro, Glauce Cavalcanti e Geralda Doca, que foi manchete de O Globo na terça-feira, dia 26.
Eis a reportagem:
“Um levantamento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) mostra que, de janeiro a maio, o número de novas unidades em construção no país chegou a 5,7 mil, uma alta de 24,7% na comparação com igual período de 2015. Há casos de construtoras em que o aumento de lançamentos chegou a 72%. As novas regras da Caixa Econômica de estímulo ao crédito imobiliário, tanto às empresas quanto a pessoas físicas, que entraram vigor ontem e somam R$ 16 bilhões, deverão aquecer ainda mais o setor, que teve um desempenho combalido em 2015. Para as empresas, 2016 está sendo considerado um ano de retomada de fôlego.
“- Temos notado uma mudança de humor, com maior confiança da população e dos empresários na economia. Isso é fundamental para que o mercado imobiliário retome o crescimento. Os lançamentos já voltam a ganhar ritmo, e as medidas de estímulo da Caixa ajudam porque atendem a uma faixa de compradores (de maior renda) que não era contemplada — afirma Luís Fernando Moura, diretor da Abrainc, que reúne 20 empresas do setor que atuam em todo o país.
“A Caixa dobrou o valor de avaliação dos imóveis de R$ 1,5 milhão para R$ 3 milhões para financiamento pelo Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), voltado a quem quer adquirir imóveis acima de R$ 750 mil. O banco vai liberar R$ 6 bilhões para esta linha e mais R$ 10 bilhões para financiar as construtoras.
“Segundo o vice-presidente de Habitação da Caixa, Nelson Antonio de Souza, as medidas, além de estimular as vendas e aquecer o setor, vão permitir ao banco — que detém 67% de participação no mercado — cumprir a meta de aplicação em crédito imobiliário de R$ 93 bilhões em 2016. Também estão nessa conta os recursos do FGTS, destinados ao Minha Casa Minha Vida.
“— A expectativa é executar todo o orçamento, além de aumentar a velocidade das vendas e a própria economia. A construção civil é um dos setores que respondem mais rapidamente a medidas de estímulo — disse Souza, acrescentando que o simulador de empréstimo da Caixa chega a ter 6,5 milhões de acessos por mês.
“No Rio, os estímulos da Caixa são vistos como um sinal de melhora, mas ainda tímido.
“— No setor, a certeza é de que saímos do fundo do poço. O governo dizer que vai dar mais crédito é ótimo. Mas não traz resultado imediato. Mostra que o banco quer financiar, e isso vai mexer com as taxas dos bancos privados. Nos últimos 60 dias, as vendas estão melhores — afirma João Paulo Matos, presidente da Ademi-RJ, entidade que reúne as construtoras cariocas.
“Para Moura, da Abrainc, o aumento no número de lançamentos mostra que as incorporadoras acreditam que haverá retomada das vendas, no médio prazo, já que os empreendimentos demoram de dois a três anos para serem concluídos. Em 2015, os lançamentos somaram 64,1 mil unidades, uma queda de 15,4% em relação ao ano anterior. Para este ano, as empresas dizem que os lançamentos terão mais fôlego, e as vendas vão apontar um início de recuperação. Nos primeiros cinco meses de 2016, foram vendidas 8,5 mil unidades, ainda um recuo de 14,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Mas, no segundo semestre, diz o diretor da associação, essa queda deve ser amenizada pelas medidas da Caixa.
Bruno Serpa Pinto, vice-presidente de Operações da Brasil Brokers para o Rio, acredita que o momento favorece o consumidor, com queda de preços e condições melhores de negociação:
“— As pessoas estão voltando a comprar porque as condições estão favoráveis. As incorporadoras tiveram aumento no endividamento e apresentam dificuldades de caixa. Elas baixaram o preço de venda para pagar financiamentos adquiridos de obras já realizadas.”
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E, finalmente, as informações sobre a melhora, pelo quinto mês seguido, na confiança do setor de eletrônicos. Elas estão na coluna de Míriam Leitão no Globo de sábado, dia 23 de julho:
“Uma pesquisa feita no setor de eletrônicos mostrou que 42% dos associados esperam aumento das vendas neste segundo semestre, percentual maior do que os 33% que esperam queda. A confiança na indústria subiu pelo quinto mês. Os sinais de mudança de humor, como temos dito, estão espalhados pelo mercado e pela economia real. Mas ainda são frágeis e dependentes do quadro político.
“A sondagem foi feita pela Abinee (Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica) em junho, mas ainda não havia sido divulgada. Além desse sinal positivo, houve desaceleração nas demissões do setor em maio, que caíram ao menor nível desde fevereiro de 2015, segundo a entidade.
“— Há muito tempo não víamos indicações de vendas superarem as de queda em nossas sondagens. Esta semana ouvi de um empresário que ele já está com crescimento das encomendas. A melhora de ânimo que se vê no mercado financeiro pode estar começando a chegar na economia real —afirmou Humberto Barbato, presidente da Abinee.
“Na visão do executivo, a partir de setembro será possível medir a intensidade desse processo, porque nesse mês a indústria começará a receber os pedidos para o Natal. Ele avalia que a interinidade do governo Temer é um impeditivo para a volta mais forte da confiança porque a incerteza continua elevada. Além disso, ainda não houve a aprovação de nenhuma reforma relevante no Congresso.
“— Mesmo com a melhora da confiança, ninguém vai tirar da gaveta projetos de investimento em um governo interino — afirmou.
“No setor de papelão ondulado, que é considerado um termômetro do nível de atividade, o mês de junho apontou alta de 3% sobre o mesmo mês de 2015, e tudo indica uma nova alta em julho, segundo Sergio Ribas, diretor da ABPO. Mas ele ressalta que a base de comparação é muito fraca e não está claro se esses números são uma nova tendência. Ele também avalia que a interinidade do atual governo é um entrave para a recuperação.
“— Tivemos dois meses estáveis, em abril e maio, crescimento em junho, e acredito que julho terá nova alta. Percebo que há uma vontade muito grande do empresário de que a recuperação dê certo. É muito importante que o governo deixe de ser interino e apresente propostas concretas. Se acontecer, acredito que a recuperação pode se intensificar — disse Sérgio Ribas.
“Outro problema para a retomada, na visão da ABPO, é o medo do desemprego. O consumo vai demorar a reagir porque mesmo quem está empregado tem preocupação de perder a vaga. Com isso, evita as compras e os financiamentos. Além disso, avalia que as empresas estão com muita ociosidade e vão tentar aumentar a produção com as equipes mais enxutas.
“— O desemprego não vai cair na mesma intensidade que subiu, e isso vai afetar o consumo, e consequentemente, os investimentos — disse Ribas.
“O setor de máquinas continua sofrendo muito com os juros elevados, a pouca confiança para os investimentos e, agora, a valorização do real. O presidente da Abimaq, José Velloso, acha que o governo Temer está emitindo sinais ambíguos na questão fiscal e isso está impedindo a redução dos juros, como ficou claro na decisão do Copom deste semana.
“— O governo está aceitando dar aumento de salários para vários grupos. Quanto mais tempo demorar para equilibrar o Orçamento, mais tempo levará para derrubar a Selic. Meu setor está sem capital de giro e asfixiado pelas taxas de financiamento — disse.
“Os três executivos ouvidos pela coluna temem que o BC utilize a valorização do real no combate à inflação. Isso tiraria a competitividade dos exportadores e aumentaria a presença dos importados.
“— Já há empresas levando prejuízo porque exportaram com câmbio em R$ 3,60 e agora a taxa voltou para R$ 3,25. Uma forma de crescer na crise é tentar substituir as importações. Meu setor já perdeu mais 80 mil postos de trabalho em quatro anos. Com esse câmbio e esses juros, não vai se recuperar — explicou Velloso.
“Há as reclamações de sempre dos empresários, e as preocupações novas. Os sinais de melhora precisam se consolidar. A confiança está voltando, mas com um pé atrás.” (Com Alvaro Gribel, de São Paulo.)

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