Crônica da eleição do horror (16)


#VotoBranco. Nada contente, não. Mas seguro, firme, irredutível.
Não voto no PT nunca, jamais, em circunstância alguma
Pela primeira vez em uma eleição presidencial, creio que pela primeira vez em qualquer eleição, vou votar branco. Nunca tinha anulado, votado branco, justificado. Esta é a primeira vez.
Há 20, 30, 50, 100, 2001 motivos para não votar em Jair Bolsonaro, há 20, 30, 50, 100, 2001 motivos para não votar em Fernando Haddad.
Venho expondo aqui os motivos para não votar em nenhum dos dois desde a segunda-feira, 9/10, o primeiro dia pós-primeiro turno. Fiz aqui, nestes 20 dias entre os dois domingos de votação, 15 textos expondo minha indignação diante dos dois candidatos e do que está por trás deles.
15 textos em 20 dias. Afe!
Sou um sujeito persistente. Insistente. Chato, talvez.
Durante os trágicos primeiros 4 anos em que Dilma Rousseff esteve no Palácio do Planalto, escrevi aqui 160 longos textos com o título de “Más Notícias do País de Dilma”.
Nos trágicos 1 ano, 4 meses e 12 dias do segundo mandato do Poste 1, escrevi aqui 36 longos textos com o título de “Nunca Houve um governo tão incompetente”.
Fora outros trocentos textos de crítica virulenta ao lulo-petismo.
Ao longo destes dois anos e meio em que o governo Michel Temer deu um cavalo de pau de 180 graus, inverteu completamente o direcionamento da política econômica do Poste 1, escrevi 21 longos textos com o título de “Vai melhorar”, seguidos por outros 23 longos textos com o título “Está melhorando”.
Assim, acho que, a rigor, esse meu histórico me exime de apresentar agora um discurso de alegações finais de por que não vou votar no PT.
Sou um sujeito persistente, insistente – mas humano (e velhinho), e tenho que confessar que este período entre o primeiro e o segundo turnos me deixou cansado.
***
Mas não poderia passar essa oportunidade sem tentar fazer ao menos uma síntese de por que não voto no PT – nem agora, nem nunca.
Com o PT, sabemos para onde vamos.
Vamos para a ditadura.
Não adianta Haddad tentar suavizar o discurso, o plano de governo. Não adianta os marqueteiros tirarem a foto do Lula, tirarem o vermelho, botarem o verde e amarelo dos coxinhas – e agora dos bolsonaristas fascistas. Isso é conversa mole pra convencer incautos.
O PT é Lula. O PT é Zé Dirceu: “Vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar a eleição”.
O PT se arrepende de não ter tomado o poder enquanto esteve no poder.
Mesmo tendo feito – enquanto esteve no poder sem no entanto ter tomado o poder – tanto mal ao país, em cada um dos itens, a começar pela ética e pela educação.
O PT registrou por escrito seu arrependimento por não ter se aproveitado das eleições, da democracia burguesa, para tomar o poder.
Em maio de 2016, logo após o Poste 1 ter sido defenestrado da principal poltrona do Palácio do Planalto, o Diretório Nacional do PT fez a autocrítica:
“Fomos descuidados com a necessidade de reformar o Estado, o que implicaria impedir a sabotagem conservadora nas estruturas de mando da Polícia Federal e do Ministério Público Federal; modificar os currículos das academias militares; promover oficiais com compromisso democrático e nacionalista; fortalecer a ala mais avançada do Itamaraty e redimensionar sensivelmente a distribuição de verbas publicitárias para os monopólios da informação”.
A mais alta instância do partido admitiu claramente, mas claramente, mas da forma mais absolutamente clara que poderia haver, que se arrependia por não ter aproveitado que estava no poder durante aqueles 13 anos para tomar conta, de uma vez por todas, das instituições da República – as Forças Armadas, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o Itamaraty, a imprensa.
Em suma, por não ter feito como Hugo Chávez fez na Venezuela.
Está escrito, com todas as letras, na Resolução do Diretório Nacional sobre a Conjuntura, distribuído após a reunião realizada na terça-feira, 17 de maio:
“Fomos descuidados com a necessidade de reformar o Estado, o que implicaria impedir a sabotagem conservadora nas estruturas de mando da Polícia Federal e do Ministério Público Federal; modificar os currículos das academias militares; promover oficiais com compromisso democrático e nacionalista; fortalecer a ala mais avançada do Itamaraty e redimensionar sensivelmente a distribuição de verbas publicitárias para os monopólios da informação”.
Não foi a imprensa burguesa que atribuiu essas palavras ao PT. Isso está escrito – é bom repetir – na Resolução do Diretório Nacional sobre a Conjuntura.
Em português escorreito, o que aquele parágrafo diz é o seguinte: “Companheiros, deixamos escapar a oportunidade de instaurar o Governo Popular do PT.”
Ou então: “Estávamos lá, tínhamos tudo na mão – e não tivemos coragem de fazer como nossos camaradas venezuelanos fizeram”.
Ou, numa linguagem mais direta, mais simples, mais chucra, mais próxima à do babalorixá que está preso em Curitiba: “Porra, caralho, mas a gente tava com tudo pronto e deixou escapar?”
E agora vem o PT dizer que representa a democracia contra a ditadura?
Só os fanáticos, e os muito mal informados, mas muito informados, mais muito inocentes demais da conta, caem nessa.
***
Não é necessário, de forma alguma, mas posso acrescentar aqui dois argumentos definitivos para não votar em Fernando Haddad.
O primeiro: foi um péssimo prefeito de São Paulo.
Vi nas redes que ele ganhou prêmios internacionais por sua atuação como prefeito.
A rede esquerdoide é forte no planeta inteiro. Forte e cega: ainda há intelectuais franceses que acham Lula um grande líder da esquerda mundial. Não me admira que, sendo petista, Haddad tenha ganho prêmios internacionais.
Foi o pior prefeito de São Paulo dos últimos 50 anos, incluindo aí até mesmo Celso Pit6ta, o poste do Maluf. Eu sei o que estou dizendo: vivo aqui há 50 anos.
O segundo: Haddad vem afirmando que não manterá nenhum membro do dream team que é a equipe econômica formada por Henrique Meirelles durante o governo Michel Temer. Foi capaz de dizer a seguinte frase, a respeito da equipe econômica que pegou o país no fundo do fundo do fundo do poço da recessão, onde foi colocado pelo Poste 1, e o tirou de lá: “Não pensa em geração de emprego, só pensa em lucro pra banqueiro”.
Afirmação “falsa e demagógica”, como definiu Miriam Leitão.
Afirmação, digo eu, capaz de impedir o voto nesse sujeito. Mesmo que quem estivesse disputando com ele fosse o Diabo em pessoa
***
Bem, Jair Bolsonaro é quase o Diabo em pessoa.
Não preciso me alongar nas razões pelas quais não votaria em Jair Bolsonaro.
Jair Bolsonaro representa tudo o que eu desprezo, tudo o que eu condeno, tudo o que eu acho errado. É antidemocrata às claras, admirador da ditadura, de torturadores; é machista, misógino, anti-direitos humanos, anti-minorias.
De fato é absolutamente desnecessário repetir aqui por que eu não votaria em Bolsonaro.
Não seria necessária palavra alguma. Bastaria a foto que o Estadão publicou, grande, na primeira página, nesta sexta-feira, 26/10 – a foto do gabinete do estrupício na Câmara dos Deputados.
Bolsonaro tem na sala dele os retratos de Castello Branco, Costa e Silva, Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo.
***
Entre o candidato do partido que se arrepende tremendamente de não ter implantado a ditadura e o candidato que faz da admiração pela ditadura e pelos ditadores a sua marca registrada, voto branco.
Não nulo.
Branco.
Nulo mistura protesto com quem errou o número, não soube digitar, se atrapalhou.
Branco é consciente. É claro, firme, forte. É uma afirmação nítida: não quero nenhum desses dois.
Nenhum deles me representa.
Rejeito os dois.
Sou oposição ao que vencer. Persistente. Insistente.

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