Que medo das coincidências

Justamente quando se começa a discutir a eficiência e eficácia das milhares de ONGs que atuam na Amazônia, a Globo saca da cartola a santíssima trindade politicamente correta – Leandra Leal, Debora Falabella e Taís Araújo, respectivamente uma advogada, uma jornalista e uma ativista ambiental – para protagonizar a série Aruanas.

Foto: Arquivo Google – Omelete

Um folhetim panfletário, explicitamente em defesa das ONGs. Haja estômago pra assistir essas três juntas. Nem por decreto.
As mesmas ONGs que não desmatam, mas compram e despacham por baixo do pano a produção de madeira nativa. Que pegam dinheiro e deixam os índios à mingua.
Prepare seu fígado e seu estômago. Elas choram, fazem carinhas fofas, entreolham-se com a cabecinha do lado. Tudo trabalhado para convencer. Convencer com dados falsos e mentirosos.
Segundo Leandra, 70% da emissão de carbono no Brasil vem do desmatamento. A poluição dos grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais são APENAS 30%. As indústrias e os automóveis são, portanto, os que menos poluem a natureza. A moça garante que somos o maior desmatador do planeta, mas não traz o número, a fonte ou estudo. MENTIRA, dona Leandra. M E N T I R A.
Por isso vou postar de novo os dados extraídos do trabalho extraordinário da EMBRAPA, e vou acrescentar o currículo do Evaristo de Miranda, coordenador desse trabalho, porque provavelmente elas também o consideram um boçal. Eu acho o seguinte: se falou tem que mostrar de onde tirou os dados e quem fez o estudo. O resto é puro exibicionismo, arrogância e desconhecimento absoluto do agronegócio, setor que elas descem o cacete sem medo de ser feliz.
Segura essa: a santíssima trindade pede ajuda internacional para conter o desmatamento e a aceleração da destruição do “lar dos índios”. Ninguém lembrou que as terras indígenas têm extensão muito maior do que as terras destinadas ao agro. Ninguém lembrou das intocadas Unidades de Conservação, que junto com as terras indígenas somam 30% do território.
Claro, tem coisa que não pode ser mencionada, senão derruba o castelinho das moças.
As belezuras ficaram 45 dias na floresta, mas não tiveram tempo de visitar uma única área agrícola. Claro, não interessa mostrar isso, também.
A produção brasileira alimenta 1,2 bilhão de pessoas, enquanto a população do país está em torno de 210 milhões. Isso significa que as exportações são vultuosas. Capazes de cutucar os brios e os bolsos de grandes centros de negócios estrangeiros.
Como é que esse povo vira-latas ousa a produzir essa quantidade de alimentos, e ainda tem espaço para crescer? Isso é uma ousadia imperdoável pelo mercado internacional, que está trabalhando duro e criminosamente para abocanhar sozinho a demanda futura que pode gerar receitas de U$ 40 bilhões.
Ops, esqueci do agrotóxico. Elas querem comida sem agrotóxico. Repetem como ventríloquos os malefícios. Não disseram que só o Brasil usa glifosato (tempo de TV é escasso), o que seria mais uma mentira, porque todo mundo usa. Tentam banir, estabelecem metas, mas continuam usando. Facinho checar no Google.
Uau, os caras pegaram pesado. A santíssima trindade da chatice chorando no “Conversa com Bial” pegou na veia. Evidentemente os prêmios estrangeiros já estão engatilhados. Como é uma série, nem sei se tem lugar no Oscar, mas se tiver, está garantido, apesar das três péssimas atrizes. Bial deu uma palinha, e uma cena da Leandra falando das ONGs lembra bastante o documentário da Petra Costa, aquele primor de mentiras emotivas.
Chamem-me de louca: quanto a Globo levou para produzir uma peça de propaganda desse tipo. E quem pagou? As poucas cenas mostradas no programa são chocantemente panfletárias, mal interpretadas e, como qualquer folhetim, não guardam compromisso com a realidade.
Forest here, Farms there. A disputa não é fácil, tampouco justa.

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