Não estou no clima olímpico

Euquerohospitais
Desculpa aí, gente, mas não me comove, não me impacta e não me convence o “clima olímpico”. Sobretudo quando vejo e ouço entrevistas do prefeito, do ministro do esporte ou do Nuzman, que de tão caquético, resolveu posar de papagaio de pirata em todas as entrevistas, fazendo sinais, caras e bocas, exibindo um tique nervoso semelhante a um ataque de Parkinson. Sorry, demais para o meu fígado.
Lamento pelos atletas, mas lamento muito mais pelos quase 40 bilhões de reais enterrados num evento megalômano, desnecessário e aviltante. Aviltante para quem, cara pálida? Para todos os doentes que passam anos numa fila assassina para serem atendidos pelo sistema público de saúde. Aviltante para os desempregados de Macaé e de todo país que perderam seus empregos para a corrupção. Aviltante para os aposentados sem salário, que estão enterrando suas vidas com agiotas para pagar remédios. Aviltante porque o país está destroçado, estraçalhado, e somos convidados a cessar todo esses efeitos para “celebrar” os jogos olímpicos.
Estive no RJ há duas semanas. Passei pela Linha Vermelha e 10 minutos depois da minha passagem a via foi interditada por causa de tiroteios. Vi estarrecida os tapumes estilizados recém-instalados, que escondem as horripilantes favelas. Todos coloridos, escondendo a miséria absoluta, a feiura e o descaso.
Não transitei pelo circuito bacaninha. O que vi foi o Rio real, sem maquiagem. Tudo me lembrava de Luanda, a capital de Angola. Aquele país da África, lembram? Por onde eu andei não havia diferença nenhuma entre as duas cidades. Tudo degradado, esfacelando como um biscoito Globo.
Desculpem-me, cariocas, não vou entrar nessa farsa, porque depois de setembro a vida continua. Os hospitais estarão superlotados, as filas para cirurgias só farão aumentar e eu duvido que haja dinheiro para pagar os aposentados ou funcionários públicos.
Seria risível, não fossem tão repugnantes as suítes VIP criadas em hospitais públicos para atender emergências da olimpíada. Por que não criaram isso antes? Quanta gente morreu por falta de assistência?  Criaram uma Disney para Nuzman e sua quadrilha, e eu preciso aplaudir para perpetuar o espírito olímpico?
Tenho lido apelos nas redes sociais para que deixemos o pessimismo de lado nesses dias de jogos. Ok, vou combinar com as pessoas que estão esperando por uma cirurgia há 10 anos, para que deixemos de lado nosso “pessimismo” por um tempo. No fim de setembro resgataremos nosso arsenal. Até a palhaçada tem hora.

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