O meu pé de coco verde

Não aguento mais escrever/falar sobre política, não pretendo passar os próximos quatro anos gastando latim em conversas de lagartixa mudando de parede. Ou seja, discutindo sobre o nada. Quem é de esquerda não quer nem esperar um tempinho para o governo Bolsonaro começar. Quer apenas falar mal. Com ou sem razão, o importante é denegrir. Quem é de direita não dá chance ao inimigo, ataca de volta. Nosso cotidiano virou uma luta onde vale golpe abaixo da cintura e canelada. As redes sociais estão chatíssimas. As pessoas perderam a capacidade de raciocinar, inclusive eu.

Quando deixar – se isso acontecer – de apoiar o presidente Bolsonaro declararei de viva voz. Por enquanto, aprovo. Sou a favor da liberação das armas – aliás, o plebiscito de 2005 mostrou que 63,94% dos brasileiros também o são -, contra a ideologia de gênero, contra a política externa ideológica, contra o gigantismo estatal, etc. etc. e etc. Resumindo, sou uma liberal conservadora, Bolsonaro me representa.
Minha profissão é escrever. Sei muito bem que escrever é refazer, refazer e refazer – mesmo assim rolam erros. Comparo a atual situação a alguém preparando um texto. Mal a pessoa escreve quatro linhas, alguém lê e declara, com ar doutoral, que a redação está uma droga. Assim agem os que não acreditam em Bolsonaro. Ninguém sabe ainda o resultado das primeiras decisões do presidente, mas criticam. Pior, criticam com pose de intelectuais doutorados na Universidade da Bratisláva, longe pra burro. Ah, mas tais intelectuais apresentaram as suas teses em esloveno, uma língua indo-europeia (viva o Google) que apenas os eslovacos – incluindo Mrs. Trump – e a oposição brasileira conseguem falar. Só podem mesmo ser arrogantes. Estou fora, sou apenas jornalista, não quero mais bater boca com gênios que amam catar pelo em ovo.
Agora virei coruja, vou simplesmente prestar atenção. Se algo muito, mas muito sério, ocorrer, darei o meu pitaco.
Recolher-me-ei à minha rede no meu pé de coco verde.
Eu me amarro em minha paz.

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