A bola não rola para todos

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Anderson Araujo / CB / DA Press

Além de beleza, emoção, excelência física e técnica, capazes de levar multidões, e até países, ao delírio, o futebol também tem um histórico de racismo, machismo e homofobia que só agora começa a ser combatido.
No inicio do profissionalismo, nos anos 30, o futebol ainda era considerado esporte de elite, e só brancos jogavam. O primeiro a ter um negro foi o Vasco da Gama, com sua torcida formada quase só por portugueses. O racismo provocou o ridículo de o Fluminense ter contratado um jogador negro e passado pó de arroz no seu rosto para maquiá-lo de branco, mas o que deveria ser esquecido, como marca de vergonha, acabou virando símbolo festivo do time e da torcida.
Com o gênio de Pelé, o racismo sofreu um rude golpe. Mesmo assim, sempre foi cobrado a fazer mais contra o racismo do que apenas sendo Pelé, que já era muito, como disse Mario Filho no monumental “O negro no futebol brasileiro”:
“Realmente os pretos do futebol procuraram, à medida que ascendiam, ser menos pretos. Mandando esticar os cabelos, fazendo operações plásticas, fugindo da cor. Daí a importância de Pelé, que faz questão de ser preto. Não para afrontar ninguém, mas para exaltar a mãe, o pai, a avó, o tio, a família pobre de pretos que o preparou para a glória. Por isso é mais do que um preto: é “o Preto”. Pelé nunca se ofendeu de ser chamado de negão ou crioulo por cronistas e jogadores. E até se referia a si mesmo como “o Crioulo”, entende? Já o polêmico Paulo Cezar Caju, marrento, abusado e genioso, foi amado e odiado por ter atitude de negro americano, falar francês e jogar um bolão.
Uma das frases mais estúpidas contra o futebol é “Futebol é jogo para homem”, para justificar violências, deslealdades e força bruta, e interditar o futebol feminino. Lugar de mulher era na arquibancada, com o marido. Hoje elas são craques no campo e emocionam multidões de todos os sexos.
O “jogo para homem” também é campo fértil para a homofobia. Tão forte que nenhum craque gay ou bi ousou sair do armário. O tema é quente e atual e inspirou a ótima graphic novel  “O Outro Lado da Bola”, de Álvaro Campos, Alê Braga e Jean Diaz.
O futebol também tem um histórico de racismo, machismo e homofobia, que só há pouco começou a ser combatido.
Fonte: O Globo digital

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