Ao mestre, com carinho e amor

Foto: Arquivo Google – Poder360

A música brasileira deveria fazer uma estátua para André Midani. Poucos a amaram tanto e fizeram tanto por ela como esse sírio louro, meio árabe e meio judeu, com sotaque francês, que chegou ao Brasil com 20 anos e uns trocados, fugindo da Guerra da Argélia.
Encantou-se com o Rio de Janeiro e, sem conhecer ninguém, resolveu ficar. Como vendia discos em Paris, telefonou para a gravadora Odeon na maior cara de pau, falando inglês, e, talvez por isso, foi logo recebido e ganhou um emprego. A indústria fonográfica brasileira nunca mais seria a mesma.
Em 1958, quando era assistente do produtor Aloysio de Oliveira, participou ativamente do lançamento do “Chega de saudade” de João Gilberto e da bossa nova. E ouviu do diretor comercial da Odeon que seria um fracasso: “Isso é música para veados”.
Com menos de 30 anos, foi dirigira Capitol do México e, em 1968, voltou ao Brasil para ser presidente da Philips. E trouxe a ideia das trilhas sonoras de novelas, que eram um sucesso no México. Fez um acordo coma TV Globo e me chamou para produzi-las; de jornalista musical, virei produtor de discos. O resto é história.
André voltou ao Brasil em plena efervescência do tropicalismo e se apaixonou pelo talento e ousadia do movimento, se tornou amigo de Gil e Caetano, e os apoiou totalmente, mesmo nos piores momentos, com sua gravadora.
E que gravadora! Em dois anos a Philips tinha no seu cast a fina flor da música brasileira dos anos 1970, Tom Jobim, Elis Regina, Chico, Caetano, Gil, Jorge Benjor, Rita Lee, Tim Maia, Raul Seixas, Ivan Lins, Gonzaguinha, Nara Leão, Gal Costa… e André publicou um anúncio com todos numa foto e a legenda: “Agora só nos falta o Roberto.” A provocação era a cara de André. E o espírito de sua companhia.
Foi um dos grandes nomes do rock brasileiro dos anos 80 como presidente da Warner. Lançou e acreditou nos Titãs, Ira, Kid Abelha, Ultraje a Rigor, Lulu Santos, Marina Lima, Frenéticas…
Sem tocar nem cantar, André fez música. E história, pelo conjunto da obra.
Fonte: O Globo – edição digital

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