Salta, la Linda

Natureza deslumbrante! (Fonte: Mônica Sayão)

“Salta, la linda”… Foi assim que fui apresentada a esta cidade do noroeste da Argentina, próxima da fronteira com o Chile. Nunca havia ouvido falar dela antes, mas ela é bastante conhecida pelos argentinos, sempre com a complemento “la Linda”. E eu viria a entender o por quê.
A cidade de Salta fica a 1.100m de altitude, próxima à Cordilheira dos Andes. Tem 600 mil habitantes e é a capital da província do mesmo nome.
Salta foi fundada pelos espanhóis em 1582, que precisavam de um entreposto entre Bolívia/Peru e Buenos Aires, para escoar o ouro e a prata para a Europa. O período colonial pode ser admirado pelas construções que se espalham pela cidade, em especial pelo centro histórico.
A Plaza 9 de Julio é a praça mais importante da cidade. O paisagismo foi feito pelo francês Carlos Thays, que se radicou na Argentina, quando foi feito diretor de Parques e Pontes. O trabalho de Thays é muito bom, e está por todo o país, sempre com a mesma estética.

Plaza 9 de Julio, a praça principal de Salta, com sua catedral rosa ao fundo.
(Fonte: Mônica Sayão)

A Catedral de Salta, como vemos hoje, é do século 19 e sucedeu a pelo menos três outras igrejas que ao longo do tempo foram construídas no mesmo local.

Catedral de Salta. (Fonte: Mônica Sayão)
O interior da Catedral de Salta impressiona. (Fonte: Mônica Sayão)
Detalhe da cúpula da catedral. (Fonte: Mônica Sayão)
Além da catedral, há muitas construções de destaque na Praça 9 de Julio. Uma delas abriga o museu mais interessante da cidade: o Museu de Arqueologia de Alta Montanha. É um museu pequeno que sempre mostra uma das três múmias conhecidas como as “Crianças de Llullaillaco”, que foram descobertas no topo do vulcão de mesmo nome, ali perto, em 1999. São crianças incas que devem ter sido sacrificadas há mais de 500 anos. Na minha primeira visita a Salta tive a sorte de ver as três múmias juntas. É impressionante como estão bem preservadas, com suas roupas originais, cabelo etc. Por terem sido achadas em região muito fria, se mantiveram em bom estado de conservação.

Neste prédio encontra-se o Museu de Arqueologia de Alta Montanha.
(Fonte: Mônica Sayão)

Outra construção da praça que chama a atenção é o antigo Cabildo, prefeitura nos tempos coloniais. Hoje abriga o Museu Historico del Norte, que merece uma visita.

Antiga prefeitura de Salta (Cabildo) hoje abriga o Museu Histórico del Norte.
Novamente o estilo espanhol colonial. (Fonte: Mônica Sayão)
Há ainda muito mais para visitar em Salta. A da Igreja e Convento de São Francisco, com construção iniciada em 1625, por exemplo. É belíssima!

Igreja e Convento de São Francisco. A fachada é certamente de período posterior ao colonial.
(Fonte: Mônica Sayão)
Interior da Igreja de São Francisco. (Fonte: Mônica Sayão)

Andar pelas ruas de Salta é descobrir preciosidades. As três fotos a seguir são exemplos disso.

Influência espanhola nas fachadas do Banco Hipotecario. (Fonte: Mônica Sayão)
Convento de São Bernardo, um dos mais antigos da cidade. (Fonte: Mônica Sayão)
Arquitetura residencial típica do século 19 em Salta. (Fonte: Mônica Sayão)

Mas a maior atração de Salta é, sem dúvida, a natureza ao seu redor. Minha primeira visita foi um impacto, minha segunda continuou sendo! Quebrada de las Conchas, Cachi e Cafayate ao sul, Purmamarca, Tilcara e Quebrada de Humahuaca ao norte, e também Salinas Grandes ao noroeste, são passeios maravilhosos, de beleza inesquecível.
Abaixo, mostrarei dois passeios imperdíveis a partir de Salta:
1) De Salta a Cafayate:
Este é o trajeto na direção sul, até Cafayate, uma cidadezinha de 12 mil habitantes a aproximadamente 1.700m de altitude e distante 197km de Salta. Parece um pouco longe? E é, mas a gente nem repara. A estrada começa a ficar deslumbrante nos últimos 80km quando se chega à Quebrada de las Conchas. Aqui vale uma explicação: “quebrada” nada mais é um vale estreito e profundo, que geralmente segue ao longo de um rio, quase como um cânion. A Quebrada de las Conchas tem terreno em diversos tons terrosos, em especial um tom avermelhado forte, que foi e continua sendo esculpido pela força dos ventos e pela erosão da água do Rio de las Conchas. Sem contar o movimento de pequenos terremotos ao longo do tempo que criam movimento no terreno, já que esta região situa-se muito próxima ao Andes, sobre placas tectônicas.

No sentido sul, a estrada de Salta a Cafayate. Os maiores destaque da estrada são os atrativos na cor verde do mapa.
(Fonte: www.cactus.com.ar)
A estrada é deslumbrante. (Fonte: Mônica Sayão)
A gente acaba demorando mais tempo na estrada por causa das inúmeras paradas para tirar fotos.
(Fonte: Mônica Sayão)

As atrações mais famosas do trecho da Quebrada de las Conchas é a Garganta do Diabo e o Anfiteatro. São fendas nas rochas que produzem um efeito lindo. O Anfiteatro leva este nome porque seu formato o transforma numa verdadeira concha acústica. E o som sai bonito mesmo, eu conferi!

A Garganta do Diabo, um dos atrativos da estrada. (Fonte: Mônica Sayão)
Anfiteatro, espetacular! (Fonte: Mônica Sayão)
Interior do Anfiteatro, uma acústica perfeita. (Fonte: Mônica Sayão)

Finalmente chega-se a Cafayate, segunda maior produtora de vinhos na Argentina. A cidade é famosa por cultivar a uva Torrontés, e este é seu vinho mais vendido. Há várias vinícolas na região e fomos à Piattelli porque além do bom vinho, sabia ter um bom restaurante e um visual bacana. Não nos decepcionamos!

Vinícola Piattelli em Cafayate: ótimo vinho e restaurante bacana.
(Fonte: Mônica Sayão)

2) De Salta a Humahuaca:
Este é o trajeto na direção norte, até Humahuaca, uma cidadezinha de 10 mil habitantes a 3 mil metros de altitude e a 250km (3h40m de carro) de Salta. Não se assustem, tudo é tão lindo, tão diferente, a estrada é tão boa, que não dá para reclamar. Mas é passeio de umas 10 a 12 horas de duração. Pode-se alugar um carro, ou melhor, um carro com motorista, para você só se preocupar em tirar fotos.
Aqui a movimentação é ao longo da Quebrada de Humahuaca, novamente um estreito profundo vale, por uns 150km. Acho que a gente nunca se habitua beleza extrema, é um tal de “olha lá!” sem fim.

No sentido norte, estrada de Salta a Humahuaca, passando por Tilcara e Purmamarca.
Há ainda a opção de ir de Salta a Salinas Grandes. (Fonte: www.nicolecthompson.worldpress.com)
Quando a gente pensa que não pode mais se surpreender… a estrada para o norte prova o contrário. (Fonte: Mônica Sayão)

Ao sair da estrada principal para se chegar a Purmamarca (ver mapa acima), o visual das montanhas ao redor do mínimo vilarejo é todo colorido: é o famoso Cerro de los Siete Colores. Muito lindo! O bucólico vilarejo vive do turismo e assim a oferta de artesanato é enorme. Muita coisa boa, outras nem tanto, mas tudo com preços bastante acessíveis.
Na praça principal localiza-se a Igreja de Santa Rosa de Lima, construída em 1648. É puro charme!

A primeira parada na estrada é em Purmamarca, com seu Cerro de los Siete Colores.
(Fonte: Mônica Sayão)
A única igreja de Purmamarca é a de Santa Rosa de Lima, do século 17.
(Fonte: Mônica Sayão)
O comércio em Purmamarca faz a alegria de muita gente. Ninguém é de ferro…
(fonte: Mônica Sayão)
Mais para aguçar os sentidos… (Fonte: Mônica Sayão)

Voltando à estrada principal, a Ruta 9 (RN 9), a paisagem continua a nos surpreender. As mais diversas cores, as erosões mais fantásticas, fazem da estrada um espetáculo único.

As diversas cores na Ruta 9, a caminho de Humahuaca. (Fonte: Mônica Sayão)

Ao chegar a Humahuaca, é bom lembrar que estamos a 3 mil metros de altitude. Andar devagar e tomar o tradicional chá de coca podem ser artifícios para ajudar a evitar um eventual mal estar.
Mais comércio e muita animação por ser carnaval, que aliás é o mais famoso da região. Foi bem divertido, um extra que não contávamos.

Principal praça de Humahuaca. (Fonte: Mônica Sayão)
Era carnaval! E o carnaval em Humahuaca é especialmente famoso. Muita gente fantasiada
e muito spray jogado nas nossas roupas e cabelos. Eu também fui vítima! (Fonte: Mônica Sayão)
Mais um pouco do comércio, agora em Humahuaca. (Fonte: Mônica Sayão)

No retorno a Salta paramos no último atrativo importante da estrada: Pucará de Tilcara. Tilcara é uma pequena cidade de 5 mil habitantes e tem Pucará como atrativo principal. Pucará significa fortificação da civilização pré-inca. Foi habitada por tribos a partir do século 12. Sua localização, no topo de uma colina, foi estrategicamente escolhida por motivos de defesa. E seu acesso até hoje só mesmo pela Quebrada de Humahuaca. Vale muito a visita.

Pucará de Tilcara, sítio arqueológico com seus cactos gigantes. (Fonte: Mônica Sayão)
Cactus gigantes atingem 3 a 4m de altura e emolduram o sítio arqueológico de Pucará de Tilcara,
onde houve reconstrução parcial das fortificações de povos pré-incas e incas.
(Fonte: Mônica Sayão)

Como chegar:
Não existem voos diretos do Brasil a Salta. O trajeto tradicional é fazer Buenos Aires-Salta de avião, o que leva aproximadamente 2h. Mas se você estiver no deserto de Atacama, no Chile, pode incluir Salta no seu roteiro atravessando a cordilheira de carro num trajeto de cerca de 5 horas, apreciando paisagens lindas. Aliás, a visita à Salinas Grandes é um passeio espetacular, é o que me dizem os que foram até lá. Vai ficar para uma próxima, com certeza!
Onde se hospedar em Salta:
– Vila Vicuña Hotel Boutique: este hotel é super bem localizado, a duas quadras da praça principal da cidade, a 9 de Julio, rodeado por restaurantes e lojas interessantes. Fica numa casa antiga e cada quarto tem uma decoração diferente. Charme total.
– Hotel Alejandro 1: hotel em prédio alto (o que é pouco comum em Salta), também bem localizado, com quartos espaçosos, decoração contemporânea com pitadas andinas e ótimo restaurante.
Onde comer em Salta:
– restaurante do Hotel Almería, considerado um dos melhores da cidade. Jantei algumas vezes lá e sempre foi muito bom. Reserva é aconselhável.
– Doña Salta: se você quiser empanadas saltenhas, este é um dos melhores lugares para experimentá-las, assim como outros pratos típicos da região. Decoração muito legal, descontraída, garçons vestidos de “gaúchos” numa casa colonial com vários ambientes. É sucesso entre os locais. Sempre cheio.
– El Charrua: para uma ótima parillada (churrasco). Há 2 endereços, ambos centrais, é só escolher o mais conveniente.
– Há várias opções de restaurantes bons na Calle General Martin Güemes (incluindo o El Charrua). É o “point” da noite de Salta.
Na próxima semana estarei na Europa com um grupo. Ficarei ausente por 3 semanas, mas enquanto isso, o leitor poderá acompanhar um pouco da viagem pelo Instagram: @monicasayaoviagens.
Até a volta!

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