Rothenburg, um retorno ao passado

Minha imagem favorita da cidade. Lindo demais! (Fonte: Mônica Sayão)

Visitar Rothenburg, mesmo que não seja pela primeira vez, sempre causa um impacto: a sensação de retorno ao passado, mais especificamente aos tempos medievais. Uma pequena cidade murada com suas várias torres, de 11 mil habitantes, com suas construções originais enfeitadas por muitas flores… tudo é encantador. Sensação de conto de fadas? Esta é uma expressão que continuamente ouço em nossos grupos.

Rothenburg ob der Tauber faz parte, e é a maior estrela, da Rota Romântica. Esta estrada foi criada para incrementar o turismo na Alemanha, após os horrores do nazismo. Na divisão do território alemão entre os países aliados, como consequência da derrota na Segunda Guerra, coube aos Estados Unidos a região sudeste da Alemanha.

Mapa do estado alemão da Bavaria em relação ao país, e com a Rota Romântica em destaque.
(Fonte: www.rothenburg-tourist.com)

Como os familiares dos soldados americanos vinham à Alemanha de férias para visitá-los, por que não criar um atrativo turístico extra que mostrasse o país de maneira positiva e tão bonita? Assim foi criada, na década de 1950, uma estrada que unia quase 30 pequenas cidades medievais. Ela liga Füssen ao sul até Würzburg ao norte através de aproximadamente 350km.
A menção à Rota Romântica tem um sentido prático para o leitor: aproveitar um pouco mais a visita a Rothenburg conhecendo também outras cidades desta estrada turística, em especial Würzburg, com seu patrimônio barroco excepcional e Dinkelsburg, uma versão menor e menos conhecida de Rothenburg. Sem contar Füssen, no extremo sul da Rota, que é outra joia medieval.

Mapa de Rothenburg ob der Tauber, o que significa Rothenburg acima do Tauber,
rio que corre ao largo da cidade. (Fonte: ichoublog.com)

Um pouco da História:
A primeira referência que temos sobre a cidade é de 1142, quando o Rei Conrado III adquiriu terras no local onde construiu o “Rote Burg” (Fortaleza Vermelha), no ponto mais alto de um planalto com vista para o rio Tauber. A fortaleza virou um castelo e no século 13, Rothenburg floresceu como cidade, em torno do castelo. É desta época a primeira muralha construída na cidade (depois foi construída outra muralha externa, mais abrangente), assim como a Praça do Mercado (Marktplatz), igrejas e dois monastérios (um Beneditino e outro Dominicano). É um roteiro previsível de formação das cidades medievais.
História vai, história vem, Rothenburg adotou o protestantismo no século 16. Martinho Lutero era um monge alemão e nada mais provável do que cidades alemães aderirem à nova ordem cristã. E também nada mais certo do que haver uma guerra generalizada na Europa por este motivo, quando o Sacro Império Romano-Germânico, católico, confrontou um vasto número de cidades e principados alemães que haviam se convertido ao protestantismo. Foi a Guerra dos 30 Anos. Só para não deixar este devastador conflito sem um ponto final, depois de anos de negociações, foi assinado um acordo de paz em 1648 quando católicos e protestantes passaram a ter liberdade de culto.
O que mais chama a minha atenção na história de Rothenburg é de época mais recente. A partir de 1871, quando a Alemanha passou a existir como país unificado, uma comunidade judaica se estabeleceu na cidade. A expulsão deste grupo aconteceu em 1938, por ordem de Hitler, que dizia ser a cidade um verdadeiro exemplo da cultura alemã.
Em 1945, os aliados chegaram a bombardear Rothenburg, porque lá estavam tropas alemães. O Secretário de Guerra americano John McCloy, sabendo da beleza da cidade, suspendeu o ataque e negociou a rendição das tropas alemães, que não tinham nada a ganhar àquela altura da guerra. Assim McCloy foi considerado um herói pelo povo local e em 1948 recebeu o título de cidadão de Rothenburg.
A parte destruída pelo bombardeio, cerca de 30% da cidade, inclusive uma porção de suas muralhas, foi reconstruída rapidamente com recursos internacionais.
E assim Rothenburg foi salva…
A cidade:
O que há de melhor em Rothenburg é perambular por suas ruas e prestar atenção aos detalhes de sua arquitetura e de suas placas indicativas do comércio a que se referiam. Difícil parar de fotografar, acreditem!

Rua principal de Rothenburg que liga os jardins do Castelo até a Praça do Mercado,
ao fundo. (Fonte: Mônica Sayão)
A Praça do Mercado (Marktplatz) com o prédio da Prefeitura à direita.
Fonte: Mônica Sayão)
Entrada dos jardins do Castelo, um recanto da cidade que deve ser visitado.
O Castelo não existe mais. (Fonte: Mônica Sayão)
Os jardins do Castelo são muito bonitos e têm canteiros especiais como este de lavandas.
(Fonte: Mônica Sayão)
Os jardins do Castelo proporcionam linda vista de parte da cidade medieval.
(Fonte: Mônica Sayão)
Plönlein, a mais famosa imagem de Rothenburg: difícil tirar foto no local porque há sempre muitos turistas fazendo o mesmo.
A dica é acordar cedo para ter alguma chance. (Fonte: Mônica Sayão)
Flanar pelas ruas de Rothenburg é garantia de muito encantamento.
(Fonte: Mônica Sayão)
Um restaurante muito gostoso e simpático é o Reichsküchenmeister. Num dia bonito e
quente, sentar sob a árvore frondosa é privilégio para sortudos. (Fonte: Mônica Sayão)
Optei por ravioli com mini rúcula, nozes e molho de manteiga que estava divino!
(Fonte: Mônica Sayão)
Subir e caminhar nas muralhas da Rothenburg é uma experiência fantástica!
Já fiz todo o percurso em duas ocasiões diferentes. (Fonte: Mônica Sayão)
Nem sempre é fácil caminhar pelas muralhas, mas certamente vale a pena.
(Fonte: Mônica Sayão)
O visual lá de cima é muito bonito! (Fonte: Mônica Sayão)

Voltando à terra firme, uma das coisas de que mais gosto de fotografar na cidade são as placas em frente aos estabelecimentos comerciais. Elas nos dizem de maneira charmosa e criativa o tipo de negócio que encontraremos. Quando na frente de hotéis, elas são menos óbvias, mas certamente lindas também.

Esta é uma de minhas placas favoritas! (Fonte: Mônica Sayão)
Para indicar hotel geralmente o desenho é mais livre, e nem por isso menos encantador.
(Fonte: Mônica Sayão)

Rothenburg é cidade pequena mas tão especial que sempre recomendo pernoite por lá. Pelo menos uma noite em seus vários hotéis charmosos e alguns de ótima qualidade. A experiência noturna é completamente diferente da diurna. Grande parte dos turistas vai embora e as lojas fecham. Tudo muito quieto. O que então fazer além de um bom jantar? Recomendo muito uma visita pela cidade com o Nachtwächter (Vigia Noturno).
O vigia noturno foi um personagem real em Rothenburg, assim como em inúmeras outras cidades pelo mundo, até o final do século 19. Ele garantia a segurança da cidade em todos os sentidos, inclusive para avisar à população sobre um eventual incêndio. Rothenburg possuía seis deles.
Este tour em Rothenburg é maravilhoso porque o “vigia”, todo paramentado com trajes de época e com sua lanterna, vai passeando com o grupo pela cidade e contando as histórias e peculiaridades daquele tempo. E o melhor de tudo: este “vigia” faz este tour há pelo menos 20 anos, quando o conheci pela primeira vez.
O tour acontece diariamente (exceto durante o inverno), tem 1h de duração e não é necessário fazer reserva. Basta ir direto ao ponto de encontro em frente à Prefeitura, na Praça do Mercado, às 20h (tour em inglês). O pagamento de 8 euros é feito no final, diretamente ao “vigia”. Imperdível!

Praça do Mercado (Marktplatz): o encontro com o Vigia Noturno é bem em frente à
Prefeitura. Dá para se ter uma ideia de como é bacana este tour noturno? (Fonte: Mônica Sayão)
Numa esquina da Praça do Mercado a gente se depara com estas duas construções maravilhosas.
Uma delas é a Marien Apotheke (Farmácia de Maria). Dá até vontade de precisar de um remédio…
(Fonte: Mônica Sayão)

Ainda há muito mais para se ver em Rothenburg. A igreja luterana de S. Tiago (Jakobskirche) é uma delas. Suba até o coro e contemple a peça mais preciosa da igreja: A “Última Ceia”, retábulo em madeira feita pelo famoso escultor alemão Tilman Riemenschneider por volta de 1500.
Sugiro também entrada na loja Käthe Wohlfahrt, de enfeites natalinos. Aliás, de “tudo o que você possa imaginar” natalino, fica melhor assim… Esta foi a primeira e é a matriz, hoje há outras filiais espalhadas pela Alemanha. Funcionam o ano inteiro e são um deleite para os olhos e nem tanto para os bolsos. É proibido fotografar e eu obedeço!
Termino meu texto da mesma forma que comecei: com a imagem da Markunsturm Röderbogen, definitivamente meu recanto favorito e a que melhor traduz, na minha opinião, a beleza da cidade.

Mais uma foto do meu recanto favorito de Rothenburg, a imagem que na minha opinião melhor traduz a beleza desta cidade.
(Fonte: Mônica Sayão)

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