Museu Nacional dos Coches, em Lisboa

Um dos museus mais visitados da capital portuguesa, o Museu dos Coches Reais foi criado em 1905, por iniciativa de D. Amélia d’Orleans e Bragança, esposa do rei D. Carlos I. A intenção foi de preservar e valorizar o patrimônio cultural nacional, através do acervo de carruagens reais, do século XVI até o XIX.
Aliás, esta coleção de carruagens é considerada a maior do mundo. Há também outros tipos de viaturas, como liteiras, cadeirinhas, carrinhos de criança, viatura dos correios etc. Em resumo: uma deliciosa viagem no tempo, que faz da visita ao museu um programão.
Quando foi inaugurado em 1905, o museu foi instalado no antigo Picadeiro do Palácio Real de Belém, bairro onde está localizado. A construção, de 1726, tem interior belíssimo e impressiona pensar que ali os cavalos reais eram treinados.

Museu dos Coches, no bairro de Belém, de 1905 até 2015.
(Fonte: Mônica Sayão)
Atual Museu dos Coches, projeto do brasileiro Paulo Mendes da Rocha.
(Fonte: Mônica Sayão)

A partir de 2015, um novo edifício foi construído para acomodar o acervo de modo mais eficiente. O projeto foi de Paulo Mendes da Rocha, arquiteto brasileiro de grande reconhecimento internacional, ganhador do prêmio Pritzker em 2006, considerado o Nobel da arquitetura.
Com área muito maior, o museu passou a exibir o dobro de carruagens expostas no antigo Picadeiro. No Picadeiro ainda há 8 carruagens, e também um espaço utilizado para exposições temporárias.
As duas construções ficam na mesma praça, bem próximas. O ingresso para o novo museu custa 8 euros, e para entrar nos dois museus, custa 10 euros. Foi o que fiz ontem, e acho que valeu muito ter ido ao Picadeiro também.
Uma curiosidade: de onde vem o nome “coche”? Vem da cidade húngara de Kocs, onde foram construídas as primeiras carruagens, que depois foram adotadas por todas as cortes europeias.
Vamos ao museu moderno? Espaços amplos, linhas retas e simples, para destacar o acervo exposto.

Ao entrar no salão principal do Museu dos Coches o conjunto impressiona.
(Fonte: Mônica Sayão)

São muitas carruagens mas vou selecionar aqui algumas que chamaram a minha atenção.


Na sequência abaixo, com os coches em detalhe, o leitor poderá pensar que há fotos repetidas. Mas com olhar atento verá que há detalhes distintos entre elas.






Há também os Coches Triunfais, como o modelo abaixo, conhecido como o Coche do Embaixador, do século XVI. Foi nele que o embaixador português D. Rodrigo de Sá Menezes fez sua entrada solene à Santa Sé, em Roma.

Um dos grandes destaques do museu é o Coche dos Oceanos (duas fotos abaixo). É um carro triunfal, que integrou o cortejo enviado a Roma por D. João V em 1716, em visita ao Papa Clemente XI. Pode haver algo mais barroco do que este modelo?

E também dos dois outros coches que o ladeiam? (Fonte: Mônica Sayão)
Detalhe do Coche dos Oceanos. (Fonte: Mônica Sayão)

Destaque também para as carruagens de gala. Elas eram usadas pela Família Real e nobreza em festas de gala como coroações, cortejas de casamentos, batizados e cerimônias religiosas em geral. A carruagem abaixo é chamada de Carruagem da Coroa e é do século XIX.

Carruagem da Coroa, um tanto impressionante. (Fonte: Mônica Sayão)

Há muito o que ver e apreciar no Museu dos Coches. Há muitas peculiaridades como, por exemplo, o Coche de Mesa, mostrado nas duas fotos abaixo. É uma viatura de viagem, e foi utilizada em 1729 na cerimônia da “Troca das Princesas”.
Nesta ocasião, a princesa espanhola D. Mariana Vitória entrou em Portugal para casar com o futuro rei D. José I, e a princesa portuguesa D. Maria Barbara seguiu para a Espanha para casar com o futuro rei D. Fernando VI. Outros tempos…


Outra viatura que chamou minha atenção foi a Mala-Posta, viatura utilizada para transporte do correio. Foi fabricada na Bélgica no século 19. Achei elegantíssima, adorei!

Viatura dos correios, muito elegante. (Fonte: Mônica Sayão)

Feita a visita, segui para o antigo Museu dos Coches, que, como disse, era o Picadeiro Real. O interior é mágico, lindo mesmo, e compõe com os coches, uma visão de um tempo que ficou para trás.

Salão principal do antigo Museu dos Coches, onde ainda estão expostas algumas carruagens. (Fonte: Mônica Sayão)


Ainda há algumas carruagens lá, inclusive uma que pertenceu à Carlota Joaquina. Esta viatura de aparato fez parte de um conjunto de três coches trazidos da Espanha para Portugal, em 1785, por ocasião de seu casamento com o príncipe D. João, mais tarde rei D. João VI.

Carruagem de D. Carlota Joaquina. (Fonte: Mônica Sayão)

Adorei ter revisitado o museu antigo e conhecido o museu novo. Recomendo o programa. Sem contar que logo próximo está o Mosteiro dos Jerônimos, o Museu da Marinha com suas caravelas, o Padrão do Descobrimento e a Torre de Belém. E mais: os famosos pastéis de Belém.
Diversão para longo dia!

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