Fontainebleau, muitas vezes esquecida

Vista aérea de Fontainebleau com seu palácio.

Sempre me questionei sobre os motivos que fazem de Fontainebleau um destino menos visitado do que outras cidades próximas a Paris, que vivem em torno de seus palácios, como Versailles por exemplo. Afinal, Fontainebleau é o único palácio que foi habitado por todos os reis franceses, do século XII ao XIX, e que é Patrimônio da Unesco desde 1981. Sem contar que é o palácio que tem o interior mais ricamente ornamentado do país e é mais antigo que Versailles em cinco séculos como residência real.

Já havia visitado Fontainebleau de passagem em duas ocasiões, daquele tipo “desde do ônibus, visita correndo e segue viagem”. Há poucos anos tive um filho estudando na INSEAD Business School, uma prestigiosa instituição em Fontainebleau, e assim revisitei a cidade em duas novas ocasiões. Fez toda a diferença! Aliás, adoro sentir uma cidade como uma local, e creio que foi o mais próximo que pude chegar.

Entrada principal. (Fonte: Mônica Sayão)
Visão panorâmica do pátio da entrada principal. (Fonte: Mônica Sayão)
A famosa escada em forma de ferradura, do século XVII. (Fonte: Mônica Sayão)
A escada mais de perto. (Fonte: Mônica Sayão)

Chatêau de Fontainebleau e seus monarcas:

A denominação “chatêau”, que significa “casa de campo”, mantida por uma família nobre, não deixa de ser apropriada. Tudo começou como um pavilhão de caça. E não podemos deixar de mencionar a linda Floresta de Fontainebleau, logo ao lado, que fazia da caça um “esporte” de muito fácil acesso.

Novas construções foram acrescidas ao longo dos séculos, principalmente por Francisco I e Henrique II, no século 16, quando importaram artesãos italianos de primeira linha, que mesclados com os franceses, criaram um estilo que ficou conhecido como Primeira Escola de Fontainebleau.

Ainda houve interferências feitas por Catarina de Médici, que contratou artistas flamencos, que, misturados aos franceses, aconteceu o quê? A Segunda Escola de Fontainebleau.

Até Luís XIV, o Rei Sol, teve papel importante ao contratar o grande Le Nôtre para redesenhar os jardins, depois do seu magnífico trabalho em Versailles.

Napoleão Bonaparte amava Fontainebleau. Foi ele o grande restaurador do palácio, após a Revolução Francesa. Trocou muito da mobília existente. E foi lá que abdicou em 1814.

O último habitante “nobre” de Fontainebleau foi Napoleão III, sobrinho de Bonaparte. Ele era frequentador assíduo. Em 1870, durante a Guerra Franco-Germânica, o império caiu, assim com Napoleão III, e Fontainebleau foi fechado.

O Palácio e seus jardins:

São 1.500 cômodos e jardins a perder de vista, já que “encostam na floresta”. Aliás passear pela floresta é um programão. A pé ou de bike, é puro deleite.

Como o palácio é enorme, fui visitando aos poucos, sorte minha! Mas há unanimidades para quem não tiver muito tempo e/ou paciência disponíveis.

Vamos lá:

– A escada em forma de ferradura, do século XVII, ao fundo da entrada principal;
– A Galeria Francisco I, decorada com afrescos e estuques;
– A Capela da Santíssima Trindade;
– A Galeria de Diana;
– Os apartamentos reais suntuosamente mobiliados.

A linda Galeria Francisco I. (Fonte: wikipedia.com)
Galeria Diana. (Fonte: br.freepick.com)
Contornando o lago com o palácio ao fundo. (Fonte: Mônica Sayão)
Esta trilha ao longo do lago é muito bonita e boa para uma parada. (Fonte: Mônica Sayão)
E o passeio continua… difícil parar de fotografar! (Fonte: Mônica Sayão)
Mais um detalhe de parte do palácio. (Fonte: Mônica Sayão)
Uma das minhas alamedas favoritas de Fontainebleau. (Fonte: Mônica Sayão)
Muitas flores nos jardins super bem cuidados. (Fonte: Mônica Sayão)
Demais! (Fonte: Mônica Sayão)
Há sempre um chafariz… (Fonte: Mônica Sayão)
Quando a gente anda muito e pensa que o jardim acabou… tem mais, e com espelho d’água. (Fonte: Mônica Sayão)
Quando o chaterreiro não tem cliente, ele lê um livro!!! (Fonte: Mônica Sayão)
Descobertas de recantos. (Fonte: Mônica Sayão)

Os jardins são encantadores. Os de Versailles realmente são mais impactantes pela suntuosidade de todo o complexo, com suas estátuas douradas… afinal foi feito para o Rei Sol!

Mas os de Fontainebleau, apesar de extensos, são mais acolhedores, pelo menos para mim. Passei muitas manhãs e outras tantas tardes passeando por eles. Com calma, curtindo o dia e prestando atenção nas pessoas locais: mães e suas crianças, jovens enamorados com seus violões, casais mais velhos juntinhos, e amigas certamente de longa data. Tudo o que minha curiosidade e criatividade podiam alcançar.

Trilhas lindas! (Fonte: Mônica Sayão)
No final do jardim só os dois e seus violões. (Fonte: Mônica Sayão)
Não parecem amigas da vida inteira? (Fonte: Mônica Sayão)
Não é uma graça esse casal? (Fonte: Mônica Sayão)

A cidade de Fontainebelau:

Localizada 70km a sudeste de Paris, a 1h10 de carro, ou 50min de trem, a cidade tem16 mil habitantes. É bastante bucólica e simpática, com ruas tranquilas, alguns bons hotéis e restaurantes. Recomendo para uma viagem sem pressa, e, certamente, com algumas agradáveis surpresas.

Não costumo recomendar hotéis mas este é muito bom: o Hotel de L’Aigle Noir. Ele fica em frente a uma das entradas do palácio, bem na praça principal da cidade, todo charmoso com decoração linda.

Vale muito se hospedar no Aigle Noir. (Fonte: Mônica Sayão)

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