As cidades coloniais mexicanas

Capilla do Rosário em Puebla. (Fonte: Mônica Sayão)

Em termos de turismo, a gente normalmente associa o México à praias de areia clara e lindo mar azul do Caribe, às culturas Asteca e Maia, e à apimentada e saborosa culinária local. Sem falar, é claro, do sensacional Museu de Antropologia da Cidade do México, que, uma vez visitado, torna-se inesquecível. O país não é só isso, ele é muito mais do que isso.  Nosso grupo de viagem conheceu e comprovou, em fevereiro passado, o quanto o México, com suas cidades coloniais, é espetacular, e quanto ainda há para se conhecer.
UM POUCO DA HISTÓRIA
Os espanhóis chegaram ao México em 1519, liderados por Hernán Cortés, numa comitiva composta por 500 soldados. Nesta época, o império asteca era muito poderoso e dominava vários outros povos indígenas vizinhos. Somente na capital asteca havia mais de 200 mil habitantes. Como aconteceu a conquista espanhola? Houve reforço nas tropas de Cortés, houve muitas mortes de indígenas por doenças trazidas pelos europeus como a varíola, mas principalmente, houve habilidade dos espanhóis em atrair para si os povos dominados pelos astecas, que logo se tornaram seus importantes aliados.
Em 1521 os astecas foram finalmente derrotados e os espanhóis ficaram livres para construir suas cidades coloniais em terras mexicanas, repletas de ouro e prata.
Assim nasceram San Miguel de Allende, Guanajuato, Santiago de Querétaro e Puebla, quatro das mais lindas e representativas cidades coloniais, visitadas pelo nosso grupo.
SAN MIGUEL DE ALLENDE:

Parroquia (com 2 “rr” mesmo!) de San Miguel Arcángel, a principal igreja de San Miguel de Allende.
À noite torna-se mágica! (Fonte: Mônica Sayão)

San Miguel de Allende fica 280km ao norte da Cidade do México. Foi fundada em 1542 e hoje tem 60 mil habitantes. É daqueles lugares que você chega e não quer ir embora, de tão lindo, com seus casarões maravilhosos em cores terrosas e pátios internos surpreendentes, suas igrejas de arquitetura extraordinária e suas praças impecavelmente cuidadas. Aliás, uma das coisas que mais me surpreendeu nos centros históricos das cidades citadas foi a limpeza das ruas e jardins.

Era carnaval também em San Miguel de Allende! Tudo muito colorido e alegre.
Ao fundo a Parroquia da foto anterior, em frente à praça principal. (Fonte: Mônica Sayão)
Mariacchis tocando na praça principal de San Miguel: público garantido.
(Fonte: Mônica Sayão)
Casarões pintados em tons terrosos: San Miguel é toda assim. Fiquei apaixonada! (Fonte: Mônica Sayão)

É uma cidadezinha sofisticada, envolvente, com comércio bacana e galerias de arte muito interessantes. Falando em não querer ir embora, San Miguel de Allende é conhecida por ser lugar de moradia de muitos aposentados americanos, o que não me surpreende. Eu também fiquei interessada…

As igrejas são espetaculares! Esta é a Iglesia de San Francisco, em San Miguel de Allende. De tirar o fôlego… (Fonte: Mônica Sayão)
Iglesia de Nuestra Señora de la Salud em San Miguel: fachada côncava inesperada! (Fonte: Mônica Sayão)
O Mercado de Ignacio Ramirez, em San Miguel, vende frutas e artesanato local. Foi aí que a ala feminina do grupo começou a surtar… (Fonte: Mônica Sayão)
Os casarões escondem lindos pátios internos, como este que é o delicioso restaurante Pueblo Viejo, também em San Miguel de Allende. (Fonte: Mônica Sayão)
Comércio sofisticado e várias galerias de arte em San Miguel. (Fonte: Mônica Sayão)

GUANAJUATO:
Guanajuato fica 80km a oeste de San Miguel de Allende e tem 90 mil habitantes. Apesar de ter sido fundada na mesma época das demais, possui algumas características distintas de San Miguel, que lhe dão identidade própria.

Vista de Guanajuato. (Fonte: Mônica Sayão)

É coloridíssima, não somente com tons terrosos. É muito alegre e cheia de vida à noite, pela quantidade de estudantes da Universidade de Guanajuato.
Foi construída sobre minas de prata, o que trouxe muita riqueza à cidade (1/3 de toda prata produzida no mundo vinha de Guanajuato nos séculos 16 e 17).

Guanajuato e suas casas de todas as cores. (Fonte: Mônica Sayão)

Possui uma rede de túneis subterrâneos, acessíveis a pé ou de carro, que criam uma pequena malha rodoviária extremamente curiosa. Esses túneis foram construídos no leito de rios subterrâneos, que após diversas inundações na cidade, foram desviados. Assim nasceu a ideia para o aproveitamento do leito seco dos rios, transformados em túneis com pistas de rolamento e de pedestres.
É lugar de muitas ladeiras, de ruas pavimentadas com pedras, de muitas igrejas, de teatro super estiloso que fez brilhar os olhos de duas de nossas passageiras/atrizes. Declarada Patrimônio Mundial pela Unesco em 1987 como cidade – Guanajuato faz parte daqueles lugares que “tem que ser visitado”.

Teatro Juarez em Guanajuato, construído no final do século 19. (Fonte: Mônica Sayão)
Interior requintado do Teatro Juarez. (Fonte: Mônica Sayão)
Basílica de Nuestra Señora de Guanajuato. (Fonte: Mônica Sayão)
Com seu interior grandioso. (Fonte: Mônica Sayão)
Iglesia de la Compañia de Jesús: linda fachada! (Fonte: Mônica Sayão)

Guanajuato tem alguns atrativos a serem destacados. Um é o Museu Casa Diego Rivera, residência do grande muralista mexicano que foi casado com Frida Kahlo. Diego nasceu na cidade e morou nesta casa com sua família por vários anos. Apesar de quase não haver telas do grande pintor, pode-se apreciar o mobiliário de época da família lá exposto.

Museu Casa Diego Rivera, onde o pintor nasceu e viveu com a família. (Fonte: Mônica Sayão)

Outro destaque da cidade são as apresentações noturnas que começam em frente a Plaza Jardin de la Union. São as famosas Callejoneadas, espécie de serestas organizadas por estudantes, que percorrem as ladeiras da cidade, sendo acompanhados por turistas que pagam um valor pequeno pela diversão. Um programa bem simpático.
QUERÉTARO:

Iglesia de San Francisco em Querétaro. Linda! (Fonte: Mônica Sayão)

 O centro histórico de Santiago de Querétaro me encheu os olhos. A cidade é basicamente plana e maior (750 mil habitantes), mas não menos interessante que as anteriores. Certamente mais cosmopolita, com excelente comércio, paisagismo impecável das praças, ótimos restaurantes e cafés descolados.  O padrão de vida da cidade é considerado o mais alto do México, com baixa taxa de desemprego.
Foi fundada em 1531 e fica 96km a sudoeste de San Miguel de Allende. Aqui novamente estão os casarões lindos, igrejas e praças encantadoras, e o calçamento das ruas em pedra. As praças de Querétaro são muito lindas, com destaque para o Jardin Zenea,  com seu típico coreto trabalhado em ferro.

Querétaro: a praça principal geralmente tem um coreto no centro, como nas demais cidades coloniais. (Fonte: Mônica Sayão)
Sempre balões coloridos à venda, por todo o México. (Fonte: Mônica Sayão)
Querétaro e suas impecáveis praças e jardins. (Fonte: Mônica Sayão)
Rua de pedestres no centro histórico de Querétaro, com ótimo comércio e restaurantes descolados. (Fonte: Mônica Sayão)

PUEBLA:

Prefeitura de Puebla, uma elegante construção em frente à praça principal.  (Fonte: Mônica Sayão)

Puebla é outra unanimidade. Localizada 100km a sudeste da Cidade do México, também foi fundada em 1531, como Querétaro. Apesar de ser maior que as três cidades anteriores, tendo aproximadamente 1,5 milhão de habitantes, e de possuir uma atmosfera mais cosmopolita, ainda assim ela tem um encantador centro histórico, com praças irrepreensivelmente bem cuidadas e construções belíssimas. O leitor, a esta altura, deve estar pensando que não tenho mais nada para contar, e que aqui estou me repetindo. Mas é bom repetir por ser admirável que um povo possa manter suas ruas limpíssimas, suas construções históricas sem grafites e suas praças com jardins perfeitos. Um excelente exemplo a seguir!

Puebla com suas ruas arborizadas e muitas opções de restaurantes e cafés.  (Fonte: Mônica Sayão)
Fachada revestida com cerâmica Talavera, muito típico em Puebla. (Fonte: Mônica Sayão)

Além disso Puebla é plana e bem próxima a um dos poucos vulcões ainda ativos do país, que pode ser visto em seu horizonte. A cidade possui inúmeros museus, alguns com projetos arquitetônicos bem expressivos. Ótimos hotéis e restaurantes. E por fim, é o centro produtor das lindas cerâmicas Talavera, que tanto adornam inúmeras fachadas, como enfeitam os interiores das casas mexicanas, e fascinam as turistas loucas para levarem tudo, se possível, para suas próprias casas. Quase me esqueço: Puebla é a mais católica das cidades mexicanas (dizem), talvez por possuir 365 igrejas!
Aliás creio que o México seja o país com o maior número de igrejas no mundo. É só um palpite, porque são muitas delas, por toda parte. De todas que visitamos, uma me chamou a atenção de maneira especial. Vou terminar o post de hoje mostrando um pouco dela, a Capilla del Rosario, porque é uma verdadeira joia arquitetônica e decorativa do barroco mexicano. Aliás, se o leitor voltar para a primeira foto deste post, lá estará sua magnífica cúpula.
A Capilla del Rosario encontra-se dentro da Iglesia de San Domingo, no centro histórico de Puebla. Foi construída no século 17 e ao seu tempo foi considerada a oitava maravilha do mundo. O trabalho de gesso em revelo revestido de folhas de ouro é muito impressionante.

Capilla del Rosario: ao entrar, é um impacto imediato. (Fonte: Mônica Sayão)
Capilla del Rosario: gesso com folha de ouro e cerâmica Talavera! Parece uma combinação extravagante, mas não é! (Fonte: Mônica Sayão)
A cúpula da capela: difícil desviar os olhos. (Fonte: Mônica Sayão)
Capilla del Rosario: deslumbramento total! (Fonte: Mônica Sayão)

As cidades coloniais mexicanas foram uma surpresa fantástica para nosso grupo. Voltaram todos encantados! E não mostrei neste post nem a décima parte do que visitamos. Há muito o que ver! Fica aqui minha sugestão.

Notícias Relacionadas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *