Bennu já chegou por aqui



Têm sido frequentes as notícias da Nasa sobre “Bennu”, o asteroide que está em rota de colisão com a Terra. Supõe-se que ele seja um ilustre testemunho da formação do sistema solar, com idade aproximada de mais ou menos 4,5 bilhões de anos.
Embora a data mais provável do encontro esteja no calendário do século XXII, o Brasil está na rota de colisão de outros bólidos de efeito devastador. É bem provável que, neste transcurso, nem quirera sobre antes de Bennu chegar.
Muitos deles têm pedregulhos soltos, tão destrutivos quanto os do asteroide. Agem ininterruptamente, de manhã, de tarde e de noite tramando como tornar impossível a governabilidade de Jair Bolsonaro. Além da oposição, há os percalços com a família e da constelação peselista.
Mas falando dela, a oposição tem feito de tudo para engrossar o caldo ao obstar e protelar projetos do governo, como se não houvesse amanhã. Atestar a incompetência e o suposto mal caratismo de Jair Bolsonaro é a vingança mais doce do PT e seus penduricalhos. Não há um único dia em que as maritacas raivosas do partido não tumultuem as plenárias e votações com gritarias, ofensas e empurrões.
A tática às vezes funciona e tira alguns do sério, artimanha que os mais novatos ainda não aprenderam. Enquanto se estapeiam, o brasileiro continua só com seu talento de sobreviver como quase nada.
Todas as vertentes políticas sabem que, para tirar o país dos parcos índices de crescimento e gerar empregos, é preciso união de esforços. Mas a agenda do país é o que menos conta para os políticos. Todos querem saber como é dividido o fundo partidário e quem se mantém no poder para administrá-lo. Não há patriotismo nessa trincheira. Por isso, há sopapos verbais nos bastidores, inclusive no entorno do presidente e seus pares, como estamos vendo nesta semana.
Como pano de fundo desse cenário sofrível estão os filhos do presidente, que se portam como adultos mimados e pressionam por cargos e status na República. Fossem filhos dos meus pais já teria sobrado tabefes e um canto de parede bem frio para cheirar.
Nas últimas eleições, a expectativa geral era a de que haveria uma depuração no congresso e no senado, com a derrota de inúmeras figuras da velha política. Mas isso não aconteceu. Os novatos aprenderam rápido a dinâmica e a fisiologia da estrutura político-partidária nacional e agora lançam mão das prerrogativas que têm dado certo há décadas. E, quem ficou de fora do último pleito está vivo nos bastidores esperando a hora de embarcar de novo.
Em meio a esse caos, o STF e suas eminências põem a Constituição de joelhos e metem o bedelho para legislar atividades econômicas também. Não basta a vexatória defesa dos corruptos que os indicaram aos cargos na alta corte, com quem mantêm relações umbilicais. Estranho ver como três deles pedem reunião com o presidente justamente neste grave momento. Óbvio que é para barganhar. Bolsonaro é o capitão que comanda Sérgio Moro, o bicho-papão do PT e o único que não vai se vender.
Há quem diga: “esses encontros são normais, fazem parte da rotina”. Não são não. Acredita quem quer. Esse alinhavo não ajusta as peças para um bom acabamento. Vão continuar tortas. Se quiser cumprir a agenda do país, Bolsonaro precisa parar de se envolver com política e gerir para todos. O brasileiro está escaldado de promessas, não suporta mais tanto bate-boca.
Se tentar aterrissar por essas paragens, Bennu vai se desintegrar antes de tocar o solo. O bombardeio diário dos pedregulhos daqui é mais potente.

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