O cheiro do frio

(Imagem: Janet Vanderhoof)

– ah, e frio tem cheiro agora, besta?!,
dirão meus críticos cruéis e principalmente eu, meu crítico mais cruel.
Mas o fato é que o frio tem cheiro, sim, senhor, principalmente quando você passa por uma anormal onda de calor nessa época de maio.
(parênteses para explicar que, aqui em minha aldeia, 35 graus é onda de calor – no Rio teria gente usando japona com essa temperatura)
E que é subitamente interrompida por uma deliciosa frente fria – a previsão pra essa madrugada é de civilizados 12 graus.
Friô. Que bom, viu?
O fato é que acordei hoje as 6h e cumpri meu ritual diário:
moer um café, passar um café, açambarcar a caneca fumegante com as duas mãos, abrir a janela e…
(pausa epifânica ao som de Yes tocando “Soon”)
… respirar, com todos os poros, o cheiro do frio, aquela massa indefinível, mas claramente perceptível, formada por mato, orvalho, gotas coloridas de chuva, luz do sol…
E o suave e sublime som do amanhecer.

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