Elizabeth Taylor é o meu refúgio

Quando o mundo fica feio demais para que eu o suporte eu me refugio em Elizabeth Taylor.
Linda demais… Foto: Clarence Sinclair Bull

Eu queria mesmo era ser possuidor de um verdadeiro poder super-heróico literário para descrever as imagens da incrível bem-aventurança que me invade por inteiro quando lembro de Elizabeth Taylor.

Só posso comparar Elizabeth Taylor com o que de mais sublime há em outras esferas:

Ela é Frank Sinatra cantando All of Me – meu Deus, isso está TÃO DISTANTE do mundo ordinário de hoje, tão distante! Com o fraseado da voz de Frank, preguiçosamente flutuando sobre a cama de metais, levando o corpo todo num groove sincopado de harmonia e pureza.

Ela é o bolo Pullman, com calda quente, que nossas avós faziam, engolidos sofregamente com guaraná caçulinha, deixando farelos de brigadeiro e alegria na toalha xadrez, na boca e na alma.

Ela é uma tarde de outono no Rio, com pores de sol secretos na Urca e no Humaitá, com chicabons antecipando o frio em abril quando havia frio e amores de outono cariocas.

Ela é o corpo da mulher amada buscando o seu na madrugada, na rotina mais doce e quanto mais doce porque mais se repete e se torna mais doce.

Ela é “os casacos de flanela e All Star azuis da adolescência”, quando os ossos pareciam de adamantium e a alma flexível e os amigos pareciam ser para a eternidade e mais uma manhã.

Ela é uma tarde de cinema no Metro Boavista, a chuva lá fora nos tornando pessoas melhores, com chocolate e Coca-Cola à vontade e quase nada nos bolsos, quase nada para lembrar também.

Elizabeth Taylor é a antítese e a nêmesis da vulgaridade, rainha Midas que transmuta tudo que toca em simetria e boniteza, mensageira de uma era onde tudo era mais sutil e delicado, era de Sinatras e Clints, de Cole Porters e Hemingways, de Guimarães Rosas e Jobins.
Elizabeth Taylor integra todas as eras sob seu manto cintilante de inescrutável perfeição violeta.

Quando o mundo fica feio demais para que eu o suporte eu me refugio em Elizabeth Taylor.

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