Ela repassou a vida até aquele momento


Num flash. Num átimo.
Tinha se sentido, por muitas vezes, sei lá, um fitoplâncton em meio ao oceano.
Um krill.
À deriva.
Levada ao sabor dos ventos e por decisões que nem sempre foram as certas.
Ela tinha errado pacas, que droga.
Mas, no frigir dos ovos – adorava essa expressão! – , no fechar das contas, no passar da régua, o balanço era bom.
Ô se era!
O caminho podia ter sido de cascalho e granito picado mas agora a estrada se abria em uma curva suave.
O chão era de tijolos amarelos, como naquela música de Elton John.
E, se ela subisse a colina, tinha a certeza de que haveria um porto colorido do outro lado.
Com um barco atracado e lugar para mais um.
Ela tinha um bilhete só de ida para onde ela desejasse ir, agora.
Um lugar de nome sonoro e onde seus sonhos seriam doces, à noite.
Córsega. Sardenha. Madison. Wichita Falls. Costa da Califórnia.
Não importava.
Como na canção dos Beatles, o mundo agora estava sob seus pés.
A semana estava só começando, o sol estava chamando.
A vida também.
Ela calçou as havaianas e foi.

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