VW revende carros a diesel recolhidos nos EUA


O que é um problemão para uns, pode se transformar em uma boa oportunidade para outros. Você provavelmente ouviu falar do “Dieselgate”, escândalo protagonizado pela Volkswagen nos EUA em 2015 e que obrigou a empresa a modificar e recomprar (caso esse fosse o desejo do consumidor) cerca de 380 mil carros naquele país, por conta de um “truque” que, durante vistorias, fazia com que motores a diesel simulassem menos emissões de poluentes que o real. Até o final de 2017, mais de 250 mil desses veículos haviam sido recolhidos, sendo a maior parte guardada nesses gigantescos pátios que você vê na montagem (acima) que ilustra este post. Modelos da Audi com a mesma motorização também entraram na dança. Recondicionados (com o problema da emissão resolvido), eles estão sendo novamente vendidos, como usados, pela própria VW. Seu preço é de aproximadamente 50% do de um 0 km, eles são totalmente revisados e têm garantia de quatro anos. Mesmo com toda a queimação de filme a eles relacionada, segundo a marca, estão (re)vendendo bem. Vamos à história.

Diesel limpinho
Em 2014, a Volkswagen fazia uma forte campanha de marketing nos EUA. Reconhecida na “terra do automóvel” pelo Fusca e e pela Kombi e, mais tarde pelo Rabbit – nome com o qual o Golf foi vendido às pencas por lá, entre 1975 e 1984 –, a marca alemã esperava abocanhar novamente um bom naco do mercado com modelos a diesel. Se na Europa esse combustível era amplamente utilizado em carros de passeio, na América do Norte ele nunca havia emplacado, a não ser em caminhões e grandes picapes. Em parte, porque até não muito tempo atrás, comparados aos veículos movidos a gasolina, os carros a óleo ofereciam um desempenho geralmente inferior e eram mais barulhentos. Em parte porque, mesmo com as ocasionais crises do petróleo, o preço da gasolina na América não era algo com o que os americanos se preocupavam tanto assim e a economia proporcionada pelo diesel não era algo tão atraente. Agora, porém, gastar menos para abastecer passara a ser um dos critérios de compra. E a robustez e durabilidade dos propulsores a óleo também era algo valorizado.

Um último detalhe: proporcionalmente, motores a diesel tradicionalmente poluíam mais que os a gasolina, mas com o avanço tecnológico, os modernos TDI (turbodiesel) da VW prometiam baixíssimas emissões de gases – algo comprovado em testes –, se enquadrando com sobras na legislação dos EUA.
Wolfsburg, we have a problem…
Embora estivessem longe de ser tão baratos quanto o Fusca e o Rabbit e não tenham chegado a atingir os patamares sonhados pela marca para lá, os Jettas, Golfs e Passats venderam bastante. Isso até 2015 quando um escândalo praticamente paralisou as concessionárias VW no país. Novos testes haviam sido feitos e especialistas acusaram a Volks de ter programado o software sistema de injeção dos motores para “enganar” os sensores eletrônicos durante as avaliações de emissões. Depois de um tremendo bafafá, a empresa assumiu a responsabilidade pela “preparação” do software e se comprometeu a gastar nada menos que US$ 25 bilhões entre multas e compensações pelos prejuízos causados aos consumidores. Embora tenha sido tratada como “a grande vilã” nessa história, comentou-se em seguida que muitas outras marcas usavam artifícios semelhantes para burlar as medições de gases, não somente nos EUA, mas também na Europa. Justa ou injustamente (por ter sido a única), a Volks serviu como exemplo para que todas as demais se enquadrassem, rapidinho.
A pancada na VW foi tão forte, que ela passou por todo um processo de reestruturação, com a mudança dos executivos e o desenho de toda uma nova estratégia empresarial para o futuro, com um comprometimento muito maior com a sustentabilidade. Tanto, que, na Europa, a empresa pretende vender somente modelos híbridos e/ou elétricos até, no máximo, 2030.
Queima (limpa) de estoque
Da gigantesca frota recolhida e estocada, cerca de 30 mil carros – os que estavam em pior estado e não justificariam o investimento em peças e serviços – foram destruídos. Os demais, aos poucos, vão voltando às ruas. Como a VW já anunciou que, a partir de 2020, não vai mais vender veículos novos a diesel nos EUA, há quem diga que esse estoque pode até se valorizar, por conta da velha lei da oferta e da procura. Afinal, esses carros a diesel andam bem, têm mecânica robusta e confiável, consomem muito menos que os movidos a gasolina e, agora, poluem pouco também. E, somando tudo o que a montadora já teve de gastar com eles e por causa deles, devem estar entre os modelos “mais caros” do mundo.
Fonte: Blog Rebimboca

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