Test-drive com o Chevrolet Camaro SS conversível


Durante quatro dias, tive esse carrão azul conversível aí estacionado na minha vaga de garagem. Mas as melhores consequências desse fato foram justamente as ocasiões em que eu tirei ele da vaga e saí dirigindo por aí, Rio de Janeiro a fora, em passeios e trajetos do dia a dia. Vá lá que ele não é assim a coisa mais prática do mundo para se usar como meio de transporte urbano. Mas o que esse carro grande, ultrapotente e chamativo oferece de sensações e de diversão, compensa fácil qualquer incômodo que ele possa provocar, garanto. No vídeo acima, que produzimos para a TV Reebimboca e que estreia junto com este post, você poderá ver ele um pouco melhor, conhecer suas origens e ouvir seu mavioso motor de oito cilindros cantando lindamente.

Não tenho dúvidas de que carros assim como este estão com seus dias contados. Pelo menos os produzidos por grandes montadoras, como a General Motors, infelizmente. Eles não se encaixam praticamente nada com o conceito de sustentabilidade e de mobilidade urbana, não são econômicos e têm como principais atrativos adjetivos que qualquer pessoa que pense de forma um pouco mais racional e engajada considera quase como palavrões. Felizmente, a tal contagem dos dias para o apocalipse de modelos esportivos, musculosos, chamativos, barulhentos, beberrões e divertidíssimos como o Camaro ainda não parece estar assim tão próxima do fim e, por isso – viva! – pude tirar essa onda toda sem maiores problemas. Tá certo que, aqui e ali, tive a nítida impressão de que parte das pessoas que olhava para o carro – e todo mundo, do bebê à vovó, olha para ele, que é uma espécie de ímã para a atenção geral nas ruas – ficava decepcionada ao notar que, ao volante, não estava nenhum jogador de futebol ou cantor famoso. Ainda assim, a convivência foi ótima.

O Camaro SS é pura tradição americana: tem um enorme motor V8 de 6.2 litros (isso mesmo, pouco mais de SEIS VEZES maior que um 1.0) aspirado (nada de turbos!), tração nas rodas de trás e um desenho de carroceria suntuoso. Um autêntico muscle car. A diferença dele em relação àqueles carrões que ficaram famosos nos anos 1960 e 1970 é que, por ser uma máquina do final da segunda década do século XXI, ele é extremamente estável, seguro e fácil de guiar. E, de quebra, é também comparativamente econômico e menos poluidor – quatro de seus cilindros chegam a ser “desligados” quando não são necessários. Consegui, rodando na cidade, uma média de quase 5 km/litro, o que considero muito bom para os mais de 460 cv e os 62 kgfm de torque que ele coloca à disposição de nosso pé direito. Racional? Não, ufa, ainda não. Mas certamente bem mais civilizado.

E desse banho de civilização fazem parte quase todos os acessórios e recursos que fazem com que os carro contemporâneos sejam menos cansativos de se dirigir. Faróis elimpadores de para-brisa que se acionam sozinhos, espelho retrovisor interno “virtual” (é uma tela de alta definição que resolve o problema da poucoa visibilidade), multimídia completa, bom acabamento e um teto de lona que abre e fecha em pouco mais de 20 segundos com o toque em um botão (ou pelo controle remoto, na chave) e que também isola muito bem a cabine do calor e dos ruídos. Os banco também são ótimos. Isso na frente, porque, atrás, eles são quase que decorativos. Menos pelos encostos, mais pelo exíguo espaço para as pernas – pelo menos quando pessoas de estatura mais alta, como eu, estiverem ao volante e no carona. Como fru-fru extra, há frisos com lâmpadas de led ao longo dos painéis das portas e outros cantos e que podem ser configurados para acenderem em sei-lá-quantas cores diferentes. Discoteca perde.

O melhor de dois mundos
Com isso tudo, o Camaro atual consegue juntar o melhor de dois mundos. Ele oferece quase todas aquelas sensações, velocidade e o charme cavalar daquelas versões originais do final da década de 1960 e, ao mesmo tempo, entrega essa alta performance com muito mais conforto, segurança, confiabilidade e controle – desde que você não desligue as parafernália eletrônicas todas, claro.

Por um botão no console, você pode escolher entre quatro modos de condução do Camaro SS: neve (que, para a gente aqui, vale para qualquer piso escorregadio), normal, sport e pista. E ainda há funções de largada – para fazer arrancadas mais rápidas, sem perder tração – e burn out, ou fritada de pneus à moda americana, que ativa os freios dianteiros enquanto você afunda o pé no acelerador e as rodas traseiras detonam os penus caríssimos só para que possa se exibir tossindo no meio da fumaceira. Eu até usei a opção Sport, de farra, em retomadas e acelerações. Mas, no dia a dia, acredite, o que o “normal” oferece em termos de perfórmance já é uma dez vezes o necessário. O carro é muito bom de curvas e a suspensão é firme sem ser dura. Diversão garantida sem cansar.

No final das contas, o Camaro é um tremendo companheirão, tanto para os passeios a dois, quanto para farras em track days num autódromo. Um segundo carro que, pelo menos eu, adoraria ter na garagem. Tanto que, ao final dos poucos dias que passamos juntos, desapegar dele não foi nada fácil.
Um pouco de história
Se hoje, especialmente aqui no Brasil, o Camaro é um carro para poucos, quando foi lançado nos Estados Unidos, em 1966, a coisa era bem diferente. Dois anos antes, a Ford tinha colocado nas ruas um esportivo pequeno, potente e barato – para os padrões americanos, claro –, o Mustang. O sucesso foi muito além do que a própria montadora esperava e, logo, milhões daqueles cavalinhos galopavam pelas as ruas.

O Camaro foi a resposta da Chevrolet para tentar abocanhar uma fatia daquele novo e aquecido segmento do mercado. Embora nunca tenha batido o rival em volume, o carro fez sucesso, vendendo muito bem. Os chamados muscle cars – que como esses dois aí traziam motores superdimencionados para seu porte e peso – reinaram beberrões e satisfeitos até o começo dos anos 1970, quando a crise do petróleo fez com que só tornassem brinquedinhos caros de se usar e ganhassem versões mais mansas, econômicas, racionais – e profundamente sem graça.

A evolução do Camaro através dos tempos

Os esportivos clássicos pareciam fadados à extinção e o Camaro deixou de ser produzido em 2002. Há alguns anos, porém, com o petróleo cotado a preço razoável – pelo menos para os norte-americanos –, esses parrudões voltaram, aos poucos, a sua receita original. assim, em 2010 o Camaro ressurgiu nas lojas. Só que, como seus concorrentes de então, direcionado a um público bem menor e mais específico, disposto a pagar um pouco mais para ter um carro americano “de raiz” na garagem.
Sim, porque por bem menos que um Mustang ou um Camaro, há na Terra do Tio Sam um monte de opções bem mais confortáveis, econômicas e práticas de automóveis de marcas japonesas e coreanas disponíveis. Por que então comprar um troço tão pouco prático como esse monte de aço pintado de azul aí? Pelas sensações que ele proporciona e que, ainda agora, passadas umas duas semanas desde que nos separamos, me deixam com uma tremenda saudade dele. Confira no vídeo.

Camaro SS conversível 2019
Ficha técnica – dados do fabricante
Motor: longitudinal a gasolina,
8 cil. Em V, 16 válv.
Potência: 461cv @ 6.000rpm
Torque: 62,9kgfm @ 4.400rpm
Rotação máx: 6600 rpm
Transmissão: Aut. 10 marchas
com troca manual no volante
Tração Traseira
Desempenho:
Acel. 0-100km/h em 4,2 seg.
Vel. Máx. 290 km/h
Freios: discos ventilados
nas 4 rodas (Brembo)
Direção: elétrica
Suspensão:
Dianteira tipo Mc Pherson
com barra estabilizadora
Traseira multi-link independente
Controles eletrônicos:
de tração (TCS) e estabilidade (ESP)
Rodas/pneus (run flat):
Diant – 20×8.5/245/40 ZR20
Tras. – 20 x 9.5/275/35 ZR20
Dimensões (mm):
Comp. 4.784
Larg. Total (espelho a esp.) 2.064
Altura 1.349
Entre eixos 2.812
Capacidades (litros):
Tanque de comb. 72
Porta-malas 208
Coef. Aerod: (Cx) 0.39
Peso (Kg): 1.800
Preço (modelo idêntico ao mostrado no vídeo): R$ 365.990
Fonte: Blog Rebimboca

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