SP2, um VW clássico inteiramente criado no Brasil

VW SP2

Fica difícil imaginar que, um dia, a VW do Brasil teve autonomia suficiente em relação a sua matriz alemã para criar e lançar modelos originais por aqui, mas isso acontecia nos anos 1970. O belo carango que você vê acima e que foi clicado esta semana pelo leitor Júnior Gurgel em Belo Horizonte, é um exemplo disso. Motivado pela foto que recebi dele, resolvi falar um pouquinho sobre o carro aqui neste post.

VW SP2 anúncio de época

Em 1972, a VW “causou” ao colocar nas lojas um esportivo de linhas elegantes e acabamento requintado. Conhecida – e respeitada – por ser a “marca do Fusca”, a montadora alemã estava tentado mostrar que, além de carros práticos, robustos e baratos, também era capaz de produzir modelos sofisticados e mais exclusivos. O SP2 não era o primeiro modelo além do besouro, da Kombi e do Karmann-Ghia que a Volks lançava no Brasil – antes já haviam chegado o TL, a Variant e o Sedã de 4 portas. Mas era de longe o mais caro.

VW SP2 estudo Marcio Piancastelli

O SP2 tinha como base o chassi da camionete Variant (veja no estudo de design acima) e um motor traseiro boxer refrigerado a ar “deitado” idêntico ao de 1600cc do restante da linha da época, mas ligeiramente “bombado”, para 1700cc e para atingir uma dezena de cavalinhos a mais de potência: 75 cv e cerca de 13 kgfm de torque, que deslocavam seus pouco menos de 900 kg.

VW SP2 – desenhos de Marcio Piancastelli

Naquele tempo, o principal “astro” do segmento dos esportivos por aqui era o Puma, construído em fibra de vidro por uma fábrica independente e que, àquela altura, usava a mesma mecânica da Volkswagen. Com carroceria em fibra de vidro, linhas bacanas e acabamento caprichado, o carrinho era bem mais rápido que os VW de série – como os esportivos (pelo menos em linhas) Karmann-Ghia original e Karmann Ghia TC – se tornou o sonho de consumo masculino da classe média alta. Há quem diga que a montadora lançou o SP2 para desbancá-lo.

Marcio Piancastelli e a maquete do SP2

O fato é que, no final de 1969, o departamento de engenharia da marca recebeu a incumbência de criar um carro esporte de linhas totalmente inéditas. O designer Marcio Piancastelli (1936-2015, na foto acima) tratou de pôr mãos à obra, com a colaboração dos colegas José Vicente Novita Martins e Jorge Yamashita Oba. Reproduzo aqui na página alguns dos desenhos originais dele, que garimpei em sites da Internet. Um pouco mais tarde, seria também Marcio o pai das linhas da Brasília – mas isso já é assunto para um outro post.

VW SP2 anúncio de época

Inicialmente, a ideia era lançar simultaneamente duas versões para o novo esportivo, cujo nome homenageava São Paulo (embora também haja criativos que digam que seu SP venha de Special Project). O SP1 teria acabamento mais simples e motor mais fraco, enquanto o SP2 seria mais forte e luxuoso. O modelo mais barato, foi logo tirado de linha a quase nem chegou às lojas.

Interior do VW SP2

Custando o equivalente ao preço de dois Fuscas na época e sem apresentar um desempenho que estivesse à altura de suas linhas (o Puma continuou mais rápido…), o SP2 nunca chegou a ser um estrondo de vendas. Até sair de linha, no final de 1976, mais de 10.200 unidades foram fabricadas. Naquela época, o próprio Marcio Piancastelli chegou fazer alguns estudos para um SP3, que utilizaria a mecânica mais moderna e forte do Passat – motor dianteiro refrigerado a água –, mas o carro nunca saiu da prancheta.

VW SP2 anúncio de época

Hoje o SP2 é bem valorizado como peça de coleção e é difícil encontrar um em bom estado para comprar por menos de R$ 50 mil. Nos últimos anos, vários exemplares foram até “exportados” para a Europa e os EUA. Além da raridade e da peculiaridade de ter sido projetado no Brasil e de só ter sido produzido aqui, ele é considerado por muitos dos aficionados como “o Volkswagen mais bonito de todos os tempos”.
Fonte: Blog Rebimboca

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