Avaliação em dose dupla: HB20 hatch e sedã

No ano passado, depois de sete anos de mercado, o Hyundai HB 20 foi remodelado (rimou!). Embora mantenha a mesma plataforma da geração anterior, a atualização deu ao carrinho um frescor de novidade, algo fundamental na briga para se manter entre os modelos mais vendidos do país. Em março, pouco antes do início da quarentena pelo Covid-19, tive a oportunidade de testar o HB20 em suas duas configurações, hatch e sedã, ambas na versão topo de linha, Diamond Plus. Mais do que uma simples avaliação de um determinado modelo, o test-drive que você pode conferir no vídeo da TV Rebimboca, acima e também neste post, acabou sendo uma ótima oportunidade para comparar a praticidade de dois tipos de carro compacto.

Embora praticamente idênticos para dirigir, o HB20 hatch e o o S, o sedã, ficam muito diferentes em duas principais ocasiões, meio óbvias até. A primeira é a hora de se estacionar. Mesmo com a boa câmera de ré e os sensores de distância ajudando bastante em ambos, o dois volumes, mais curto e com seu vidro traseiro instalado “no fim do carro”, é evidentemente bem mais fácil de encaixar em vagas apertadas. A segunda é a hora de guardar as compras do supermercado – ou embarcar a bagagem para viajar. E aí é claro que o sedã ganha fácil em espaço.

Fiz o meu habitual “teste de carga” com as duas versões, literalmente entrando nos porta-malas.

O espaço, claro, é muito maior no bagageiro do sedã, que entretanto, tem uma boca de entrada menor que a proporcionada pela grande tampa traseira do dois volumes. No hatch, consegui acomodar uma boa quantidade de compras de supermercado, embora tenha sido forçado a transportar parte delas sobre o banco de trás. Isso porque fui preguiçoso.

Como estávamos em dois, poderia ter dobrado o encosto do banco traseiro e, então, acomodado ali até suprimentos para uma pequena expedição.

Alguns concorrentes fizeram diferente

Se a Hyundai tivesse construído o novo HB 20 S com a mesma lógica com que a Chevrolet projetou seu Onix Plus e a Volkswagen o seu Virtus, o sedã coreano também teria vantagem no espaço interno, especialmente para quem vai sentado atrás. Mas, não.

Enquanto os três volumes da Volks e do General Motors têm uma distância entre eixos maior do que o Onix e o Polo hatch, o carro da montadora coreana mantém nos dois a mesmíssima medida.

Não chega a ser apertadíssimo, mas ganharia pontos importantes contra os concorrentes se fosse um pouquinho mais folgado.

 

Mas vocês querem mesmo saber qual foi a principal diferença que eu notei entre os dois HB20 – e que, inclusive me faria escolher um dos dois em caso de compra? Respondo sem criar falso mistério: o design. É claro que isso é uma questão de puro gosto pessoal, mas para mim, o desenho da carroceria do sedã ficou muito mais interessante – e atraente – que o do hatch.

Esclareço que não estou entre os que acharam a nova frente desses carrinhos feia. Vá lá que não são os traços mais bonitos do mundo, mas achei o conjunto simpático, me lembrando um pouco aquelas “bocas” dos carros esportivos europeus – e, também, de alguns americanos – dos anos 1950-1960. E, enquanto a traseira do dois volumes se parece com a de outros tantos modelos que rodam por aí, sem maiores personalidades, a retaguarda do sedã é bem mais marcante, sem ser desarmoniosa.

Interior caprichado

 

Por dentro, o compacto da Hyundai melhorou bastante em relação a sua geração anterior.

O desenho geral continua sóbrio e chega a contrastar com certas ousadias de linhas na carroceria.

Mas o aspecto geral é muito bom, com plásticos que passam uma boa sensação e um acabamento bem caprichado em bancos, painéis e forrações.

 

O painel tem um grande conta-giros analógico e o restante das informações – incluindo velocidade e medidores – em uma pequena, mas bem visível, tela digital. Simples e funcional. A única coisa que destoa é o botão de seleção das funções do computador de bordo, que fica no próprio painel, junto aos mostradores, atrás do volante, na forma daquele clássico pininho usado só para zerar o hodômetro parcial na maioria dos outros carros. Com comandos para outras funções – como piloto automático e telefone – no volante, não custava que o controle do útil computador estivesse ali também, ou em uma alavanca orbital, como é mais comum atualmente.

Puxa bem.

Em ação, o HB20 mostra porque faz tanto sucesso. Especialmente com esse motor 1.0 de três cilindros turbinado, que nesta remodelação de linha, ganhou injeção direta e mais uns tantos cavalinhos – são 120 cv de potência. Com bom torque (o máximo é de 17,6 kgfm) já em baixa rotação, ele dá e sobra para que ambas as versões sejam ágeis e até divertidas de guiar. Especialmente quando você escolhe o momento de trocar as marchas do câmbio automático de seis velocidades, usando as borboletas atrás do volante.

Enquanto nas rotações mais baixas, mal se nota seu funcionamento, com o pé mais fundo no acelerador e os giros mais altos, o ruído e as vibrações do motor crescem bastante, mas não chegam a ser um incômodo digno de registro. O acerto da suspensão é bem feito e os dois carrinhos são macios, mas firmes o suficiente para fazerem curvas bem direitinho.

Ao volante, ergonomia é boa, mesmo para um sujeito alto e pernudo como eu. Painel, comandos, espelhos, tudo está ao alcance dos olhos e/ou dos dedos. Por falar em espelho, me chamou a atenção o fato de o retrovisor interno ter sistema antiofuscante acionado por alavanca, e não automaticamente. Isso porque, na versão topo de linha Diamond Plus, o HB20 traz de série itens como controle de saída de faixa na pista, airbags laterais e até um sistema de frenagem automática em caso de colisão iminente, além de chave presencial e partida por botão, boa multimídia e mais uma farta lista.

A falta do espelho fotocrômico acaba não fazendo muito sentido, ao menos para nós, que não fazemos as contas de custos de produção nem montamos estratégias de vendas, claro.

Outro ponto que me decepcionou um pouco foi o consumo. Enquanto concorrentes com essa configuração de motor turbo de três cilindros se destacam por serem quase abstêmios, o HB20 bebe praticamente como um 1.6. Segundo o Inmetro, são até 12 km/l de gasolina na cidade e até pouco menos de 14 na estrada.

Vale a pena?

Mas vamos a pergunta que todos os que fazem essas avaliações precisam responder: você compraria um HB20 2020? Bom, seus principais concorrentes diretos são as linhas Polo, da VW, Onix, da Chevrolet, Yaris da Toyota, Argo, da Fiat e Fit e City, da Honda. Nessa turma toda, acho que o pequeno Hyundai é um bom competidor e tem entre seus atributos a confiabilidade, o bom pós-venda e seus cinco anos de garantia. Uma receita interessante para quem não quer se aborrecer. E se não é o mais estimulante do segmento, com esse conjunto de motor e câmbio e sua ótima estabilidade, está longe de ser burocrático. Como disse, ali atrás, entre esses dois, escolheria o sedã e, sim, colocaria o HB20 entre minhas principais opções de compra no segmento.

Ficha técnica (dados do fabricante)

Motor: 1.0 Turbo, 3 cilindros, transversal de 998 cm³,

flex com injeção direta

Transmissão: automática de 6 velocidades, tração dianteira

Potência –120 CV (etanol e gasolina)

Torque 17,5 kgfm (etanol e gasolina)

Aceleração de 0 a 100:10,7 Segundos;

Velocidade máxima: 191 KM/h;

Consumo: Cidade (E) 8,8 km/l (G) 12,7 km/l

Estrada (E) 11 km/l (G) 15,7 km/l

Direção – com assistência elétrica;

Freios – ABS Disco ventilado diant. e tambor tras.

Suspensão:

dianteira – tipo McPherson com barra estabilizadora, roda tipo independente e molas helicoidais

Traseira – eixo de torção, roda tipo semi-independente e molas helicoidais

Dimensões (Sedã/Hatch, mm):

Comprimento – 4.260/3.940

Distância entre-eixos – 2.530 (ambos)

Largura – 1.720 (ambos)

Altura – 1.470 (ambos)

Peso (kg) – 1.120/1.071

Capacidades:

Porta malas (litros) – 300/475

Carga útil – 420 kg

Tanque de combustível – 50 Litros

Preços (veículos iguais aos do vídeo, julho 2020):

HB20 1.0 Diamond Plus – R$ 78.940,00

HB20 1.0 S Diamond Plus – R$ 82.240,00

Fonte: Blog Rebimboca

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