Afinal, vale pagar mais pela versão top de linha da S10?

Passei uma semana – e mais de 600 km – com essa S10 High Country das fotos. Neste post e no vídeo que produzimos para a TV Rebimboca (acima), falo sobre como foi essa convivência e tento responder a pergunta do título.

Faz tempo que as picapes brasileiras seguiram uma tendência nascida lá nos Estados Unidos e ganharam versões assim, mais arrumadinhas, com recursos e visual para ficarem um pouco menos xucras e, vá lá, mais apresentáveis quando saem da terra para o asfalto, da roça para a cidade, do celeiro para os estacionamentos de shopping. O banho de loja foi suficiente até para que muita gente passasse a comprar esses utilitários para usar como carro de passeio, principalmente antes dos SUVs, os utilitários esportivos de carroceria toda fechada, tomarem conta do mercado. Só que, enquanto a imensa maioria dos SUVs é mais de atores fantasiados do que realmente aventureiros e resistentes, as picapes como essa S10 aí são duronas de verdade.

 

 

Dá até pena pensar que um carro desses possa passar toda a sua vida sem conhecer e viver a realidade para a qual foi pensado, projetado e fabricado. Pra mim, isso é mais ou menos como comprar um cavalo na para mantê-lo na área de serviço de um apartamento e só sair para cavalgar no playground.

 


Daí que, quando me ofereceram para testar essa High Country tão branquinha aí, confesso, a primeira coisa em que pensei foi num modo de deixar ela bem suja. E se Freud não explicar essa minha tara, espero que o que você verá no vídeo ajude você a me entender um pouco melhor.

Não é um carro de passeio

Já mencionei isso em todos os outros vídeos sobre picapes desse tipo aqui na TV Rebimboca, mas não custa repetir: mesmo com todos os itens de conforto e de segurança que essa S10 traz de fábrica, ela está bem longe de ser um automóvel de passeio. É bem maior, mais pesada e mais alta que a maioria dos carros, e mesmo SUVs mais comuns. E isso quer dizer que ela e outras do gênero devem ser dirigidas de um modo um pouco diferente também, com muito mais cuidado com curvas, freadas e manobras. Basta guiar por alguns quilômetros que você logo percebe os efeitos de ela ter um centro de gravidade mais alto e sente a transferência de peso, bem maior que a de um carro, em freadas e retomadas.

 

 

Junte a isso um motorzão cheio de força e disposição e um câmbio automático bem ágil, como nesse modelo aí, e o resultado é um veículo que pode chegar a velocidades altas rapidinho: essa vai de zero a 100 km/h em pouco mais de 10 segundos e chega aos 180 km/h de máxima (limitados eletronicamente). Por isso, antes de virar a chave desses monstrinhos, lembre-se do que dizia o tio Ben do Peter Parker, o Homem Aranha: com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. É preciso bom senso e juízo.

 

 

Por outro lado, todos esses excessos, de tamanho, peso, altura e força, fazem a experiência de se dirigir essa picape seja bastante divertido e prazeroso. Mesmo com a lotação esgotada a bordo, como em nossa viagem, e com uma boa quantidade de bagagens na caçamba, a sensação que se tem é que seus poderes são mesmo ilimitados. Basta triscar no acelerador que os 51 kgfm de torque apareçam animados, deslocando suas pouco mais de duas toneladas como se fossem um peso-pluma.

Ronronando como uma onça

O ronco do motor diesel é uma delícia, mas o bom isolamento acústico e um sistema chamado CPA, que diminui as trepidações sob o capô, o mantém em um nível musical, e não tão invasivo. A direção com assistência elétrica é até bem direta e dá uma sensação de que o carro está sempre na mão. Os freios dão conta do recado – desde que observado o juízo que eu mencionei ali atrás. Além disso, a posição de dirigir é bacana, ajudada pelas regulagens elétricas no banco. Sempre lembrando que se trata de uma picape, e não de um daqueles carros de passeio que “vestem” o motorista.

 

O conforto para os passageiros é tão bom quanto, com muito espaço e bons assentos e o ar-condicionado também merece elogios. Quem vai no banco de trás, claro, vai sofrer um pouco quando o caminho trouxer buracos e outros obstáculos porque, lembremos, trata-se de um carro utilitário e sua suspensão traseira, embora bem calibrada, está ali para aguentar trabalho duro.

 

 

Senti falta de mais ganchos para amarrar as bagagens dentro da caçamba, onde são apenas quatro. Coberta por uma boa capota marítma de série nesta versão (boa contra a água, nem tanto assim contra a poeira…) é de se esperar que seja usada também como porta-malas, mas para evitar que sua bagagem vire cubo de gelo em coqueteleira, são precisos alguns esticadores elásticos e um pouco de arte. Com mais pontos de amarração, claro, a arte necessária seria um pouco menos complexa.

Definindo o personagem:

Acho que a S10 High Country é uma espécie de “peão em dia de baile”. Um carro de trabalho pesado, só que vestido com a melhor roupa, botinas lustradas, perfumado, com o cabelo penteado e flor na lapela. Nada de muito fru-fru, não, sem exageros. Só o suficiente para poder entrar no salão e tirar uma onda de galã de vez em quando. Mas basta que apareça pela frente uma estradinha de terra, um caminho empoeirado para o sítio, um ladeirão esburacado, uma lamazinha de chuva de verão, que ela se logo se empolga, põe as manguinhas de fora, deixa a pose de lado e revela sua verdadeira personalidade – e vocação.

Para responder, finalmente, a pergunta do título

Mas afinal, Dr. Rebimboca, chega de enrolação: você gastaria pouco mais de R$ 213 mil numa picape High Country? Bom, se eu estivesse procurando uma picape nacional desse porte e com esse perfil, a S10 estaria entre as minhas opções. Mas com esse mesmo torcudo motor a diesel, tração 4×4 e cabine dupla, há outras versões da mesma S10. A mais barata delas é a bem menos equipada LT, que custa R$ 181.290. E, com boa parte dos acessórios dessa do vídeo, há ainda a versão LTZ, que custa a partir de R$ 206.190.

No pacote desse modelo mais caro há, porém, três itens de segurança que merecem destaque e que não estão nas irmãs mais simples: além dos air-bags duplos frontais que são padrão na linha, há outros dois pares, laterais e de cortina. E também estão lá um alerta de colisão frontal e outro para a saída de faixa no asfalto. Além disso, a tela da multimídia é maior, o ar-condicionado tem comando digital e as lanternas usa lâmpadas de LED. De resto, todas as outras diferenças são apenas estéticas e estão no modelo das rodas, santantônio, adesivos, emblemas, revestimentos de maçanetas, molduras, bancos etc.

Pondo tudo isso na balança, a menos que se esses pouco mais de sete mil reais me fizessem muita falta, eu escolheria a High Country, sim. Mesmo sem dar tanta importância aos diferenciais meramente estéticos, por menos de 4% a mais do valor total do carro, levaria uma picape com itens de segurança bem relevantes. E, pra mim, esse é o tipo de item pelo qual eu pago mais caro, mesmo que alguns deles, caso dos air-bags laterais e de cortina, não pretenda usar nunca.

Confira quais são as principais concorrentes da S10 em nosso mercado (total de vendas em 2019):

1 – Toyota Hilux (40.408)

2 – Chevrolet S10 (32.166)

3 – Ford Ranger (22.221)

4 – VW Amarok (18.918)

5 – Mitsubishi L200 (10.226)

6 – Nissan Frontier (8.091)

E, agora, confira a Ficha técnica da versão High Country 2020

(dados do fabricante)

Motor

dianteiro, longitudinal, 4 cilindros, 2.800cc, turbinado, a diesel

Potência: 200cv

Torque: 51 kgfm

Desempenho

Velocidade máxima: 180 km/h

Aceleração 0-100 km/h: 10,3 segundos

Consumo (km/l): Cidade 8,5, estrada 10,6 (medição TV Rebimboca)

Transmissão

Câmbio automático de 6 marchas com modo manual

Tração traseira com opção 4×4 e reduzida

Direção com assistência elétrica

Freios dianteiros a disco ventilados, traseiros a tambor

Suspensão

Dianteira independente com braços articulados, molas helicoidais, barra estabilizadora e amortecedores telescópicos hidráulicos pressurizados

Traseira com feixe de molas semielípticas de 2 estágios e amortecedores telescópicos hidráulicos pressurizados

Dimensões (mm)

Comprimento total 5.408, Largura (carroceria) 1.874, Largura total (espelho a espelho) 2.132, Altura (máx.) 1.847, Distância entre eixos 3.096,

Altura do compartimento de carga 584, vão livre do solo: 228

Caçamba: Comprimento 1.484, Largura 1.534

Capacidades (litros)

Tanque de combustível 76, Caçamba (até a borda) 1.061

Rodas e pneus: Rodas em Alumínio 7,5J x 18, Pneus 265/60 R18″

Peso em ordem de marcha: 2.101 kg

Capacidade de carga 1108 kg

Preço a partir de R$ 213.290 (maio 2020)

Modelo idêntico ao do vídeo: R$ 214.090 (cor especial)

Agradecimentos: Ave Lavrinha

Fonte: Blog Rebimboca

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