Diário da crise XIX

Hoje discutimos economia na televisão. O tema era sobretudo recessão, desemprego, aumento de preço de alimentos, enfim temas urgentes.

Não tive oportunidade de introduzir uma ideia secundária mas que me parece interessante.

Por trás desse muro de lamentações mais do que justas, o capitalismo vai achando um caminho de se modernizar e se aprofundar, aliás como faz em quase todas as grandes mudanças.

O processo de virtualização da economia avançou muito. Milhares de pessoas foram lançadas no chamado home office. Certamente, os patrões vão descobrir as vantagens desse sistema, que economiza estrutura e possivelmente não reduz a produtividade.

Li no New York Times que a Amazon estava contratando milhares de novos funcionários para atender as demandas do comercio eletrônico.

As lojas físicas, inclusive livrarias que viviam uma crise, certamente serão atingidas em cheio. Mas outras lojas também já estavam perdendo espaço para o comércio eletrônico não sei se o recuperam depois da crise.

Empresas telefônicas devem ter aumentado seu faturamento, assim como empresas que exploram o stream, como a Netflix.

O próprio jornalismo avançou embora viva uma espécie de contradição: aumenta largamente sua audiência mas perde em faturamento.

Um amigo meu comprou um aspirador de pó pela internet. O prazo de entrega era de 30 dias. Chegou em 24 horas. Parece que estão ensaiando uma nova resposta.

Ao ver as cidades desertas, lembrei-me de Brasília quando deixava a Câmara voltava ao hotel para dormir. Ninguém na rua, exceto um pequeno grupo de prostitutas.

Era um pouco parecido com o que vira na Europa: cidades completamente desertas, sobretudo no inverno.

Participei em São Paulo num debate ao lado do filósofo alemão Peter Sloterdijk, autor de Critica da Razão Cínica. Lembro-me que numa divagação sobre o futuro arrisquei que as cidades do meio de século seriam desertas, cortadas apenas por entregadores de pizzas.

Era uma frase apenas para acentuar como a vida comum estava em declínio. Jamais imaginei que o futuro viesse nesse forma trágica, mas temo que as tendências que intui no passado devem se acentuar com o a passagem do corona vírus.

Fonte: Blog do Gabeira

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