A muralha de ferro

O livro que estou lendo, re-lendo e tri-lendo chama-se “A Muralha de Ferro”, Israel e o mundo árabe. Quem escreveu foi um professor de relações internacionais de uma universidade americana. Um judeu, com o nome de Avi Shlalin. Eu esperaria dele uma defesa automática de Israel, já pelo título do seu livro. Mas não. O autor Avi se coloca como um cientista examinando a vida de um caramujo sob o microscópio, sem simpatias exageradas pelo bicho e seus inimigos naturais.

Em seu livro, Avi conta histórias que poderiam ser de horror, pois trata das guerras seguidas pela criação do estado de Israel, desde o início, sempre contra os árabes. Nos fatos relatados, com uma concisão cínica, inexistem heróis. Nada de grandeza histórica.

A afirmação do povo judeu é melancólica e repetitiva, sempre buscando a vitória militar sob as ruínas esfareladas por bombardeios, deixando cadáveres estendidos debaixo delas. Esqueça do Holocausto, que o livro não trata disso. Os lideres que vão se alternando no comando das carnificinas, tanto do lado judeu como o árabe, são oportunistas, falsos, messiânicos.

A “Muralha” segue desmistificando os discursos patrióticos dos dois lados, que mentem sobre os reais objetivos do seu jogo político, sempre se contradizendo, o discurso substituindo os fatos objetivos, reais. Eu disse que estou tri–lendo esse livro para tentar me livrar da admiração que se costuma ter por vitórias militares. E também quero me tornar mais cético, vendo o ser humano como ele é, nunca alcançando mais do que 90 cm de altura.

Esse livro “A Muralha” é uma regra de três: bem aplicada ela resulta na constatação que na história da humanidade a liderança das nações quase sempre foi mesquinha, menor, ordinária. Chefes de Estado e chefes de gangues, são literalmente iguais. Independente disso, eu amo Israel. Mas isso
é outra história.

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