Walter Navarro

WALTER NAVARRO, Escritor e jornalista, colunista do Jornal O Tempo - BH e roteirista publicitário. Tem sua coluna publicada também nos sites USINA DAS PALAVRAS e EL THEATRO


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Eu sou a favor da pena de morte e vocês?

- “Abriram um bordel só com japonesas!”.

- “Oba! Onde?”

- “Em Tóquio...”.

Infamemente ótima, né? Piada de salão... Salão de lupanar... Contada pelo amigo Bodinho, num festivo fim de semana em Arraial d’Ajuda, a convite mui generoso do primo Paulo Navarro, aniversariante do dia 18.

Só não fiquei 100% feliz porque meu pai fazia aniversário no mesmo dia e ele não mora mais aqui...

Mas a turma garantiu três dias de boas risadas. Eu não ia à Ajuda há 24 anos! Daquela época, só restou a secular igrejinha. E o verde mar, claro. Sol e pitadas de chuva...

Tudo perfeito.

Só não fiquei 100% feliz por causa de um convidado bem trapalhão que prefere o anonimato (o arquiteto e artista-plástico, Saul Vilela).

Na primeira noite Saul quebrou minha televisão. O trapezista sentou-se na bancada de madeira que se inclinou e bum... Sem TV sou meio homem... Mesmo porque era o único sem mulher naquele paraíso...

Tentei descontar. Fui ao quarto dele e enfiei o pé na bancada, mas ela estava presa... Foi como chutar uma bola de futebol recheada de concreto... A pancada foi tão forte que o impacto me arrancou uma obturação...

Dia seguinte, fomos passear de carro. Meu pé tava mais inchado que o Lula... Eu com o braço de fora... Na manobra mais radical de Saul acertei uma caçamba com o cotovelo... Perda total... Da caçamba!

Mentira. Isso é outro caso do Bodinho. Mas, a parte da TV é verdade.

Sem ver jornais ou filmes de sacanagem – tudo “chicletes para os olhos” – comecei a pensar besteiras.

Primeiro; imaginei os portugueses chegando, há 510 anos, sem hotel, água, cerveja, uísque e bidê... Esses caras eram machos! Isso sem falar nos selvagens, suas flechas, bordunas e fome de Sardinha...

Em compensação tinha muita índia gostosa. Ou seriam tipo aquelas de peitos caídos da National Geographic? Bom, mas depois de meses num navio fedorento cheio de homem, até buraco em bananeira devia ser gostoso...

Lembrei também porque os portugueses fizeram sucesso com as silvícolas. Eles, ao contrário dos apressados e toscos nativos, eram mais safados. Apreciavam umas preliminares, umas lambidas, mãos bobas, dedos espertos... E ainda cantavam: “Deixe que minha mão errante adentre atrás na frente, entre”...

Como dizia a Leila Diniz: “Um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco”.

Ah! Tava tudo perfeito! Mas, na falta de índias e de um gato (o bicho) pra passar a mão, resolvi atacar as mulheres do grupo... Primeiro as casadas porque “a mulher ideal é sempre a dos outros” e são as mais carentes. Depois as solteiras desesperadas que podiam me esperar, divertindo-se com motoristas de táxi, de van, garçons, pedreiros e jardineiros...

Arrumei mais amantes que goleiro do Flamengo. Só não fiquei 100% feliz porque eram apenas dez e não gosto de repetir mulher no curto espaço de três dias...

Mentira! Só peguei turistas incautas porque, toda vez que vejo um alemão, me dá vontade de invadir uma polonesa...

Mas, eu estava no paraíso: duas piscinas, duas garrafas de uísque, um cipoal de cerveja, gargalhadas, decotes, biquínis e um mar enorme pra fazer xixi.

Ah! Teve também ótimo jantar na linda casa de Érika e Luciano, donos da pousada e, ao lado, o bar do Sting, na praia. Sting, o dono, parece mesmo o vocalista do The Police, mas, depois de perder uns 30 cm, deixar a barba e virar mendigo em Londres. Figuraça. E a música ao vivo da banda “Elo Perdido” ou “Paralelos do Ritmo”? Pelo jeito tá lá desde os anos 60, hippies eternos... O ácido de 1973 deve tá batendo agora...

Só não fiquei 100% feliz em Ajuda porque, ao andar pela cidade, lembrei-me de dois amigos recém-torturados e assassinados lá, Joaquim Nogueira e Clarice Lerman, com requintes de crueldade... Crime hediondo, ainda não solucionado... Várias vezes pensei em como alguém pode cometer tal atrocidade, numa cidade tão alto-astral...

Aí me lembrei dos Bruno, Macarrão, Coxinha e Bola que matam 10 mulheres por dia no Brasil.

O que vocês fariam com esta turma, sinceramente? Quem não respeita a vida alheia, quem faz o que fizeram por motivo torpe, merece o quê? Tem jeito? Tem recuperação? Não tem aquela lei de “não faça ao próximo o que não quer que façam a você”? Que tipo de condenação e pena merecem? Tem remédio?

Por falar em pílulas de cianureto, claro que o PT mexe com as Farc e com o narcotráfico, basta ver a overdose de droga ilícita: Lula, Dilma, PMDB...

PS: Ah! Pena de morte pra mim é aquela tortura chinesa de fazer cócegas no nariz de alguém imobilizado, com uma pena bem fininha. Ou não?