
JUNIA TURRA, jornalista, pós-graduada em Economia pela USP, Mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP, Professora Universitária. Repórter de jornal e TV, editora-chefe de Departamentos de Esportes e Jornalismo, também colunista dos sites Mandando pra rede e A Hora Online

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Palmada nunca mais
Quanta ira porque a lei contra a palmadinha pode ser aprovada. O que os pais moderados não sabem é que o Brasil é um dos países onde as "palmadinhas" não são assim tão moderadas quanto se acha. Só no interior da Bahia dão entrada nos hospitais ou no IML um sem número de crianças espancadas. O castigo físico é cultural, naturalmente saudável e importantíssimo para a formação da criança. Que lástima.
A lei não determina que vá para a cadeia quem der uma palmadinha na bundinha do filhote. Ou haja cadeia. Aliás, muitos psicólogos garantem que aquela parte macia do corpo é para isto mesmo, mas algo dentro do limite. Não se bate nas mãos de uma criança. Isto inibe as descobertas e gera traumas horríveis. Quantos pais "moderados" acham que podem dar um tapinha nas mãos, não é verdade? Um absurdo.
Em vários países da Europa, bater em criança é proibido. Aliás, nos países de língua alemã - Áustria, Alemanha, Suíça - as crianças aprendem no jardim de infância os direitos que têm. Sabem o número da polícia e são tão conscientizadas que alertam os pais: "eu chamo a polícia". Assim, várias crianças foram e são salvas de maus-tratos e palmadinhas a mais.
Na Suíça, a criança pode, inclusive, pedir à Justiça que ela seja retirada da família. Todo um suporte é acionado com psicólogos, assistentes sociais, a polícia, escola, para avaliar o pedido da criança. Se a família biológica não é compatível, se há abuso em punições, ou ofensas que fazem a criança se sentir acuada ou infeliz, ela vai para um abrigo ou para uma família temporária. Ter parido alguém, ser pai ou parente não dá o direito definitivo de ter a propriedade de outro ser. O problema do Brasil é fazer a lei funcionar e garantir o "day after", como fazem os países citados acima.
Palmadinha, não ! A diferença de mentalidade mostra os resultados. Lembram do austríaco cuja mulher fugiu com os filhos para o Rio de Janeiro e aceitou que a mulher ficasse com eles por lá, enviando uma quantia bem alta como pensão? Jamais poderia imaginar o que aconteceria. A mulher era uma alucinada, foi viver nas ruas do Rio e os filhos ficavam sob cuidados de uma tia e prima, que espancavam as crianças dia sim, o outro também.
A menina, de 4 anos foi morta por tantas palmadinhas que quebraram boa parte dos ossos dela. O pai ainda teve que lutar contra uma legislação obsoleta, especialmente o Estatuto da Criança e do Adolescente. Não conseguiu levar o corpo da filha para a Áustria, porque a nossa Justiça espetacular não permitiu. Depois de meses, embarcou com as cinzas. Gastou mundos e fundos e o filho chorava no aeroporto, desesperado: "papai, não me deixa, me leva com você". O pai com lágrimas nos olhos, mãos tremendo, embarcou sem ele. A Justiça brasileira não deixou. Foram meses e muito dinheiro para que pai e filho, enfim, pudessem viver felizes, espero que para sempre, na Áustria.
Vocês têm idéia do número de casos registrados na polícia em vários países da Europa contra pais brasileiros? Representa mais da metade dos crimes de violência e abuso infantis. E ainda há aqueles que misturam alhos com bugalhos. Rever a legislação para diminuir benefícios a menores criminosos é uma coisa. Agora, permitir a palmadinha "educativa”, é outra coisa.
Quem tem limites e equilíbrio não precisa usar de forca física com filho. A sociedade brasileira é violenta, porque começa na palmadinha e acaba na briga de bar, estapeando o vizinho, perdendo o controle no trânsito. E os pais que não educam pelo exemplo, com palmadinha ou sem palmadinha, têm os filhos do Brasil que vemos por aí: garotos educados que fazem racha, atropelam e matam outros garotos, que nunca levaram uma palmadinha sequer.
Está aí a Cissa Guimarães para provar o que digo. Certa vez vi uma entrevista dela dizendo que jamais encostou a mão nos filhos. Quando faziam coisa errada, ela os abraçava com força até se acalmarem e até ela se acalmar. Se estava fuzilando de ódio não olhava nos olhos deles, mas dava o recado ao pé do ouvido falando pouco e baixo.
Pena que a mentalidade do brasileiro não consiga atingir graus mais elevados que fazem uma sociedade melhor. Na China, no Paquistão, na Turquia também dão palmadinhas. Em países civilizados, não. Há muito o que mudar. Mudanças de mentalidade, de dentro pra fora. Cada um que defende a palmadinha, está batendo palmas para a violência.
Não se cria filhos assim. Encontre a melhor maneira de educar. Deviam obrigar outras coisas: a presença dos pais, o diálogo, o número limitado de presentinhos e mimos. Palmada sim, nos pais brasileiros. Aos filhos, que fiquem livres do castigo. Especialmente as crianças que apanham e levam muitas palmadinhas por dia, cujos pais não vão ler este artigo, porque a grande maioria nem sabe ler.
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