Gollo

LUIZ AUGUSTO GOLLO, Jornalista e escritor. Colunista dos sites: Mandando pra rede e
Tocantins notícias . Mantém o blog Visão Crítica


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No túnel do tempo

Quem aí no auditório ouviu falar da gloriosa Rádio Nacional do Rio de Janeiro? É graças a ela que estou há duas semanas sem renovar minha coluna, para tristeza dos meus cinco leitores e decepção do Valter, que me envia insistentes mensagens com o tírulo “teremos texto hoje?” e eu nem tchuns.

A rádio tem ocupado meu tempo desde as primeiras horas da manhã, pois a partir das oito e até às 11 sou o locutor que vos fala, apresentando o programa Alô, Rio em caráter interino, enquanto o titular Hilton Abi-Rihan se recupera de uma faringite cruel. Tem sido uma experiência indescritível.

A começar pelas paredes decoradas com pôsteres de fotos antigas da época de ouro da Nacional, acompanham meus passos Paulo Gracindo, Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Cauby Peixoto, Almirante, Francisco Alves, Orlando Silva e muitos, muitos outros que inscreveram seus nomes na história do rádio brasileiro – porque nunca é demais recordar que até a década de 1960, quando a televisão afinal se consolidou, mandavam as onda hertzianas na comunicação de massas.

Os ouvintes não me deixam mentir e pedem músicas nas vozes de Gilberto Alves, Albênzio Perrone, Dalva de Oliveira, Emilinha Borba...bem, esta merece registro à parte, porque aí está positivo e operante até hoje o fá clube “da eterna rainha do rádio”, como faz questão, marcando terreno em relação à arquirrival Marlene.

A rixa entre as duas cantoras mais populares nasceu do concurso público para eleger, pelo voto, a rainha do rádio. O certame, como se dizia então, acontecia todos os anos e mais uma vez daria Emilinha Borba, se Marlene não arrebentasse as urnas com votos comprados pelo Guaraná Antarctica, seu patrocinador.

Isso aconteceu em mil novecentos e Moreira da Silva, mas ainda hoje ouvem-se pranto e ranger de dentes nos corredores da Praça Mauá 7, endereço da rádio, no 21º andar do prédio d’A Noite. Como correntes que se arrastam no chão de pedra dos castelos medievais, entre milhares e milhares de bolachões de vinil preservados mais pela perseverança humana do que pelo cuidado oficial.

A plêiade de ouvintes do Alô, Rio é cativa e fiel, incluindo Edna de Petrópolis, Marlex de Belford Roxo, Uruti do Cabuçu, Jorge Morse de Neves, em São Gonçalo, Carlos de Copacabana e vários outros que lotariam um avião rumo ao passado de saudosa memória.

Minha interinidade no programa tem me absorvido muito, como podem imaginar, deixando menos tempo para observar a paisagem da janela à espera que um tema para a crônica semanal caia sobre minha cabeça. Mas se por um lado isto me prejudicou nas duas útimas semanas, nas próximas poderá render temas bem interessantes. Vamos aguardar.