Valter

VALTER BERNAT, Advogado e Analista de Sistemas, autor do site e seu editor. Colunista dos sites
Mandando Pra Rede e do Jornal A Hora Online
e colaborador do Blog do Persio Presotto


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Entre tapas e beijos


Charge do Sponholz, para o Jornal da Manhã-PR

Ao contrário do que afirmou o presidente Lula, estão faltando punição e chicotadas para acabar com a corrupção que se perpetuou no Brasil. Os corruptos ativos e passivos, principalmente os homens públicos, que até hoje desfrutam a certeza da impunidade, pensariam duas vezes antes de praticar qualquer ato ilícito Se houvesse um chicote (punição) no PT e nos órgãos públicos, certamente não teriam ocorrido o mensalão e tantos outros escândalos de corrupção denunciados sistematicamente, no país.

É exatamente o contrário do que diz o nosso presidente — “Se chicotada resolvesse, país não teria tanta corrupção” —, pois se o castigo aplicado fosse no Brasil, e se as chicotadas cantassem nas costas de alguns políticos, não há dúvida alguma de que diminuiria, e muito, o número de corruptos e, por consequência, a corrupção. A impunidade que existe é uma praga, que contaminou os poderes e a governança desta nação, levando ao descrédito nos políticos. Punir culpados e fazer cumprir a lei são dever e obrigação da Justiça deste país, que não vêm sendo muito considerados.

O presidente Lula declarou que quem maltrata seus filhos em casa nunca será um bom governante, pois não saberá lidar com os “filhos adotados eleitoralmente”. Se a teoria presidencial estiver correta, o Brasil deve ser o campeão mundial de violência familiar, pelo nível de governantes que possui. Uma triste realidade que, como beliscão, dói muito.

O presidente “ensina”, agora, que a horda de corruptos que infestam a política nacional deve ter sido vítima de terríveis surras de chicote na infância. Devemos, portanto, sentir pena desses pobres sofredores. A conclusão seguinte será, talvez, que a chibata não só foi incapaz de evitar que se tornassem corruptos, ao ingressarem na vida pública, como terá sido, quem sabe, a causa do desvio pelo caminho do crime. Ainda periga vê-los recebendo uma “Bolsa Chicote”, como compensação por todo o sofrimento imposto pelos pais e que lhes deturpou irreversivelmente o caráter.

O governo está exagerando na tentativa de legislar mais ainda onde já existem leis específicas. O próprio Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA!) já protege os menores em caráter especial quanto à violência. Considerar palmadas e beliscões como um crime em nosso país será mais uma lei sem fiscalização e com dois pesos e duas medidas. Os pobres, novamente, pagarão o pato.

O Estado, seja em nível federal, estadual ou municipal, não tem sido competente nas suas obrigações para com o cidadão que paga altos impostos no que tange à educação, à segurança e à saúde, mas quer ensinar aos pais como criar seus filhos. É para rir ou chorar?