
CASSIA OLIVEIRA, Natural do Rio de Janeiro - Baixada Fluminense - graduando em Economia na UFRJ, estagiária do grupo de História Econômica do IE/UFRJ, membro da AIESEC-RJ (Associação Internacional de Estudantes) e monitora de inglês em um curso de línguas.

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É o brasileiro
É, a Copa do mundo acabou para os brasileiros, mas o bom humor continua. Estando aqui, quilômetros longe de casa, a graciosidade do brasileiro é muito mais apreciada.
Tirando os episódios daquela turma que adora mostrar o que não tem, que adora se gabar de ser brasileiro porque tem botox naquele lugar, o bom humor ainda toma conta. O orgulho de ser brasileiro é posto em cheque, porém, quando outros nos relacionam não mais com aquela alegria e boa energia que temos, mas com a arrogância e prepotência que essa turminha exibe. E fere. E muito. É outro Brasil visto por aqui, com b de bagunça. Bagunça na casa dos outros e tais outros, ainda, têm dificuldade de distinguir o que é o quê. Talvez seja porque a nossa casa ainda está muito bagunçada.
Deixando essa pedaço à margem, onde ele deve de fato ficar, voltemos ao nosso bom humor. No Brasil, agora, o goleiro matador Bruno do Flamengo é a bola da vez. Suspeito de matar a ex–namorada, a situação, trágica e comovente, fez o jogador virar motivo de vexame e graça.
De piadinha engraçada, já escutei muitas por aqui. Desde umas como ‘Bruno dispensa advogado, alegando que como ele é goleiro, fará sua própria defesa’ até ‘Qual a diferença entre o Bruno e o Ronaldo? O que não mata, engorda’. É, em toda situação, sempre haverá um brasileiro para fazer piada. A criatividade está sempre surpreendendo, assim o foi e, parece que assim será.
Além disso, temos a notoriedade do ‘Cala a boca, Galvão’. Campanha que ganhou o mundo, sendo noticiada em grandes veículos internacionais. Começou com uma brincadeira e, de repente, todos falavam a respeito. Bem merecido, eu diria. Além de ninguém mais aguentar o tal, tem também todas as tramoias na qual ele esta envolvido, os negocinhos com aqueles grandes do futebol, da Fórmula 1 e assim vai. Aí, até os estrangeiros, ao descobrirem a verdade, não resistiram a uma boa risada. É, mais uma vez, a gente fazendo o povo rir por aí.
Adicionando a essa receita de bom humor explícito, foi recentemente lançado o funk do Kaka, alegando que agora ele seria um ‘mau menino’. O jogador que sempre presou pela sua boa conduta, muito religioso como é sabido, não poderia ser esquecido. Deixo claro que questões religiosas não fazem parte desse texto. Depois do jogo contra a Costa do Marfim, em que ele foi expulso, foi mostrado também os palavrões que tinha falado em campo. Mas claro, brasileiro não poderia perdoar. E caiu na net tal musiquinha, ridicularizando a sua conduta, fazendo o povão rir. É, uma boa risada ao fim de uma partida bem jogada, independente do resultado, não tem preço.
E, então, falando em rir, as eleições estão chegando. Mas agora o bom humor deve continuar para a maioria da população. Está tudo sempre bom, não é verdade? Independente de quem ganhar, a criatividade vai continuar, até chegar o momento em que não poderemos mais nos expressar.
Estando aqui, bem longe de casa, parece que a influência desses outros ares, que não são tão paradisíacos como imaginamos, mas mesmo assim, conseguem conceder ao seu povo honra e dignidade, nos faz enxergar e exigir mais de nós mesmos. É sempre bom se sentir em casa, com gente alto-astral, uma música que lembra aquela grande mesa da cozinha e o sol para aquecer, mas melhor ainda, é querer pensar, com bom humor e esperança que, o que o Brasil tem de melhor, é o brasileiro, trabalhador, feliz, criativo, diferentemente dessa corja que nos representa, mundo afora.
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